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Pinterest corta cargos e redesenha o negócio em torno da IA

A empresa troca escala humana por inteligência algorítmica para disputar o futuro do comércio, da busca e da publicidade digital.

Pinterest corta cargos e redesenha o negócio em torno da IA

(Photo by Souvik Banerjee on Unsplash)

, redator(a) da StartSe

5 min

29 jan 2026

Atualizado: 29 jan 2026

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Quando uma empresa anuncia demissões, a leitura automática costuma ser crise. No caso do Pinterest, o sinal é outro: mudança estrutural de modelo.

A plataforma decidiu reduzir cerca de 15% do seu quadro global — aproximadamente 700 pessoas — como parte de um redesenho profundo da operação. O objetivo não é apenas enxugar custos, mas liberar capital, espaço e foco para acelerar sua transformação em uma empresa orientada por inteligência artificial.

Menos escritórios. Menos times generalistas. Mais tecnologia operando no centro da estratégia.

IA deixou de ser recurso. Virou o produto.

O Pinterest já vinha usando IA para personalizar feeds e refinar recomendações. Agora, o movimento é mais ambicioso: transformar a plataforma em um assistente de compras visual alimentado por algoritmos, capaz de entender intenção, contexto e desejo — não apenas palavras-chave.

Segundo Bill Ready, CEO da empresa, os investimentos em IA já reposicionaram o Pinterest como líder em busca visual, um território estratégico na disputa contra Google, TikTok e Instagram. Na prática, o Pinterest quer ser o lugar onde a jornada de compra começa — e, cada vez mais, onde ela termina.

Não é coincidência que a reestruturação também envolva automação de publicidade. Quanto mais a IA assume a mediação entre marcas e consumidores, menos dependente a empresa fica de grandes equipes comerciais e mais escalável se torna o modelo.

Os números explicam a decisão

O desempenho financeiro ajuda a entender por que o Pinterest escolheu acelerar — e não frear.

No último trimestre, a empresa registrou US$ 855 milhões em receita, crescimento de 16% em relação ao ano anterior, e ampliou sua base para 570 milhões de usuários ativos mensais. O crescimento existe. Mas o mercado exige mais: margem, eficiência e defensabilidade estratégica.

A conta é simples: IA permite crescer sem crescer o time na mesma proporção.

O padrão que está se formando

O Pinterest não está sozinho. Em 2025, consultorias como McKinsey e Accenture também reduziram milhares de postos enquanto aumentavam investimentos em inteligência artificial.

O padrão se repete em setores distintos:

  • menos pessoas em tarefas repetitivas,
  • mais sistemas tomando decisões,
  • e times menores, altamente especializados, desenhando, treinando e governando essas máquinas.

Não é uma troca imediata de humanos por robôs. É a substituição de estruturas inteiras por software inteligente.

O que esse movimento realmente revela

O caso do Pinterest escancara uma verdade desconfortável para empresas de tecnologia e para qualquer negócio digital:

IA não é um projeto paralelo. É um novo centro de gravidade.

Empresas que tentam “adicionar IA” sem rever estrutura, cultura e modelo operacional acabam pagando duas vezes: mantêm o custo antigo e não capturam o valor do novo.

O Pinterest escolheu o caminho mais difícil e mais coerente: mudar agora para competir amanhã.

O futuro da plataforma não será definido pelo número de funcionários, mas pela capacidade de seus algoritmos entenderem o que as pessoas querem antes mesmo de elas saberem.

E esse jogo, definitivamente, já começou.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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