Por que as empresas americanas passaram a preferir executivos com décadas de experiência ao invés de jovens prodígios
Experiente e tecnológico: o perfil dos CEOs nos EUA.
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7 min
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27 abr 2026
•
Atualizado: 27 abr 2026
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Há uma geração, não era incomum que um executivo chegasse ao posto máximo de uma grande corporação americana na casa dos quarenta anos. Hoje, esse cenário é raro. Os CEOs nos Estados Unidos têm em média 61 anos — dez anos a mais do que em 2000 — e a idade média na nomeação para o cargo chegou a 55 anos, ante pouco menos de 48 anos no início do século.
Não se trata apenas de pessoas ficando mais tempo no cargo ou se aposentando mais tarde. A mudança é mais estrutural e revela uma transformação profunda na forma como o mundo corporativo enxerga a liderança.
Esse fenômeno foi documentado em um estudo do National Bureau of Economic Research (NBER) e trazido pela Bloomberg. O estudo analisou padrões de contratação e carreira de mais de 50.500 CEOs nos Estados Unidos entre 2000 e 2023, identificando o que os autores chamam de "mudanças fundamentais" na seleção de líderes.
A conclusão central é que a demanda das empresas se deslocou para habilidades generalistas — e que desenvolver esse tipo de competência exige simplesmente mais tempo de vida e de carreira.
A lógica por trás disso é mais sofisticada do que parece à primeira vista. As empresas não estão simplesmente preferindo candidatos mais velhos por conservadorismo ou aversão ao risco. Como os executivos precisam de trajetórias de carreira mais longas para desenvolver capacidades diversas, as empresas acabam nomeando CEOs mais velhos. A experiência variada passou a valer mais do que a capacidade bruta ou o talento precoce.
Esse movimento é especialmente visível em empresas menores e de capital fechado. As grandes empresas conseguem oferecer a candidatos internos uma gama mais ampla de atribuições, cultivando uma versatilidade que as menores só conseguem acessar contratando executivos que acumularam experiência transitando por muitas empresas e setores. Isso ajuda a explicar por que a idade média dos CEOs de empresas do S&P 500 avança mais devagar, subindo de cerca de 56 anos em 2000 para 58,5 anos em 2023 — abaixo da média geral de 61 anos.
Há um atalho, no entanto. Executivos com passagem pelas três grandes consultorias estratégicas — McKinsey, Bain e Boston Consulting Group — tendem a ser nomeados CEOs em idades "substancialmente" mais jovens.
A consultoria funciona como um acelerador de carreira porque condensa, em poucos anos, a exposição a múltiplos setores, modelos de negócio e situações de crise que um executivo de linha levaria décadas para acumular. Quem segue outros caminhos leva mais tempo para adquirir as mesmas habilidades.
O estudo também revela um mecanismo interessante pelo qual essas estratégias de carreira se disseminam. Quando alguém na rede de um executivo chega ao topo, ele observa a trajetória percorrida por essa pessoa e atualiza sua visão sobre o que é necessário para chegar lá. Na prática, isso significa que um executivo sênior de uma pequena empresa de biotecnologia pode deliberadamente aceitar um cargo mais júnior em uma grande farmacêutica, apostando que a combinação das duas experiências o tornará um candidato a CEO mais competitivo no futuro.
Quanto às implicações de ter mais CEOs sexagenários no comando das empresas, o quadro é ambíguo.
O artigo abordou as implicações de ter mais CEOs sexagenários, que tendem a dirigir empresas com crescimento mais lento e menos inovadoras. Mas os pesquisadores recusam uma leitura puramente negativa. A abordagem mais avessa ao risco desses executivos pode representar uma resposta racional a ambientes de negócios em transformação, caracterizados por maior incerteza e complexidade.
E há um argumento adicional, cada vez mais relevante num mundo de inteligência artificial acelerada: líderes experientes que conseguem aproveitar essas tecnologias com eficácia podem se tornar mais valiosos, pois suas habilidades de coordenação, adaptação e tomada de decisão sob incerteza são justamente o tipo de capacidade que é difícil de codificar e automatizar.
A ironia é que, numa era dominada por algoritmos, o ativo mais valioso de um CEO pode ser aquilo que só os anos ensinam.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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