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O Paradoxo do Petróleo: por que o Brasil ganha e a Petrobras sofre, ao mesmo tempo?

O conflito no Oriente Médio fechou o Estreito de Ormuz, jogou o Brent perto dos US$ 100 e colocou o Brasil no centro do tabuleiro global do petróleo, mas nem todo mundo vai sair ganhando dessa história.

O Paradoxo do Petróleo: por que o Brasil ganha e a Petrobras sofre, ao mesmo tempo?

Petrobras (Divulgação)

Bruno Lois

, redator(a) da StartSe

9 min

13 mar 2026

Atualizado: 13 mar 2026

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Tem algo contraintuitivo acontecendo no mercado de energia global. O preço do petróleo dispara, o Brasil emerge como um dos poucos produtores estáveis do planeta, investidores olham para o pré-sal com outros olhos — e, mesmo assim, a maior empresa de petróleo do país vive um dos seus momentos de maior pressão. 

Esse é o paradoxo que o conflito no Oriente Médio colocou na mesa.

Desde que o Estreito de Ormuz foi fechado, em 28 de fevereiro, o mercado global de energia entrou em colapso controlado. O estreito responde pelo fluxo de cerca de 20 milhões de barris por dia — sendo aproximadamente 15 milhões de petróleo cru e outros 5 milhões em produtos refinados. Com a navegação severamente restrita, analistas da Rystad Energy estimam que cerca de 5 milhões de barris por dia já estão fora do mercado nos países do Golfo Pérsico, simplesmente porque não há como escoar nem onde armazenar.

O resultado? O índice OVX, que mede a volatilidade esperada dos preços do petróleo nos próximos 30 dias, ultrapassou 100% — um nível comparável ao início da guerra na Ucrânia e ao pior momento da pandemia. O Brent chegou a ser negociado perto dos US$ 99 nesta quinta-feira (12), alta de 7,6% em um único dia.

A Rystad trabalha com dois cenários opostos: se o conflito durar alguns meses, o barril pode superar US$ 100 e chegar a US$ 135. Se a guerra for curta e o mercado retornar ao excesso de oferta estrutural que existia antes, o preço médio ficaria em torno de US$ 60. A distância entre esses dois mundos resume a incerteza que paralisa decisões de investimento em todo o planeta.

O Brasil como porto seguro — com ressalvas

Nesse cenário de caos, o Brasil aparece como um dos poucos endereços confiáveis para quem quer produção de petróleo sem risco geopolítico imediato. O país já vinha se posicionando como um dos principais responsáveis pelo crescimento da oferta global fora da OPEP, e o contexto atual reforça essa percepção. Segundo a Rystad, as empresas brasileiras já vinham se beneficiando de margens maiores desde o início do ano, com aumentos de preços que contribuem diretamente para a rentabilidade do setor.

Mas há um detalhe importante: no curto prazo, a flexibilidade para aumentar produção é praticamente inexistente. O pré-sal não funciona como uma torneira que se abre de um dia para o outro. O que muda é a percepção de longo prazo: o Brasil vira um destino mais atraente para investimento em produção estável e confiável.

O Citi aponta a PRIO como a empresa mais bem posicionada para capturar o momento, enquanto PetroRecôncavo e Brava Energia devem sentir o impacto de forma mais limitada por conta de suas operações de hedge de curto e médio prazo.

A Petrobras no olho do furacão

Aqui é onde o paradoxo se aprofunda. A Petrobras, que teoricamente deveria ser a grande beneficiária da alta do petróleo, vive uma equação muito mais complicada. O problema central é a política de preços dos combustíveis no mercado doméstico.

Com preços internos abaixo da referência internacional, as importações de diesel — das quais o Brasil depende para cerca de 25% do seu consumo — deixam de ser economicamente viáveis. O resultado esperado pelos analistas do Citi é uma queda acentuada nas importações, com os volumes se concentrando no fornecimento russo, que opera com descontos relevantes.

O problema: a capacidade de refino doméstica do Brasil já está abaixo da demanda. Se as importações caem e o refino interno não consegue suprir a diferença, o risco de desabastecimento de diesel nos próximos dias é real. Para o Citi, a pressão sobre a Petrobras para agir sobre esse tema é crescente.

E tem mais: o diesel é o combustível do frete. Se o preço sobe, o custo do transporte sobe junto — e num país em que o modal rodoviário é dominante, esse efeito cascata chega rapidamente a prateleiras, à inflação e ao bolso do consumidor final.

A AIE entra em campo

Na quarta-feira (11), os 32 países membros da Agência Internacional de Energia decidiram, por unanimidade, liberar 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas de emergência ao mercado. O diretor executivo Fatih Birol classificou o momento como um desafio de escala sem precedentes para a segurança energética global.

Mas os efeitos ainda são incertos. Se a liberação for distribuída ao longo de três meses, representaria cerca de 4,4 milhões de barris por dia de oferta adicional — volume relevante, mas insuficiente caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por um período prolongado. Parte do efeito já pode estar precificado desde segunda-feira, quando os rumores sobre a medida ajudaram a sustentar uma queda nos contratos futuros de Brent para próximo de US$ 90.

O que tudo isso significa para quem lidera empresas

Esse cenário vai muito além do setor de energia. Ele reconfigura cadeias de suprimento, pressiona margens logísticas, muda o custo de capital de projetos que dependem de diesel e cria oportunidades — e armadilhas — para quem souber ler o momento com clareza.

Empresas que dependem de frete, insumos importados ou que operam em setores energo-intensivos precisam, agora mais do que nunca, de conselhos que entendam de geopolítica, de mercados globais e de como transformar volatilidade em vantagem competitiva.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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