Presidente da Microsoft: "reconhecimento facial poderá mudar nossas vidas"

Brad Smith teme que tecnologia pode nos aproximar de uma vigilância governamental e ressalta a necessidade de regulamentação

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O reconhecimento facial já está presente em nossas vidas de diferentes formas – desde nos filtros de fotos de aplicativos como Snapchat e Instagram ao desbloqueio do celular para quem possui o iPhone X. A tecnologia que parece inofensiva possui um grande potencial de mudança, de acordo com Brad Smith, presidente da Microsoft.

“Há um grande ‘mas’. Porque ela pode realmente mudar a maneira como vivemos no mundo. Ela pode potencialmente significar que toda vez que você entrar em uma loja, um varejista saberá quando você esteve ali pela última vez e o que comprou ou deixou de comprar”, disse no Web Summit, conferência de tecnologia em Lisboa, Portugal, segundo o Recode. “Mas acho que isso é francamente ofuscado em comparação com o que poderia fazer em relacionamentos entre indivíduos e governos”.

Um exemplo é o que já está acontecendo na China: o país está utilizando a tecnologia para metrificar o desempenho de alunos e a qualidade do ensino em escolas. Além disso, a polícia chinesa possui óculos de reconhecimento facial para avaliar passageiros suspeitos, comparando diretamente com informações de base de dados. Para o futuro, a expectativa é que o reconhecimento facial seja utilizado inclusive na realização de pagamentos.

“Pela primeira vez, o mundo está diante de uma tecnologia que pode dar ao governo a possibilidade de seguir qualquer pessoa, em qualquer lugar, e todo mundo, em todos os lugares. Ele poderá saber exatamente onde você está indo, por onde você esteve andando e onde esteve ontem. Isso possui profundas ramificações para os direitos civis em que sociedades democráticas estão apoiadas”, disse Smith na conferência. O presidente da Microsoft ainda fez uma comparação com o livro 1984, de George Orwell, que discute a vigilância secreta por parte de um governo totalitário.

Hoje, as mesmas empresas que constroem e utilizam esse tipo de tecnologia – como a Amazon, Apple, Facebook e a própria Microsoft – apontam a necessidade da criação de regulamentações para o reconhecimento facial. Hoje, a Amazon licencia o software Rekognition para governos e agências dos Estados Unidos, mesmo com alguns de seus colaboradores protestando contra a iniciativa.

Ao lado de Brad Smith no painel, o ex-primeiro ministro do Reino Unido, Tony Blair, afirmou que é necessário que as grandes empresas de tecnologia eduquem os “criadores de leis” sobre o potencial do reconhecimento facial. “Eu não acredito que os governos já estejam equipados para entender esses assuntos, mas acredito que eles precisam estar”, disse Blair. “O primeiro grupo de políticos que aproveitar a oportunidade para criar essa narrativa dominará o futuro da política”.

Créditos da foto: Rise

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