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A Anthropic quer seu próprio chip. E está conversando com a Samsung para fabricá-lo.

A empresa avaliada em quase US$ 1 trilhão segue o mesmo caminho da OpenAI, Google e Amazon: quem controla o silício, controla o custo. E quem controla o custo, controla a margem.

A Anthropic quer seu próprio chip. E está conversando com a Samsung para fabricá-lo.

Anthropic

Bruno Lois

, Editor

10 min

2 jul 2026

Atualizado: 2 jul 2026

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A Anthropic, empresa criadora dos modelos Claude, está negociando com a Samsung Electronics para fabricar um chip de IA personalizado. A parceria representaria um passo significativo na estratégia mais ampla da Anthropic de diversificar seu fornecimento de chips e reduzir a dependência da Nvidia.

A Anthropic está atualmente nos estágios iniciais de definição das especificações do processador, requisitos de energia e configurações de cluster de servidores, segundo o The Information, que cita três fontes familiarizadas com o assunto.

O projeto ainda está em fase incipiente: nenhum trabalho detalhado de design ou fabricação foi iniciado, e a empresa pode não prosseguir. Mas os sinais apontam para uma direção clara: a Anthropic está construindo a equipe e iniciando as conversas que precedem a decisão de investir em silício próprio.

Por que a Samsung e por que agora

A Samsung se destaca entre os potenciais parceiros por uma razão específica: é a única investidora da Anthropic que opera um negócio de fundição. A Samsung não apenas projeta chips ou produz memória, ela fabrica designs de chips de outras empresas em suas próprias plantas de fabricação.

A Anthropic está especificamente considerando o processo de fabricação de 2 nanômetros da Samsung e as instalações avançadas de empacotamento do conglomerado coreano.

O timing tem contexto financeiro direto. A Anthropic captou US$ 65 bilhões numa rodada Série H em maio, atingindo uma avaliação de US$ 965 bilhões. A rodada incluiu investidores estratégicos como Samsung Electronics, SK Hynix e Micron Technology, todas focadas em chips de memória, armazenamento e lógica. Em outras palavras: a Samsung entrou como investidora no mesmo período em que começaram as conversas sobre fabricação. A relação entre os dois movimentos não é coincidência.

Trabalhos preliminares separados da Samsung sobre chips de IA personalizados para a OpenAI teriam estagnado em junho de 2026. Se a Samsung redirecionar essa capacidade de fundição para a Anthropic, representaria uma reconfiguração significativa das alianças no cenário de fabricação de chips de IA.

O engenheiro contratado que revela a seriedade do movimento

Projetos de chip não começam com anúncios. Começam com contratações.

A Anthropic trouxe Clive Chan, membro inicial das equipes de chips personalizados da Tesla e da OpenAI. Ele deve construir um grupo dedicado de chips na Anthropic. A contratação de alguém com esse histórico específico, que já passou pelo ciclo completo de criação de chip customizado em um laboratório de IA, é o sinal mais concreto de que o movimento vai além de uma exploração estratégica casual.

O anúncio da Anthropic pode também ser uma resposta ao da OpenAI, que se associou à Broadcom para anunciar seu próprio processador de inferência customizado, chamado Jalapeño. A corrida por silício próprio entre os principais laboratórios de IA deixou de ser uma possibilidade futura e se tornou o padrão do setor.

O que a Anthropic está fazendo com o que já tem

A Anthropic foi cuidadosa em deixar claro que o chip próprio não substitui as parcerias existentes. Em comunicado, a Anthropic disse que seus parceiros existentes permanecem fundamentais, observando que os chips Trainium da Amazon Web Services, as Unidades de Processamento Tensorial do Google e as GPUs da Nvidia continuarão servindo como elementos centrais de sua estratégia de computação de longo prazo.

A Anthropic não está colocando todos os ovos na cesta da Samsung. A empresa teria estado em discussões com a Microsoft sobre chips Maia e manteve conversas com a startup britânica Fractile sobre chips de inferência.

O padrão é deliberado e revela uma lógica de portfólio: múltiplos fornecedores, múltiplas apostas, nenhuma dependência exclusiva. A Anthropic está construindo o mesmo tipo de diversificação de infraestrutura que Google e Amazon levaram anos para montar, mas com capital e velocidade de decisão que essas empresas não tinham quando iniciaram o processo.

O que está em jogo para o mercado de chips

Para investidores do setor de chips, a principal questão prospectiva é se a Samsung conseguirá converter essas conversas iniciais em contratos de produção. Qualquer acordo de fundição confirmado com a Anthropic seria um fator materialmente positivo para as perspectivas de receita de fundição da Samsung e aumentaria a concorrência com o quase monopólio da TSMC na fabricação de chips de IA de ponta. Por outro lado, se os rendimentos do processo de 2nm da Samsung decepcionarem, como ocorreu em alguns nós anteriores, a vantagem competitiva da TSMC se ampliará ainda mais.

A Nvidia, apesar da pressão competitiva, não perdeu terreno. As próprias estimativas do The Information colocam a participação de mercado da empresa em chips de IA em 74%, nível superior ao registrado antes do início da corrida armamentista em chips de inferência. Cada novo laboratório que anuncia chip próprio gera manchete sobre o fim da dependência da Nvidia. Os números de mercado, até agora, contam uma história diferente.

O que isso significa para líderes que tomam decisões sobre IA

A corrida por silício próprio entre os maiores laboratórios de IA não é apenas uma disputa de infraestrutura tecnológica. É uma disputa por margem, por autonomia de roadmap e por controle sobre os custos que mais crescem nas operações de IA em escala.

Quem constrói e opera infraestrutura de IA de forma mais barata retém mais receita. Chips personalizados são o caminho para chegar lá. A Anthropic com quase US$ 1 trilhão de valuation, receita anualizada crescendo em ritmo sem precedente e um IPO projetado para outubro de 2026 está tomando a decisão que qualquer empresa nessa posição tomaria: parar de pagar a margem do fornecedor quando o volume justifica construir o próprio.

Entender a lógica por trás dessas decisões de infraestrutura é parte do repertório que líderes empresariais precisam desenvolver para navegar um ambiente onde as vantagens competitivas em IA estão se deslocando cada vez mais para as camadas mais profundas da pilha tecnológica. O AI Journey da StartSe foi desenvolvido para líderes que precisam ler esses movimentos com clareza estratégica, não apenas acompanhar as manchetes.

O que vem a seguir

A Anthropic ainda não decidiu o que o chip vai fazer, quão poderoso será ou como se encaixará nos servidores. Essa é a definição honesta de estágio inicial. Mas os laboratórios de IA que chegaram mais longe no desenvolvimento de silício próprio também começaram com conversas e contratações, não com especificações prontas.

O próximo sinal a observar é simples: um contrato formal de fabricação com a Samsung. Esse é o momento em que a exploração estratégica vira compromisso financeiro, e o mercado vai precificar a diferença.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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