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74% dos ganhos da IA ficam com 20% das empresas

Estudo da PwC com 1.217 executivos em 25 setores mostra que a diferença entre lucrar com IA e só fazer piloto não é orçamento — é decisão.

74% dos ganhos da IA ficam com 20% das empresas

PWC

Redação StartSe

, Redator

9 min

31 ago 2026

Atualizado: 31 ago 2026

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O 2026 AI Performance Study, da PwC, coloca um número nesse silêncio incômodo: 74% dos ganhos econômicos gerados por inteligência artificial estão concentrados em apenas 20% das organizações. A pesquisa ouviu 1.217 executivos seniores em 25 setores ao redor do mundo, e a conclusão é desconfortável para a maioria das salas de diretoria: a IA já está pagando a conta de quem sabe usá-la, e cobrando o dobro de quem só experimenta.

74% dos ganhos ficam com 20% das empresas

"Muitas empresas lançam pilotos de IA, mas apenas uma minoria converte isso em retornos financeiros mensuráveis", resume Joe Atkinson, Global Chief AI Officer da PwC, no lançamento do estudo.

A frase parece óbvia. O tamanho da distância entre os dois grupos, não. Não se trata de empresas que "ainda não começaram" com IA — praticamente todas já começaram. A diferença é que a maioria ficou presa num piloto que nunca vira operação, enquanto um grupo pequeno já reorganizou processo, orçamento e governança em volta da tecnologia. É a distância entre comprar uma ferramenta e mudar como a empresa decide.

O que separa as líderes do resto não é o orçamento

O estudo cruzou o desempenho financeiro das empresas líderes com o comportamento delas em relação à IA, e os números explicam a distância. Empresas líderes são 2,6 vezes mais propensas a dizer que a IA melhora a capacidade delas de reinventar o próprio modelo de negócio — não só de cortar custo operacional. E são de 2 a 3 vezes mais propensas a usar IA para identificar oportunidades de crescimento na fronteira entre indústrias, onde a concorrência tradicional ainda nem está olhando.

Repare no verbo: reinventar, não automatizar. A maioria das empresas comprou IA para fazer a mesma coisa de sempre, um pouco mais rápido. As líderes compraram IA para fazer uma coisa que a concorrência ainda não faz.

Na prática, isso aparece de duas formas bem diferentes dentro de uma empresa. Automatizar é usar IA para reduzir o tempo de um processo que já existia — atender mais rápido, gerar relatório mais rápido, responder e-mail mais rápido. Reinventar é usar a mesma tecnologia para perguntar se aquele processo ainda deveria existir daquele jeito, ou se a empresa deveria estar competindo em outro lugar da cadeia. A primeira frente entrega economia de custo, visível e limitada. A segunda entrega o tipo de vantagem que aparece na linha de receita — e é justamente aí que mora a distância de 74% encontrada pela PwC.

Automação com rede de segurança — de propósito

Aqui está o dado que separa ambição de imprudência: as empresas líderes são 2,8 vezes mais propensas a aumentar o volume de decisões tomadas sem intervenção humana. Isolado, esse número assustaria qualquer board. Mas o mesmo grupo de líderes é também 1,7 vezes mais propenso a ter um framework formal de IA Responsável em operação, e 1,5 vezes mais propenso a manter um conselho de governança de IA cross-funcional — jurídico, dados, produto e negócio na mesma mesa, decidindo junto onde a máquina pode agir sozinha e onde não pode.

A leitura direta é esta: quem está ganhando dinheiro com IA não é quem automatizou mais rápido. É quem automatizou com controle suficiente para ir mais fundo sem quebrar a empresa no caminho. Esse mesmo grupo é 1,8 a 1,9 vezes mais propenso a rodar múltiplas tarefas de IA em paralelo com essas proteções ativas — operação autônoma de verdade, não demonstração de IA em slide de board.

Os sintomas do piloto perpétuo

Dá para reconhecer o grupo dos 80% sem precisar de pesquisa. Alguns sinais se repetem: a IA vive em um projeto de inovação isolado, sem dono no P&L; cada área testa uma ferramenta diferente, sem critério comum de risco; a palavra "governança de IA" nunca chegou a virar comitê, reunião recorrente ou responsável nomeado; e o retorno da IA é medido em "casos de uso interessantes" apresentados no board, não em linha de resultado.

Nenhum desses sinais é sobre tecnologia. São sobre decisão de liderança — e é exatamente aí que mora a diferença de 74% que o estudo da PwC encontrou.

Um conselho de governança de IA cross-funcional, do tipo que 1,5 vezes mais empresas líderes mantêm, normalmente não é um comitê simbólico que se reúne uma vez por trimestre para validar o que a área de dados já decidiu sozinha. É uma mesa com poder de decisão real: define em quais processos a IA pode agir sem revisão humana, em quais precisa de aprovação, e quem responde legalmente se algo sair errado.

O Brasil aposta alto — mas em quê, exatamente?

Fora dos Estados Unidos e da Europa, o otimismo brasileiro chama atenção. Um estudo do IDC, divulgado pela Microsoft Brasil, mostra que 88% dos executivos do país acreditam que a IA será o principal motor de competitividade das suas empresas até 2030.

O problema é a lacuna entre a convicção e a estrutura. Acreditar que a IA vai decidir a competitividade da empresa nos próximos anos e não ter o comitê de governança, o dono de resultado ou o critério de decisão para capturar esse ganho é exatamente o padrão que a PwC descreve nos 80% que ficam de fora da conta. Empresas brasileiras, ainda por cima, costumam competir com margens mais apertadas e ciclos de investimento mais curtos do que as multinacionais que compõem boa parte da amostra do estudo — o que deixa ainda menos espaço para manter um piloto rodando indefinidamente sem cobrar resultado dele.

A pergunta que separa quem vai lucrar de quem só vai gastar

Não é sobre ter IA — isso, a esta altura, toda empresa tem. É sobre ter decidido, com clareza, onde ela reinventa o negócio e onde ela só acelera o que já existia, e ter a governança pronta para sustentar essa escolha quando a operação escalar de verdade. Cada trimestre em que uma empresa segue tratando IA como projeto de inovação isolado é um trimestre em que o grupo dos 20% aumenta a distância.

Sua liderança já fez essa escolha, ou ainda está esperando o piloto "provar valor" sozinho? É essa pergunta que o AI FIRST ajuda lideranças a responder — com o critério e a governança que separam quem lucra com IA de quem só gasta com ela.

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