O desafio central é: quem conduz quem?
Um depende do outro para vencer
, redator(a) da StartSe
4 min
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19 jan 2026
•
Atualizado: 19 jan 2026
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A relação entre pessoas e tecnologia deixou de ser instrumental. Ela passou a ser estrutural. Não usamos mais máquinas apenas para executar tarefas, elas reorganizam como pensamos, decidimos, trabalhamos e exercemos poder.
Em 2026, essa relação não será mais de apoio. Um depende do outro, mas em que nível e quem comanda quem?
Hoje, sistemas inteligentes ampliam nossa capacidade de agir, mas também redefinem nossa autonomia. Produzimos mais, mais rápido e com menos esforço aparente.
O custo invisível disso é sutil: delegamos raciocínio, terceirizamos escolhas e começamos a aceitar respostas sem compreender os processos que as geraram. A eficiência cresce. A consciência, nem sempre.
A pergunta central não é quem controla a tecnologia. É até onde ainda exercemos controle real sobre nossas decisões. Algoritmos não gritam, não se impõem pela força. Eles influenciam silenciosamente comportamentos, prioridades e desejos. Moldam trajetórias sem pedir permissão — e muitas vezes sem serem percebidos.
Não estamos diante de uma escolha binária entre humano e máquina.
Esse dilema é raso.
O desafio real é estabelecer limites claros para essa convivência: como integrar sistemas inteligentes sem reduzir pessoas a operadores passivos de decisões automatizadas?
Como garantir que a tecnologia amplifique capacidades humanas sem substituí-las por completo?
Nesse cenário, habilidades técnicas se tornam rapidamente descartáveis e isso deve ser um ponto de alerta geral na liderança: principalmente na que contrata. RH's precisam estar atentos a este ponto na hora de estabelecer perfis de candidatos.
O diferencial passa a ser outro: pensamento crítico, capacidade de questionar respostas prontas, sensibilidade ética e discernimento. Em um mundo onde máquinas oferecem soluções instantâneas, pensar bem se torna um ato de resistência.
O futuro do trabalho não será definido apenas por automação, mas por convivência constante com extensões artificiais da mente humana. Isso exigirá flexibilidade, maturidade emocional e senso de justiça. A tecnologia pode gerar ambientes mais produtivos — ou sistemas mais exaustivos e alienantes. O resultado não está no código. Está nas escolhas humanas.
A interdependência entre humanos e máquinas já está em curso.
Ela pode nos empurrar para uma sociedade mais superficial, guiada por decisões opacas. Ou pode nos levar a um modelo em que a tecnologia serve à consciência, e não o contrário.
A tecnologia continuará avançando. A verdadeira incógnita é outra: teremos coragem intelectual e ética para evoluir junto com ela, sem abrir mão daquilo que nos torna humanos?
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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