Cientista chinês que editou genes de bebês com CRISPR é preso

He Jiankui e dois cientistas que editaram genes de bebês com o objetivo de torná-los imunes ao HIV foram presos na China; experimento foi realizado sem comprovação de segurança e eficácia

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

6 de janeiro de 2020 às 16:18 - Atualizado há 2 meses

He Jiankui, cientista chinês que utilizou a tecnologia CRIPSR para editar genes de bebês, foi condenado na China no fim de dezembro. O cientista e dois de seus colegas foram sentenciados a três anos de cárcere por “prática médica ilegal”. Com o experimento, divulgado em 2018, Jiankui buscava tornar bebês imunes ao HIV após a remoção do gene CCR5, que viabiliza a infecção do vírus em outras células.

O cientista chinês também foi condenado ao pagamento de uma multa de R$ 1,7 milhão e proibido de trabalhar com medicina reprodutiva. Embora o experimento tenha tido dez autores, apenas a penalização de Jiankui, Zhang Renli e Quin Jinzhou foi divulgada.

A justiça chinesa afirmou que a segurança e eficácia da técnica de edição de genes não havia sido verificada antes de ser utilizada. Além disso, de acordo com o Engadget, os cientistas teriam convenientemente ocultado documentos para convencer as pacientes e obter a ajuda de médicos.

O time teria dito as pacientes que elas fariam parte de um experimento de vacina contra a AIDS e não de uma modificação genética. Os cientistas auxiliaram na reprodução de casais infectados com HIV e, após editarem os genes dos embriões, os implantaram em duas mulheres. Elas deram à luz a três bebês geneticamente modificados. Até o julgamento, a justiça tinha conhecimento de apenas um casal de gêmeos.

Ainda não há como mensurar as possíveis mudanças sofridas pelos bebês, que podem ter suas funções cognitivas alteradas. O gene vulnerável ao vírus HIV também pode atuar em funções cerebrais envolvendo a memória. Após a divulgação do experimento, a edição genética com CRISPR foi proibida na China.

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