A escolha levanta uma pergunta incômoda: a Apple precisa de outro gestor meticuloso que garanta iPhones anuais previsíveis, ou de um visionário capaz de apostar alto na próxima revolução tecnológica?
Tim Cook (Foto: Apple)
, redator(a) da StartSe
11 min
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8 jan 2026
•
Atualizado: 8 jan 2026
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Tim Cook está cansado. Aos 65 anos, após 14 anos transformando a Apple em uma das empresas mais valiosas do mundo (avaliação atual: US$ 3,5 trilhões), o CEO disse a líderes seniores que quer reduzir sua carga de trabalho. E a Apple acelerou os preparativos para sua eventual saída.
O nome que emergiu como favorito para liderar a gigante de tecnologia? John Ternus, de 50 anos — chefe de engenharia de hardware, o homem que liderou a transição dos Macs para chips Apple Silicon e supervisiona a engenharia do iPhone, Mac, iPad e AirPods.
A escolha levanta uma pergunta incômoda: a Apple precisa de outro gestor meticuloso que garanta iPhones anuais previsíveis, ou de um visionário capaz de apostar alto na próxima revolução tecnológica?
Ternus tem credenciais impressionantes. Ingressou na Apple em 2001 e passou 24 anos construindo conhecimento institucional profundo. Ele tem a mesma idade que Cook tinha quando sucedeu Steve Jobs em 2011. Compartilha a atenção meticulosa aos detalhes de Cook e o profundo entendimento da cadeia de suprimentos global da Apple.
Suas conquistas incluem:
Mas aqui está o problema: dentro da Apple, Ternus é mais conhecido por manter produtos do que por desenvolver novos, segundo seis ex-funcionários ouvidos pelo New York Times.
Um exemplo de 2018 ilustra perfeitamente sua abordagem: quando a Apple considerou adicionar um componente laser de US$ 40 aos iPhones para recursos de realidade aumentada, Ternus propôs reservá-lo apenas para os modelos Pro.
Seu argumento? Os clientes mais fiéis da Apple apreciariam a tecnologia, enquanto consumidores médios poderiam não justificar a compressão de margem.
É uma decisão inteligente de gestão de produto. Mas é visão? É o tipo de pensamento que cria a próxima categoria de produto disruptiva?
"Se você quer produzir um iPhone anualmente, Ternus é o candidato ideal", disse Cameron Rogers, ex-engenheiro da Apple, ao Times. A frase não soa exatamente como um endosso entusiasmado para liderar a empresa na era da IA.
Reportagens recentes revelam que algumas vozes dentro da Apple acreditam que Ternus pode não estar pronto para o cargo de CEO. As preocupações não são sobre competência técnica — são sobre estilo de liderança e visão.
Os pontos de atrito:
Em uma era onde apostas ousadas em tecnologias emergentes determinam liderança de mercado, essa reputação conservadora levanta questões sérias.
Cook também está preparando vários outros sucessores internos:
Craig Federighi (chefe de software): Compartilha tendências conservadoras similares a Ternus. Foi inicialmente cético sobre IA, chamando-a de "superestimada e imprevisível", e criticou gastos da Apple no Vision Pro e no projeto cancelado de carro autônomo.
Eddy Cue (chefe de serviços): Forte em serviços digitais, mas sem o pedigree de produto que define a Apple.
Greg Joswiak (chefe de marketing): Excelente comunicador, mas nunca liderou desenvolvimento de produto.
Deirdre O'Brien (chefe de varejo e RH): Forte em operações, mas distante do núcleo tecnológico.
Jeff Williams (ex-COO): Era considerado sucessor natural de Cook, mas anunciou aposentadoria, abrindo caminho para a geração mais jovem.
A Apple enfrenta um dilema fundamental: a empresa que Steve Jobs construiu apostando em produtos que "nem sabíamos que precisávamos" agora precisa escolher entre:
Opção A: O Gestor Alguém como Ternus, que garante:
Opção B: O Visionário Alguém disposto a:
O problema? A Apple sob Cook já escolheu a Opção A — e funcionou espetacularmente bem em termos financeiros. Mas deixou a empresa vulnerável na corrida da IA.
A sucessão acontece no pior (ou melhor) momento possível:
Desafio 1: A corrida da IA OpenAI, Google e Microsoft avançam rápido em IA generativa. A Apple chegou tarde com Apple Intelligence e precisa provar que pode competir.
Desafio 2: Regulação global A empresa enfrenta escrutínio antitruste intenso sobre App Store, pagamentos e práticas de ecossistema fechado.
Desafio 3: Tensões EUA-China A cadeia de suprimentos global da Apple está no centro das tensões geopolíticas.
Um líder conservador e focado em hardware está preparado para navegar essas águas?
Se deixar o cargo de CEO, Cook deve se tornar presidente do conselho da Apple — similar a transições de Jeff Bezos (Amazon), Bill Gates (Microsoft) e Larry Ellison (Oracle).
Isso permitiria:
É o típico estilo Apple: calculado, deliberado, momentum primeiro.
A escolha de Ternus (ou qualquer sucessor) responderá uma questão fundamental sobre a identidade da Apple:
A empresa acredita que:
Steve Jobs era obsessivo por ambos. Tim Cook escolheu o primeiro — e criou uma máquina de dinheiro sem precedentes.
John Ternus, tudo indica, continuaria o legado de Cook. Mas será que a Apple pode se dar ao luxo de mais 10 anos de excelência operacional sem grandes apostas visionárias?
Quando a sucessão for anunciada (provavelmente início de 2026, antes da WWDC em junho), saberemos se a Apple escolheu segurança ou ousadia.
O destino de uma empresa de US$ 3,5 trilhões está em jogo. E a resposta pode determinar se a Apple lidera ou segue na próxima década de tecnologia.
E você? É gestor ou visionário? (Spoiler: precisa ser os dois)
O dilema da Apple é o dilema de toda liderança executiva moderna: como equilibrar excelência operacional com visão transformadora? Como garantir resultados hoje enquanto aposta no futuro incerto de amanhã?
O Executive Program da StartSe foi desenhado para líderes que entendem que essa não é uma escolha binária — é uma competência que pode ser desenvolvida. Durante 12 meses, você terá:
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✓ Metodologias para equilibrar inovação disruptiva com excelência operacional
Tim Cook construiu uma máquina de US$ 3,5 trilhões sendo um gestor excepcional. Steve Jobs mudou o mundo sendo um visionário obcecado. O próximo CEO da Apple precisará ser ambos.
E você?
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