As lições das empresas do Vale do Silício para enfrentar a crise do COVID-19

Felipe Lamounier

Por Felipe Lamounier

27 de Maio de 2020 às 00:51 - Atualizado há 6 meses

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A pandemia do COVID-19 gerou uma crise econômica global sem precedentes num curto espaço de tempo e este impacto também atingiu o principal polo de inovação, tecnologia e empreendedorismo do mundo, o Vale do Silício. Entretanto, morando por aqui a mais de 5 anos arrisco a dizer que as maiores empresas de tecnologia já estavam “preparados” com antecedência para esta crise.

E elas podem ser as grandes vencedoras desta pandemia global. A demanda por seus serviços online explodiu entre pessoas e empresas em um cenário de quarentena global. Estamos comprando na Amazon, assistindo a shows ao vivo no Facebook, armazenando cada vez mais fotos no iCloud da Apple e procurando receitas de panificação no Google.

Coletivamente, Facebook, Microsoft, Apple, Amazon e Alphabet representam quase 40% do valor de mercado da Nasdaq. Com certeza, todos os cinco gigantes da tecnologia estão contratando centenas, senão milhares, somente na Califórnia. A COO do Facebook, Sheryl Sandberg, disse recentemente à CNBC que a gigante de mídia social de Menlo Park planeja contratar 10.000 pessoas ainda este ano na area de produtos e engenharia.

Lições que podem ser aprendidas com as empresas do Vale do Silício para aproveitar a vantagem em uma desaceleração:

1 – Foque na Expansão

Conversei com alguns especialistas que estão empreendendo por aqui a mais de 20 anos, para entender a visão deles sobre os impactos econômicos desta pandemia no Vale do Silício e todos eles foram enfáticos em dizer que esta desaceleração econômica em particular está favorecendo as gigantes que possuem reservas de caixa para aguardar uma queda temporária de receita e que elas neste momento estão focando na expansão dos seus mercados.

Tomemos, por exemplo, o mercado de livestream, que está explodindo agora, graças à pandemia. As ofertas do Facebook para este mercado incluem o Messenger e, mais recentemente, o Messenger Rooms, que permite que até 50 pessoas conversem ao mesmo tempo no mesmo canal. Frentes que foram aceleradas pelo Facebook com o foco na expansão.

A Microsoft somente no LinkedIn, do qual ela é dona, possui quase 300.000 empregos em todo o mundo no momento da publicação deste artigo. A Amazon contratou 175.000 pessoas para sua rede de atendimento e entregas desde o início da pandemia. Atualmente, a Amazon está procurando mais de 3.000 pessoas somente na Califórnia.

Além dos maiores nomes do Vale do Silício, as empresas de tecnologia de médio porte também estão contratando:

A VMware, a empresa de software com sede em Palo Alto, tem mais de 300 vagas na Califórnia e mais de 1.400 em todo o mundo. O vice-presidente de aquisição de talentos da empresa escreveu recentemente: “Nossos esforços de contratação estão focados no suporte às cinco prioridades estratégicas da VMware: Modernização de Aplicativos, Multit Cloud, Rede Virtual Cloud, Espaço de Trabalho Digital e Segurança Intrínseca”. A Intel, com sede em Santa Clara, publicou mais de 700 empregos em seu site, dos quais mais de 70 são baseados também na Califórnia.

Segundo a Joint Venture Silicon Valley, a taxa de desemprego preliminar de março de 3,1% no Vale do Silício, representou um aumento acentuado em relação à taxa de fevereiro, mas ainda é significativamente menor do que na crise financeira de 2009, quando o desemprego atingiu 10,5%.

Uma desaceleração é um bom momento para investir em pessoas – por exemplo, para atualizar a qualidade de suas equipes de gerenciamento. A competição entre as melhores pessoas no mercado será menos acirrada, com uma disponibilidade maior destes talentos e com um custo correspondentemente menor.

2 – Invista para o futuro

Os investimentos feitos hoje em áreas como desenvolvimento de produtos e tecnologia da informação ou produção, em muitos casos, só darão frutos após o término desta crise econômica. Esperar para avançar com esses investimentos pode comprometer sua capacidade de capitalizar oportunidades quando a economia se recuperar. E o custo desses investimentos serão menor agora, à medida que a competição por recursos diminui.

Dadas as restrições financeiras atuais e considerando que sua empresa não está “sentada” em 200 milhões de dólares de ativos líquidos como a Apple, você não poderá fazer tudo ou mesmo a maioria das coisas que deseja. Mas isso não impede você de fazer grandes apostas. Priorize as diferentes opções, protegendo os investimentos que provavelmente terão um grande impacto na saúde da sua empresa no longo prazo, adiando aqueles com resultados positivos menos certos e abandonando os projetos que seriam “nice to have”, mas que não são cruciais para o sucesso futuro.

Veja o exemplo da própria Apple que acabei de mencionar. A empresa não estava em boa forma quando entrou na recessão de 2001-2003, a receita dela caiu 33% em 2001 em relação ao ano anterior. No entanto, a Apple aumentou suas despesas de pesquisa e desenvolvimento em 13% neste mesmo ano e para cerca de 8% das vendas, contra menos de 5% em 2000.

O resultado: a Apple lançou a loja de música e o software do iTunes em 2003 e o iPod Mini e o iPod Photo em 2004, iniciando um período de rápido crescimento para a empresa. A história de hoje todo mundo já conhece, mas poucas pessoas associam o valor de mercado de 1 trilhão de dólares aos investimentos feito pela companhia em plena recessão em 2001.

As empresas que adotarem a abordagem abrangente não apenas estarão melhor posicionadas para enfrentar a tempestade atual, mas também preparadas para aproveitar as oportunidades emergentes da turbulência e obter uma vantagem na competição à medida que as nuvens escuras começarem a se dispersar.

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