A Even Realities acabou de captar US$ 150 milhões e atingiu US$ 1 bilhão de valuation. O que o caso revela sobre a corrida por wearables com IA e por que esse mercado está esquentando de todos os lados ao mesmo tempo.
Even Realities acabou de captar US$ 150 milhões
, Editor
11 min
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6 jul 2026
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Atualizado: 6 jul 2026
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Uma fabricante chinesa de óculos inteligentes fundada por um ex-funcionário da Apple virou unicórnio nesta segunda-feira, 6 de julho de 2026, ao levantar US$ 150 milhões em uma rodada de investimento que a avaliou em US$ 1 bilhão. A Even Realities, com sede em Shenzhen, teve a captação liderada pela Meituan e pela Tencent, e agora mira o mercado de dispositivos vestíveis com inteligência artificial dominado pela Meta.
A empresa foi criada em 2023 por Will Wang, que trabalhou na Apple entre 2016 e 2018 e participou do desenvolvimento e da produção em massa do Apple Watch e do iPhone. Três anos de existência, US$ 1 bilhão de valuation e dois dos maiores conglomerados tecnológicos da China como investidores. O ritmo é o de uma empresa que encontrou um mercado com apetite real, num momento em que praticamente todas as grandes empresas de tecnologia do mundo estão tentando chegar ao mesmo lugar ao mesmo tempo.
O produto que diferencia a Even Realities da líder de mercado
A estratégia da Even Realities não é copiar o que a Meta faz. É chegar onde a Meta ainda não chegou. Lançados no fim do ano passado, os óculos G2 trazem um visor maior em uma armação mais leve, acompanhados do Even R1, um anel inteligente que controla a exibição das informações. As armações custam US$ 599 antes de impostos, e as lentes de grau ou o anel acrescentam de US$ 200 a US$ 300, elevando o pedido médio a cerca de US$ 1.000. O visor embutido é o elemento que distingue o produto.
O Meta Ray-Ban, principal referência do mercado, não tem tela. Oferece câmera, microfone, alto-falante e integração com IA, mas o usuário precisa do celular para ver qualquer informação visual. A Even Realities aposta que o próximo passo do consumidor é exatamente esse: ter acesso a dados visuais sem tirar o telefone do bolso. O anel como controlador é a interface que elimina o gesto de levar a mão ao rosto.
A corrida que está acontecendo em todos os lados ao mesmo tempo
A Even Realities não está sozinha nessa aposta. O mercado de óculos inteligentes com IA está sendo atacado simultaneamente por empresas de perfis radicalmente diferentes, o que é um sinal claro de que a categoria saiu da fase experimental. A Apple está acelerando o trabalho nos óculos, um rival dos populares Ray-Bans da Meta, em uma tentativa de cumprir o objetivo de lançá-los até o final de 2026.
Os óculos inteligentes da Apple estão planejados para ser posicionados como uma oferta avançada, incluindo uma câmera de alta resolução capaz de capturar fotos e vídeos. A empresa tem como meta iniciar a produção em dezembro, antes do lançamento público em 2027. O Google também está no jogo. A recém-anunciada colaboração do Google com a Warby Parker para óculos com IA coloca mais um gigante na disputa, desta vez com uma marca de armações que já tem presença de varejo estabelecida e público fiel.
A Meta, por sua vez, não está parada. A empresa que criou o mercado com o Ray-Ban está desenvolvendo o Orion, um modelo com realidade aumentada que já foi demonstrado em protótipo, embora o custo de produção atual, estimado em cerca de US$ 10 mil por unidade, ainda impeça um lançamento comercial em escala. ## Por que esse mercado está atraindo tanto capital agora A resposta curta é que o hardware de IA precisa de um corpo. E o rosto é o lugar mais óbvio para ele.
O smartphone foi o dispositivo que colocou um computador no bolso de bilhões de pessoas. O próximo passo lógico é um dispositivo que coloca esse computador no campo de visão, sem exigir que o usuário olhe para uma tela separada. Óculos resolvem esse problema de uma forma que relógios e pulseiras não conseguem: ficam na linha de visão e permitem que a IA "veja" o mesmo que o usuário está vendo, o que abre possibilidades de assistência contextual que os outros formatos não oferecem.
Buscando se aproximar dos concorrentes na corrida pela inteligência artificial, a Apple decidiu acelerar o desenvolvimento de três novos dispositivos wearables alimentados por IA: óculos inteligentes, um pingente vestível e AirPods com recursos expandidos. Todos os dispositivos estão sendo desenvolvidos com base na Siri e devem funcionar integrados ao iPhone.
O mercado está sendo construído de cima para baixo e de baixo para cima ao mesmo tempo. Apple e Google entram pelo topo, com produtos premium e ecossistemas fechados. Even Realities e outros players chineses entram com velocidade de execução, custo de produção mais baixo e disposição para iterar rapidamente.
A Meta, que chegou primeiro, está tentando manter a liderança enquanto os dois flancos se fecham.
O que o caso Even Realities revela para líderes empresariais
Will Wang passou dois anos na Apple, aprendeu como se constrói hardware de consumo em escala, saiu e fundou uma empresa que em três anos vale US$ 1 bilhão. A trajetória não é exceção no setor de tecnologia, mas tem elementos que merecem atenção de quem acompanha o mercado de IA aplicada a produto.
O primeiro é a velocidade de validação. Segundo a companhia, os recursos captados serão usados para desenvolver a próxima geração de óculos, aprofundar a integração com IA e acelerar a expansão global. A empresa não captou para provar o conceito. Captou para escalar um produto que o mercado já validou com pedido médio de US$ 1.000, num segmento onde a maioria das startups ainda está no estágio de protótipo. O segundo é a escolha do campo de batalha.
A Even Realities não tentou criar uma categoria nova. Entrou numa categoria que a Meta já validou, com uma diferenciação específica e defensável, o visor embutido, e com capacidade de fabricação que a localização em Shenzhen naturalmente oferece. O terceiro é o timing. Entrar no mercado de wearables com IA em 2023, quando a categoria ainda estava sendo definida pelo Meta Ray-Ban, foi uma aposta que hoje parece óbvia porque deu certo.
Na época, era uma decisão de alto risco num mercado sem histórico de sucesso consistente.
Para líderes que tomam decisões sobre onde investir, o que construir e como posicionar suas organizações num ambiente de transformação tecnológica acelerada, o caso Even Realities é um estudo de como identificar um mercado em formação antes que ele se torne óbvio para todo o mundo. O AI First da StartSe StartSe desenvolve exatamente essa capacidade: ler os movimentos do mercado de IA com antecedência suficiente para tomar decisões antes que a janela de oportunidade se feche.
O que vem a seguir nessa corrida
O mercado de óculos inteligentes com IA está no mesmo ponto em que o mercado de smartphones estava em 2007: a categoria existe, o produto pioneiro está validado, mas a maioria das pessoas ainda não tem um. A disputa agora é por quem vai definir o padrão que vai de nicho para mainstream. A Meta tem a escala e a distribuição. A Apple tem a marca e o ecossistema. O Google tem a plataforma e os dados.
A Even Realities tem a velocidade e o foco. Nenhum desses ativos garante a vitória. Todos são necessários. O que está claro é que o próximo dispositivo de computação pessoal já está sendo construído. E quem vai vencê-lo ainda não está definido.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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