Se o líder resolve tudo, a estrutura falhou. Organizações maduras distribuem responsabilidade. Organizações frágeis concentram ansiedade.
Ora, quem diria? Para liderar pessoas, nunca foi tão necessário entender de... pessoas.
, redator(a) da StartSe
5 min
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23 fev 2026
•
Atualizado: 23 fev 2026
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Durante décadas, dizia-se que bons líderes precisavam entender pessoas.
Hoje, em muitas organizações, eles precisam quase administrar emocionalmente as pessoas.
A questão não é empatia. É proporção.
Se 70%, 80% ou 90% do tempo gerencial está sendo consumido por mediação emocional, algo estrutural mudou, e não necessariamente para melhor.
Segundo o Gallup State of the Global Workplace 2023, 44% dos trabalhadores globais relatam sentir estresse diário — o maior índice já registrado.
Ao mesmo tempo, apenas 23% estão verdadeiramente engajados no trabalho.
Isso significa que líderes estão operando em um ambiente de:
Não é surpresa que o gestor tenha virado amortecedor psicológico.
No Brasil, a NR-1 passou a exigir que riscos psicossociais sejam incluídos no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Estresse, assédio, sobrecarga e clima organizacional deixam de ser apenas temas culturais e passam a ser variáveis regulatórias.
Isso amplia a responsabilidade da empresa — e do líder.
Mas aqui está o ponto crítico: responsabilidade institucional não significa terceirização total da maturidade individual.
Quando o líder se torna mediador emocional constante:
E organizações não quebram por falta de acolhimento. Quebram por falta de execução.
Mas que tempo sobra para executar?
A Gallup também mostra que gestores estão entre os grupos mais afetados por estresse e esgotamento.
Líderes pressionados por resultado + clima + retenção + segurança psicológica operam sob carga emocional contínua.
E líderes emocionalmente sobrecarregados evitam conflito, reduzem franqueza, tomam decisões mais conservadoras.
Isso é risco estratégico.
O conceito de segurança psicológica é fundamental. Mas ele não elimina fricção produtiva.
Conflito técnico é motor de inovação. Divergência estruturada é combustível estratégico.
Quando toda tensão é neutralizada em nome do conforto, surge mediocridade.
E se toda tensão converge para o gestor, o problema não é comportamental, mas sistêmico.
Alguns sinais de estrutura frágil:
Quanto menor a clareza, maior a dependência emocional do líder.
Quanto tempo do nosso time executivo está sendo consumido por gestão emocional?
E mais importante:
Quanto disso é inevitável e quanto é sintoma de falha estrutural?
Empatia é competência essencial. Mas liderança não pode virar contenção emocional em tempo integral.
Porque, quando isso acontece, alguém deixa de executar a estratégia.
E estratégia órfã não gera valor.
Será a que souber:
Porque cuidar de pessoas é parte da liderança. Mas carregar emocionalmente a organização inteira não é.
O desafio não é reduzir empatia, ninguém quer empresas que não se importem com as pessoas. É recuperar maturidade organizacional.
Porque, no fim, cultura importa. Mas é a execução que decide. E para executar, precisamos de líderes além de talentosos, saudáveis psicologicamente.
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Bruno Lois
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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