A Enter, startup paulistana de IA jurídica fundada em 2023, triplicou seu valuation em menos de um ano ao automatizar processos legais do início ao fim — e agora mira o domínio da América Latina.
Henrique Vaz, Mateus Costa-Ribeiro e Michael Mac-Vicar. Foto: Bloomberg
, Redator
5 min
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5 mai 2026
•
Atualizado: 5 mai 2026
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O Brasil é um dos países mais litigiosos do mundo. São milhões de ações trabalhistas e de consumo tramitando ao mesmo tempo — um pesadelo logístico para as empresas. Foi exatamente esse problema que os fundadores da Enter decidiram resolver quando criaram a startup em 2023. Dois anos depois, o mercado confirmou que a aposta valeu: a empresa acaba de entrar no seleto clube dos unicórnios brasileiros.
Em uma nova rodada de financiamento, a Enter triplicou seu valuation para US$ 1,2 bilhão, com um aporte de US$ 100 milhões liderado pelo Founders Fund, fundo de Peter Thiel. Sequoia Capital e Ribbit Capital também participaram — e não é a primeira vez: as duas já haviam co-liderado a rodada anterior da empresa.
A tecnologia que automatiza a Justiça
O diferencial da Enter está na profundidade da automação. A plataforma não apenas auxilia advogados — ela conduz o processo judicial de ponta a ponta, desde a elaboração da petição inicial até o cálculo do custo de um acordo judicial.
“Cada etapa que se pode imaginar em um processo judicial é primeiro tratada por um agente de IA antes da entrada de um humano.”
Mateus Costa-Ribeiro, CEO e cofundador da Enter, para a Bloomberg
A inteligência artificial da startup chega a investigar condições climáticas citadas em ações por voos cancelados, integrando múltiplas fontes de dados para construir argumentos jurídicos sólidos. Para clientes em setores altamente regulados — como o bancário — a empresa disponibiliza engenheiros dedicados que trabalham na integração com sistemas legados.
Os fundadores
Os três fundadores têm histórico em comum: todos passaram pela Wildlife Studios, uma das maiores desenvolvedoras de jogos móveis da América Latina. Costa-Ribeiro também é um dos mais jovens aprovados no exame da Ordem dos Advogados de Nova York.
Quem são os investidores
Founders Fund (Peter Thiel) — líder
Sequoia Capital
Ribbit Capital
Para Matias Van Thienen, sócio do Founders Fund, o investimento é uma aposta direta na vantagem competitiva da Enter em um ambiente altamente litigioso.
Clientes e modelo de negócio
A empresa já soma mais de 45 clientes em setores diversificados, com destaque para nomes globais.
O modelo de receita é híbrido: cerca de 30% da remuneração depende do sucesso nas ações jurídicas, enquanto o restante é pago antecipadamente pelo uso da tecnologia. A maioria dos casos é resolvida em dois a três meses — o que gera economia real e previsível para os clientes.
O mercado global de IA jurídica
Harvey (EUA)US$ 11 bilhões
Legora (Suécia)US$ 5,5 bilhões
Enter (Brasil) 🦄US$ 1,2 bilhão
A Enter integra uma nova geração de startups que aposta em IA especializada no setor jurídico — um mercado que atrai tanto fundos de venture capital quanto grandes players de tecnologia como a própria Anthropic, que vem expandindo sua atuação em serviços legais.
O que vem por aí
Com os US$ 100 milhões em caixa, a Enter planeja expandir operações para outras regiões (ainda não reveladas) e crescer o time de aproximadamente 100 para 150 funcionários. O objetivo declarado do CEO é transformar a empresa em uma "força monopolística" em IA jurídica na América Latina.
O que aprender com a Enter: o caminho para o primeiro bilhão passou por um problema real, ignorado, mas enorme — e pela coragem de usar tecnologia de ponta para resolvê-lo de forma sistêmica. O Brasil, com toda a sua complexidade jurídica, pode ser o maior laboratório de legaltech do mundo.
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