Brasileiro, no Vale do Silício, está criando tecnologia para mudar a Terra

Da Redação

Por Da Redação

25 de novembro de 2016 às 16:58 - Atualizado há 4 anos

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No final de setembro, tive o prazer de fazer uma das entrevistas mais bacanas que eu já tive na vida. Foi com um brasileiro que está mudando algumas (plural!) das principais indústrias do mundo: Fábio Teixeira, fundador da Hypercubes, responsável por um satélite autônomo capaz de monitorar com precisão o solo.

O tempo passou e eu acabei não fazendo a matéria. Uma história tão sensacional assim, porém, eu tinha que resgatar. Tão bacana é o projeto de Fábio Teixeira que ele teve a visitinha de uma pessoa um tiquinho conhecida no mundo de business do Brasil, Beto Sicupira, da 3G Capital e quarto homem mais rico do Brasil (atrás de seus sócios Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e do banqueiro Joseph Safra).

Esse encontro aconteceu (e está no final da matéria) na Singularity University, um dos ambientes de inovação e tecnologia mais importantes no Vale do Silício – e muito importante para a companhia de Teixeira. “A Hypercubes nasceu da Singularity. Somos dois Alunos da SU, fui um dos primeiros brasileiros daqui, da turma de 2010. E no final de 2014 encontrei o meu sócio, Brian Lim, aqui”, diz o empreendedor.

Tudo começou quando eles estavam tentando competir em uma competição da NASA, a agência nacional. “Eu estava montando um time para competir em um challenge de nanosatellites da Nasa, para deep space”, conta. Só que o prêmio não era tão bom a ponto de compensar a criação da tecnologia necessária. “O prêmio da Nasa não cobria os preços de pesquisa, e pivotamos”, completa.

Pivotar, no caso deles, foi para a construção de um dos negócios com maior potencial possível – algo capaz de revolucionar a própria terra. “Montamos uma empresa que produz uma constelação de nanosatellites com machine learning que podem analisar a composição química do material de solo”, destaca.

Essa nova tecnologia pode mudar vários setores da economia e melhorar um dos principais: a produção de alimentos. “Isso permite a gente olhar para uma plantação e determinar nível de fertilidade do solo, stress, espécies invasoras, doenças e até os nutrientes que estão presentes nas flores das plantas. Esse é um outro nível de informação, que pode levar a produção de comida para o estado da arte”, diz Teixeira.

Para ele, esse é um real benefício que a Hypercubes pode fazer para fazer do mundo um lugar melhor. “Esse é um problema que nas próximas duas décadas temos que enfrentar. Em 2050 teremos 10 bilhões de pessoas no planeta, e vamos precisar produzir mais comida nas próximas décadas que nos últimos 10 mil anos juntos”, destaca.

Contudo, há muito mais negócios que podem ser melhorados com a tecnologia produzida pela Hypercubes. “A agricultura de precisão é só uma vertical. Podemos ajudar a prospectar terrenos para mineração, monitoramento de vazamentos”, acredita.

Muita informação

E como a Hypercubes pode fazer isso? Bom, o funcionamento é simples: os satélites dão voltas e mais voltas no planeta, analisando o solo constantemente e enviando os dados sobre ele. “São 100 terabytes a cada vez que o satélite percorre a terra, a cada 90 minutos. Usamos machine learning para processar os dados no próprio satélite”, explica o fundador da Hypercubes.

Os dados recebidos, portanto, são úteis para o pessoal em terra analisar e tomar as mais diversas decisões necessárias para melhorar o funcionamento da agricultura, por exemplo. Ele é capaz de ver se o solo está com um nível baixo de nutrientes e precisa de um reforço, por exemplo. “É um mecanismo de busca autônomo, que nos permite transmitir dados em tempo real”, conta.

Saindo da Garagem

Se os planos são ambiciosos, a startup ainda precisa tirar seus projetos do papel. “A Hypercubes é uma startup, somos duas pessoas atualmente. Eu e Brian. Recebemos um investimento da Singularity, fomos umas das duas empresas que foram aceitas no processo de aceleração da própria SU. Tivemos um investimento inicial de US$ 100 mil”, conta o empreendedor.

Por enquanto, eles ainda estão em processo de “sair da garagem” – ou seja, ainda estão em early stage. “Saímos da Aceleradora em dezembro do ano passado, estamos saindo da garagem e abrindo a empresa para investimento”, explica.

Com a casa arrumada, o próximo passo é começar a validar a tecnologia que os dois já desenvolveram. “No ano que vem vamos mandar um instrumento específico para a Estação Internacional Espacial, para validar o nosso cenário base e algumas tecnologias”, conta Teixeira.

Com essa validação e alguns ajustes, eles já estão prontos para lançar o primeiro satélite para fora da terra – dando início ao serviço prestado pela Hypercubes. “Depois, vamos lançar o próprio satélite, que envolve uma série de tecnologias como comunicação, painéis solares, controle de altitude. Gira em torno de US$ 300 mil lançar esse tipo de satélite, isso é muito mais barato que o custo de satélites convencionais”, destaca Teixeira.

São necessários, porém, vários satélites percorrendo a terra para conseguir acesso em tempo real – e isso requer um investimento elevado para conseguir. O jeito é começar com uma constelação menor. “A constelação deve iniciar com 10 satélites, mas para cobrir todo o planeta diariamente precisaria de 40 a 50 satélites”, diz.

Tudo vai ficar mais barato em pouco tempo – parece que é uma tendência ficar mais barato empreender, independentemente do seu segmento. “Em um time frame de cinco anos, deve cair bastante por causa do novo foguete da SpaceX. Vai ser o momento em que todo mundo vai lançar satélites para o espaço”, conta.

Monetização vs. trabalho pela humanidade

Para um mundo melhor, a Hypercubes pode fazer monitoramento ajudando tanto grandes clientes, que pagam, quanto realizar o trabalho apenas para beneficiar a humanidade. “Por um lado, eu tenho grandes corporações por trás da produção de comida, mineração, oil and gas. Por outro lado, temos o monitoramento de água no planeta, que é para todo o mundo”, destaca Teixeira.

Para tal, os clientes que pagam devem rentabilizar a operação que permita que o trabalho seja feito em prol de todos. “Os recursos das grandes empresas e governos podem sustentar o que queremos produzir para a sociedade”, explica.

O que não significa que instituições e governos, que teoricamente representam a sociedade, não possam contratar a Hypercubes para realizar trabalhos que sejam benéficos para a humanidade. “Nosso primeiro cliente é a Nações Unidas, que tem um programa para acabar com a fome”, conta o empreendedor.

Mensagem do StartSe

Poucas matérias para mim exemplificam a magia do Vale do Silício quanto a história de Fábio Teixeira. Nosso CEO, Pedro Englert, fez o curso na Singularity University e atesta, que, realmente, lá é um ambiente para mudar o mundo positivamente. Ele falou disso algumas vezes no Conexão Vale do Silício.

Afinal, mudar o mundo é um imperativo das startups e fico muito feliz de poder inspirar milhares de leitores que desejam fazer o mesmo. Mas o StartSe quer te ajudar de outras maneiras também, com um sistema de educação para formar os empreendedores brasileiros de amanhã.

Para você que leu esta matéria, recomendo duas de nossas iniciativas: conhecer o Vale do Silício em todo seu esplendor, através da Missão Vale do Silício (você pode entrar na lista de espera agora) ou, caso você esteja iniciando uma startup, conhecer o Startup de A à Z – para evitar todos os problemas de uma startup inicial, que geralmente ocasionam o óbito da mesma.

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