O que a Zee.Dog espera após reduzir semana de trabalho para quatro dias

João Ortega

Por João Ortega

6 de março de 2020 às 15:21 - Atualizado há 3 meses

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A Zee.Dog, startup de produtos para animais de estimação, adotou nesta semana uma semana de trabalho mais curta, com apenas quatro dias de duração. Funcionários dos escritórios da empresa em Shenzhen (China), Madri (Espanha), Rio de Janeiro e São Paulo não terão expediente às quartas-feiras. A iniciativa visa aumentar a produtividade e melhorar a saúde mental dos colaboradores.

“A ideia é incentivar que as pessoas usem as quartas-feiras para recarregar as baterias, passar tempo com a família, resolver coisas pessoais: é quase um jeito de forçar, no bom sentido, uma produtividade maior nos outros dias, para que o work-life balance seja melhorado”, diz Felipe Diz, CEO da Zee.Dog, em entrevista à Forbes. A startup afirma ser a primeira organização do Brasil a formalizar a semana mais curta de trabalho.

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No entanto, globalmente, este não é o primeiro experimento do tipo. A Microsoft, por exemplo, é um caso de grande empresa que realizou um teste controlado em um de seus escritórios no mundo – e obteve resultados interessantes no período. Por outro lado, há casos de experiências pouco proveitosas de semanas mais curtas de trabalho. Veja, a seguir, alguns dos cases neste sentido e entenda o que a Zee.Dog pode esperar da novidade.

Perpetual Garden

A neozelandesa Perpetual Garden realizou, em 2018, um estudo com semana de trabalho reduzida que se tornou referência global. Durante março e abril daquele ano, a empresa do mercado jurídico testou uma semana com 32 horas no escritório, na qual o funcionário é quem decidia como distribuir o tempo ao longo dos cinco dias úteis.

O experimento foi conduzido em conjunto com a Universidade de Auckland, que ajudou a desenvolver o projeto e contabilizar os resultados. A instituição constatou que houve uma melhora de 24% no parâmetro que chamaram de “equilíbrio entre vida pessoal e trabalho”. “Os supervisores disseram que a equipe estava mais criativa, a frequência foi melhor, eles chegavam no horário e não saíam cedo nem faziam longas pausas”, disse o professor responsável pelo estudo.

Por conta da ratificação do experimento por uma universidade renomada, o case da Perpetual Garden foi usado como base para outras empresas que adotaram iniciativas semelhante no mundo inteiro. Andrew Barnes, CEO da firma neozelandesa, criou uma ONG chamada 4 Day Week para promover a redução da jornada de trabalho globalmente.

Microsoft

Em agosto de 2019, a Microsoft testou a redução da semana de trabalho em seu escritório no Japão. A empresa de tecnologia deu folga para todos os 2280 funcionários às sextas-feiras naquele mês.

O resultado mais relevante obtido pela companhia foi um aumento médio de 40% em produtividade, comparado ao mesmo período do ano anterior. A métrica usada foi volume de vendas por colaborador.

Durante o período, foram incentivadas condutas que promovessem maior produtividade no ambiente de trabalho. Por exemplo, foi definido que reuniões deveriam durar, no máximo, trinta minutos e os funcionários deveriam passar menos tempo respondendo a e-mails. Foi encorajado que a comunicação fosse concentrada no serviço de mensagens instantâneas corporativas da Microsoft.

Além do resultado de produtividade, a empresa verificou uma redução de custos relevante com gastos operacionais. A conta de eletricidade, por exemplo, foi um dos fatores que mais contribuiu para a diminuição de custos.

Agência Versa

A agência australiana de marketing digital Versa é outro exemplo de sucesso em relação a diminuir a jornada de trabalho dos colaboradores. Assim como a Zee.Dog, esta empresa escolheu a quarta-feira para dar folga aos funcionários.

A medida foi adotada em julho de 2018. Os resultados foram coletados pela liderança da Versa ao longo de um ano e divulgados em julho de 2019. A empresa constatou um aumento de 46% na receita e de 200% no lucro. Kath Blackham, CEO da Versa, não credita o aumento apenas à diminuição da carga de trabalho, mas afirma que a produtividade e a satisfação em geral dos colaboradores melhoraram “sem sombra de dúvidas”.

A escolha pela quarta-feira se deu para que os funcionários tenham duas vezes por semana dias em que chegam para trabalhar “revigorados”, ao invés de um fim de semana mais longo. “O que eu quis provar é que mesmo na indústria mais improvável – conhecida por jovens trabalhando longas horas todos os dias – é possível inovar”, diz Blackham.

Treehouse

Nem toda experiência de redução da jornada de trabalho no mundo, no entanto, teve sucesso. Embora seja uma tendência em empresas inovadoras, a Zee.Dog precisa estar atenta aos casos em que a prática não funcionou – como é o exemplo da Treehouse.

Esta plataforma digital de cursos dos EUA estabeleceu desde a fundação, em 2011, que os funcionários deveriam trabalhar apenas quatro dias na semana. O objetivo, segundo o CEO e fundador Ryan Carson, era acabar com a cultura das empresas de tecnologia de “obsessão pelo trabalho”. A expectativa do executivo era que a prática aumentasse a produtividade dos colaboradores e atraísse bons talentos em processos seletivos.

A medida durou cinco anos, então não é possível dizer que foi um fracasso total. No entanto, em 2016, a Treehouse não tinha o desempenho esperado e tampouco apresentava lucro. Carson precisou demitir 22 funcionários – o que representava cerca de 20% da organização. E, depois das saídas, o CEO não acreditava ser possível manter a conduta de quatro dias de trabalho.

“Os funcionários entenderam que não podíamos demitir pessoas e depois dizer que não iríamos trabalhar às sextas-feiras”, explica. “Tínhamos esperança de que iria dar certo. Mas fomos ingênuos”.