Coronavírus na China cria a maior experiência de home-office da história

João Ortega

Por João Ortega

5 de fevereiro de 2020 às 17:27 - Atualizado há 10 meses

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O surto do coronavírus na China atingiu, nesta quarta-feira (5), a marca de 25 mil casos confirmados e 490 mortes. Visando diminuir as chances de contaminação, a recomendação das autoridades chinesas é para que a população evite aglomerações – o que inclui profissionais de empresas em escritórios fechados. Portanto, o cenário criou, de forma não intencional, o maior experimento de home office da história.

Ainda é cedo para avaliar os impactos desta experiência na sociedade e no mercado. Tampouco há dados que indiquem quantas pessoas estão de fato trabalhando de casa. A estimativa, no entanto, é que este número esteja na casa das centenas de milhões. Caso a epidemia continue a crescer no país, o home-office se tornará regra e todas as indústrias terão de se adaptar à tendência.

Home-office na teoria

Um estudo conduzido no Reino Unido com quase duas mil pessoas acostumadas a trabalhar em escritórios constatou que, dentro dessa amostra, apenas 2 horas e 23 minutos do dia, em média, eram produtivas. O restante do tempo era passado em redes sociais, sites de notícias, conversas com colegas ou outras atividades que podem ser consideradas “procrastinação”.

Por outro lado, uma pesquisa realizada na Universidade de Stanford com 16 mil participantes verificou que aqueles cujo trabalho é feito majoritariamente de casa apresentam performance 13% melhor. O aumento na produtividade se dá tanto em tempo trabalhado quanto em “quantidade de trabalho realizada por minuto”. Vale ressaltar que este estudo foi realizado com funcionários da empresa chinesa Ctrip.

Outros levantamentos interessantes relacionados ao home-office, reunidos neste portal, atestam que: 86% das pessoas preferem trabalhar sozinhas; quem trabalha de casa tem 52% menos chance de se ausentar de um dia de emprego; e que o trabalho remoto diminui na metade o número de atritos entre colegas.

Vale destacar que estudos controlados podem não representar o que acontece na prática – especialmente quando se trata de centenas de milhões de pessoas fazendo home-office.

Plataformas digitais

Nesta segunda-feira (3), que marcou o retorno da maioria das empresas ao trabalho após a pausa para o ano novo chinês, as duas principais plataformas corporativas da China saíram do ar devido à quantidade de acessos simultâneos. DingTalk e WeChat Work, respectivamente da Alibaba e da Tencent, só voltaram ao funcionamento normal no período da tarde. Ambas as empresas se posicionaram oficialmente sobre o caso em suas redes sociais.

Segundo informações do portal South China Morning Post, porém, estas não foram as únicas ferramentas de mensagens corporativas a enfrentarem problemas nesta semana. Usuários da WeLink, da Huawei, e Lark, da ByteDance, divulgaram nas redes sociais que as plataformas estariam com lentidão ou sem funcionamento algum.

A Alibaba divulgou um número recorde de acessos no DingTalk nesta segunda-feira: 200 milhões de usuários únicos usaram a plataforma. É como se a totalidade da população brasileira usasse um serviço digital ao mesmo tempo.

As empresas de tecnologia chinesa estão melhorando o suporte às plataformas corporativas e ampliando serviços para atender à crescente demanda. O WeChat Work, por exemplo, aumentou o limite e agora 300 pessoas podem participar de uma mesma videoconferência.

Sala de aula

A mesma recomendação para as empresas vale às escolas: estudantes devem ficar em casa. No entanto, isto não significa uma extensão das férias. Professores também estão recorrendo às plataformas digitais para passar conteúdo aos seus alunos.

O DingTalk, por exemplo, tem uma versão voltada à educação. Nesta ferramenta, professores podem dar aulas ao vivo por vídeo e também enviar arquivos com os conteúdos que seriam passados em sala. Segundo a imprensa local, 12 milhões de estudantes usaram a plataforma desde segunda-feira.

O Ministério da Educação da China fez um anúncio na última quinta-feira (30) encorajando as escolas a usarem ferramentas de ensino online. Além disso, o órgão afirmou que vai lançar, até o dia 17 deste mês, um portal educacional na nuvem com uma gama completa de materiais didáticos e cursos para alunos da primeira série do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio.