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Estudo: R$ 143 bilhões migraram do varejo para as bets

O avanço das apostas online está redesenhando o consumo, o crédito e o comportamento financeiro das famílias brasileiras: para pior.

Estudo: R$ 143 bilhões migraram do varejo para as bets

O avanço das bets muda a economia real, gera vícios e corrói o bolso do brasileiro

Bruno Lois

, Editor

4 min

29 abr 2026

Atualizado: 29 abr 2026

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Entre janeiro de 2023 e março de 2026, as plataformas de apostas online retiraram cerca de R$ 143 bilhões do comércio varejista brasileiro, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Para colocar em perspectiva: esse valor equivale ao faturamento somado dos períodos de Natal de 2024 e 2025, as datas mais importantes do varejo nacional.

Mas o dado mais relevante não é o tamanho do número.

É o que ele representa.

O crescimento das bets não criou dinheiro novo na economia — ele redirecionou renda. Recursos que antes iam para consumo — roupas, eletrônicos, alimentação, serviços — passaram a ser destinados às apostas.

Esse deslocamento é visível no comportamento mensal. Em menos de três anos, o gasto dos brasileiros com bets saltou de cerca de R$ 4 bilhões para R$ 29 bilhões por mês.

Ou seja: não é um fenômeno marginal. É uma mudança estrutural no destino do consumo que indica alta chance de vício. 

E basta uma pequena busca nas redes sociais para entender o tamanho do problema. Não faltam casos de usuários relatando perdas substanciais de patrimônio, endividamento, comportamentos de risco, tudo em razão da promessa fácil de alto retorno das bets (e aqui estamos falando de apostas esportivas e o famigerado “tigrinho").

Na economia, esse movimento começa a gerar efeitos concretos.

A CNC estima que cada R$ 1 bilhão gasto em apostas reduz cerca de 0,7% do faturamento do varejo.

Ao mesmo tempo, o impacto não para no consumo.

Ele chega ao crédito.

O estudo aponta que cerca de 269 mil famílias entraram em inadimplência diretamente associada às apostas, com atrasos superiores a 90 dias.

E isso cria uma cadeia de impacto:

  • menos consumo
  • mais inadimplência
  • maior pressão sobre crédito
  • menor dinamismo econômico

Outro ponto relevante é o perfil desse impacto.

Ele é mais forte nas famílias de menor renda, especialmente aquelas com ganhos de até cinco salários mínimos, onde o comprometimento da renda é mais sensível.

Mas não se limita a esse grupo.

Mesmo entre famílias de maior renda, há sinais de mudança: redução de dívidas formais, mas aumento de atrasos — indicando uma realocação de recursos para apostas.

O que está acontecendo no Brasil é um exemplo claro de como novas indústrias digitais podem gerar efeitos colaterais fora do radar inicial.

As bets cresceram rapidamente, impulsionadas por:

  • digitalização
  • acesso facilitado
  • marketing massivo
  • regulamentação recente

E hoje representam mais um risco do que um ambiente de lazer e “divertimento” como costumam se vender nos anúncios.

No fim, a pergunta não é se as bets vão continuar crescendo. Aparentemente vão. É um negócio altamente lucrativo para as bancas.

A pergunta mais incômoda a ser feita é: quem vai pagar a conta de uma sociedade viciada e endividada?

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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