A possível abertura de capital da dona do Claude mostra que a corrida da IA entrou em uma nova fase: agora, além de modelos melhores, as empresas precisam provar que conseguem transformar escala em negócio
Anthropic
, Redator
8 min
•
27 ago 2026
•
Atualizado: 27 ago 2026
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A corrida da inteligência artificial ganhou um novo capítulo — e ele pode ser escrito em Wall Street. A Anthropic, dona do Claude, se prepara para apresentar publicamente seu pedido de abertura de capital e avalia uma oferta que pode igualar ou até superar o recorde da SpaceX. A empresa considera uma operação de até US$ 100 bilhões, enquanto sua avaliação pode chegar à casa dos US$ 2 trilhões.
O movimento é significativo não apenas pelo tamanho dos números, mas pelo que eles dizem sobre a percepção do mercado em relação à IA. A Anthropic tem apenas cinco anos de existência e já alcançou uma avaliação de US$ 965 bilhões em uma rodada realizada em maio. Agora, pretende transformar a expectativa em capital público — justamente em um momento em que investidores estão tentando separar o hype daquilo que pode se tornar uma nova infraestrutura econômica.
Os números ajudam a explicar por que existe tanto apetite.
A Anthropic registrou mais de US$ 11,5 bilhões em receita preliminar no segundo trimestre de 2026, contra US$ 787 milhões no mesmo período do ano anterior. Sua taxa de execução de receita chegou a US$ 65 bilhões no fim de julho. É uma escala de crescimento extraordinária para uma companhia tão jovem.
Mas existe uma particularidade importante nessa história: crescer em IA custa muito caro.
Treinar e operar modelos de fronteira exige enormes volumes de computação, infraestrutura e energia. A própria Anthropic fechou acordos de capacidade computacional que podem representar dezenas de bilhões de dólares nos próximos anos. A companhia também está negociando uma linha de crédito de mais de US$ 10 bilhões antes do IPO.
Ou seja: a empresa precisa captar muito dinheiro porque a própria corrida tecnológica exige muito dinheiro.
É um ciclo que ajuda a explicar a atual economia da IA: mais capacidade gera mais usuários; mais usuários exigem mais infraestrutura; mais infraestrutura exige mais capital; e mais capital permite construir modelos ainda maiores.
Existe, porém, uma pergunta mais interessante do que “quanto vale a Anthropic?”.
É: quanto do futuro da economia está sendo precificado hoje?
A empresa estaria apresentando aos investidores projeções extremamente ambiciosas para os próximos anos. Segundo a Reuters, as estimativas usadas na discussão de valuation apontam para receitas de US$ 190 bilhões a US$ 200 bilhões em 2028, muito acima de seu atual ritmo de receita.
Esse tipo de projeção mostra como a lógica de avaliação das empresas de IA está mudando. Não basta olhar para o lucro atual. Investidores estão tentando estimar quanto da economia futura poderá ser capturado por quem controlar os modelos, a infraestrutura e a relação com as empresas.
É uma aposta de longo prazo.
E apostas desse tamanho exigem uma convicção igualmente grande de que a inteligência artificial não será apenas uma nova categoria de software, mas uma camada fundamental da economia.
É justamente aí que aparece o principal risco.
A Anthropic pode crescer muito e, ainda assim, enfrentar uma equação econômica difícil. Modelos cada vez mais sofisticados demandam mais computação, enquanto concorrentes pressionam preços e desenvolvem alternativas próprias. A empresa também registrou prejuízo líquido de quase US$ 42 bilhões em 2025, segundo documentos analisados pela Bloomberg.
Portanto, o IPO não será apenas uma celebração da inteligência artificial. Será também um teste de maturidade para o mercado.
Os investidores precisarão responder se esse crescimento é sustentável, se os custos podem cair proporcionalmente à escala e, principalmente, se as empresas de IA conseguirão capturar uma parcela relevante do valor econômico que prometem criar.
A questão deixa de ser apenas “a IA funciona?”.
Passa a ser “quem vai capturar o valor criado pela IA?”
Para quem está fora de Wall Street, o IPO da Anthropic também traz uma provocação importante.
Enquanto investidores discutem trilhões de dólares, muitas empresas ainda estão tratando IA como um conjunto de ferramentas isoladas: um chatbot para produtividade, um copiloto para marketing, alguma automação aqui e ali.
A diferença entre essas duas visões é enorme.
A primeira enxerga IA como tecnologia que pode ser adicionada ao negócio. A segunda começa a enxergá-la como uma capacidade que pode reorganizar o próprio negócio.
É por isso que a corrida da Anthropic interessa tanto a quem não pretende comprar ações da companhia. O capital está apostando que a IA será estrutural. A pergunta para as empresas é se elas estão se preparando para operar estruturalmente com ela.
Nesse cenário, desenvolver fluência em IA deixa de ser apenas uma iniciativa de treinamento e passa a ser uma competência estratégica. É preciso entender modelos, aplicações e limitações, mas também saber identificar onde a tecnologia pode mudar processos, produtos, decisões e modelos de negócio.
É justamente essa mudança de mentalidade que está por trás do AI Journey da StartSe: preparar profissionais e líderes não apenas para usar IA, mas para entender como incorporá-la ao trabalho e às decisões de negócio.
Porque, enquanto empresas como a Anthropic levantam bilhões para construir a próxima geração da inteligência artificial, a vantagem competitiva das demais empresas estará em outra pergunta: o que elas vão fazer com toda essa inteligência quando ela chegar à sua operação?
Conheça o AI Journey e prepare-se para transformar IA em uma competência real de trabalho e negócio.
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