Enquanto a IA redefine profissões, processos seletivos continuam premiando experiência acumulada — não capacidade de adaptação
Segundo a McKinsey, empresas que priorizam learning agility — capacidade de aprender rapidamente e se adaptar — têm até 30% mais chances de crescimento em ambientes de disrupção.
, redator(a) da StartSe
6 min
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11 fev 2026
•
Atualizado: 11 fev 2026
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Existe um erro silencioso acontecendo dentro de milhares de empresas.
Ele não está no marketing. Não está na tecnologia. Nem na estratégia.
Ele está no RH.
Enquanto o mercado se transforma em ritmo exponencial, muitos processos seletivos continuam presos a um modelo linear de passado:
“5 anos de experiência em X.”
“Domínio avançado de Y.”
“Vivência comprovada em Z.”
O problema?
X pode desaparecer.
Y pode ser automatizado.
Z pode deixar de existir.
E quando isso acontece, você não contratou talento.
Você contratou obsolescência.
A Inteligência Artificial já automatiza tarefas técnicas, analíticas e operacionais em velocidade crescente. Modelos generativos escrevem código, produzem relatórios, analisam dados e executam fluxos inteiros de trabalho.
Mas o processo seletivo ainda pergunta:
“Quantos anos você faz isso?”
A pergunta certa seria:
“Quão rápido você aprende algo novo?”
Segundo a McKinsey, empresas que priorizam learning agility, a capacidade de aprender rapidamente e se adaptar, têm até 30% mais chances de crescimento em ambientes de disrupção.
Ainda assim, a maior parte das organizações segue valorizando conhecimento acumulado acima da capacidade de reaprendizagem.
É como premiar quem memorizou o manual, não quem sabe escrever um novo.
Experiência sempre foi sinônimo de segurança. Mas, num ambiente exponencial, experiência pode virar viés.
Profissionais altamente experientes tendem a replicar modelos que funcionaram antes. O problema é que o “antes” está cada vez mais distante do “agora”.
A empresa que exige “experiência comprovada no modelo atual” está reforçando o próprio atraso estrutural.
É confortável contratar alguém que já sabe fazer exatamente o que você faz hoje.
É estratégico contratar alguém capaz de fazer o que você ainda não sabe que precisará fazer amanhã.
Aqui está o ponto brutal:
Muitos times de RH estão, sem perceber, sabotando o futuro das próprias organizações.
Não por incompetência. Mas por apego a critérios que funcionaram durante décadas.
O currículo tradicional mede passado. O mercado atual exige futuro.
E o futuro não aparece em bullet points.
Se as profissões estão se transformando, e muitas sequer existem ainda, então o que deveria ser avaliado?
O profissional do futuro não é o que domina um software específico. É o que aprende qualquer software em semanas.
Não é o que executa tarefas com precisão. É o que redesenha a tarefa.
Essa é a pergunta central.
Se o cargo será diferente em três anos, talvez você não deva contratar pelo cargo.
Talvez deva contratar por capacidades.
Empresas mais avançadas já fazem isso:
Contratar deixa de ser preencher uma lacuna operacional. Passa a ser construir flexibilidade estratégica.
O RH não muda sozinho.
Se a liderança continuar pedindo “alguém igual ao que saiu”, o futuro continuará sendo adiado.
A transformação exige que CEOs e diretores entendam algo simples:
A vantagem competitiva não está no que seus funcionários sabem hoje. Está no quão rápido eles conseguem evoluir amanhã.
Seu RH está contratando para manter o presente… ou para construir o futuro?
Porque, se você está medindo talento com régua do passado, pode estar formando um time altamente qualificado para um mercado que já não existe.
E essa é a forma mais sofisticada de sabotagem organizacional: parecer moderno enquanto recruta obsolescência.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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