O paradoxo que toda liderança de RH deve enfrentar: trabalhador existe, talento qualificado nem tanto.
Vagas abertas, perfis que não casam: é preciso aprender a lidar com essa quebra de expectativas.
, redator(a) da StartSe
4 min
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20 jan 2026
•
Atualizado: 20 jan 2026
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Enquanto o país celebra desemprego em queda e recorde de ocupação, setores produtivos enfrentam um fenômeno quase kafkiano: vagas abertas que não são preenchidas… e empresas batendo cabeça para contratar.
É nesse contraste que o mercado de trabalho brasileiro de 2025 se revela tão estranho quanto desafiador.
Os números oficiais mostram que o desemprego recuou a níveis próximos de recorde histórico, com o país crescendo e a economia absorvendo mais pessoas. E ainda assim, em estabelecimentos do varejo, construção e indústria, uma frase se repete: “Não consigo contratar ninguém.”
Esse paradoxo não nasce de um único motivo, mas da combinação de fatores que moldam a oferta de trabalho no Brasil.
A demografia está mudando: há menos jovens entrando no mercado, o que afeta diretamente setores que dependem desses trabalhadores, e isso cria uma escassez estrutural que políticas de curto prazo não resolvem.
Outro ponto crítico é a alta rotatividade.
Mesmo com desemprego baixo, as pessoas estão mudando de emprego com mais frequência, o que aumenta o custo de reposição e desorganiza a capacidade das empresas de manter equipes estáveis.
E se isso tudo já é complexo, o caldo fica ainda mais concentrado quando olhamos para as horas trabalhadas: o Brasil trabalha menos horas do que seria esperado para um país em desenvolvimento, reduzindo o pool de tempo produtivo disponível no mercado, segundo pesquisa do economista Daniel Duque, do FGV IBRE.
Números da OIT, Organização Internacional do Trabalho, apontam que o brasileiro trabalha, em média, 37,3 horas por semana. Como comparação, países também em desenvolvimento como México, India, China, África do Sul e Rússia estão acima desta carga semanal, com 42,1, 45,8, 44,8, 42,2 e 38,2, respectivamente.
A sensação de falta de mão de obra, portanto, é real.
Mas ela está enraizada em mudanças profundas na oferta de trabalho, nas expectativas profissionais e nas estruturas de emprego no Brasil.
Não se trata apenas de desemprego ou de vagas abertas: é sobre qualificação, demografia, desejo de trabalho e modelo de emprego que ainda não foi atualizado à nova realidade econômica.
O Brasil não tem “falta de gente”. Tem falta de correspondência entre vagas e talentos disponíveis.
Isso é um problema real. E também um sinal claro de que o mercado de trabalho precisa evoluir rápido para não travar o próprio crescimento.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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