Pesquisa com 913 profissionais mostra que 42% veem como menos competente o gestor que depende de IA. Metade já recebeu do chefe algo que deveria ter sido pessoal.
O time não quer um gestor GPT
, Redator
8 min
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9 out 2026
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Atualizado: 9 out 2026
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O feedback chegou por escrito, bem estruturado, com três pontos fortes, dois pontos de melhoria e uma frase motivacional no final. Estava tecnicamente perfeito. E o funcionário soube na hora que não tinha sido escrito pelo chefe.
Essa cena é cada vez mais comum, e a equipe percebe mais do que o gestor imagina. Uma pesquisa da Omni Calculator com 913 profissionais nos Estados Unidos, divulgada em setembro, mostra que 42% dos funcionários veem como menos competentes os gestores que dependem de IA. E 36% confiam menos no julgamento deles.
Mais do que muitos admitem. Segundo a pesquisa, 52% dos funcionários receberam do gestor, no último ano, uma resposta, decisão ou feedback produzido com ajuda de IA. Para 12%, isso acontece várias vezes por semana.
Os usos vão do operacional ao sensível:
| Uso da IA pelo gestor | % dos funcionários que relatam |
|---|---|
| Planejamento de projetos e fluxos | 35% |
| Mensagens e e-mails do dia a dia | 32% |
| Avaliações de desempenho e feedback | 27% |
| Definição de estratégia ou metas | 26% |
| Decisões sobre o trabalho | 18% |
| Conflitos e temas delicados | 13% |
| Orientação de carreira | 12% |
Usar IA para planejar um projeto não incomoda ninguém. O problema começa quando ela entra nas conversas que definem a relação entre líder e equipe.
Porque, em certas situações, o valor da mensagem está justamente em quem a escreveu. Na pesquisa, 68% dos profissionais dizem que mensagens feitas com IA parecem menos pessoais. E 50% afirmam que o gestor já usou IA em algo que deveria ter tratado pessoalmente.
A detecção também é mais fácil do que parece. Segundo o levantamento, 45% identificam o uso de IA quando a mensagem não soa como o gestor costuma escrever. E 40% percebem pelo tom genérico ou robótico.
Um feedback é uma demonstração de atenção, não só uma informação. Quando o funcionário sente que o chefe delegou essa atenção a uma ferramenta, a mensagem que chega é outra: "você não valeu o meu tempo".
Sim, e isso contraria a expectativa de que os mais jovens aceitariam melhor a IA em qualquer contexto. Entre os profissionais da geração Z, 76% consideram menos pessoal a comunicação do gestor feita com IA. Além disso, 58% veem esse gestor como menos competente e 51% confiam menos nele.
Faz sentido. Quem cresceu usando IA sabe reconhecer quando ela está sendo usada e sabe o que ela faz bem e mal. Para essa geração, um gestor que terceiriza a conversa não está sendo moderno. Está sendo preguiçoso.
A pesquisa tem limitações: foi feita por uma empresa de calculadoras online, com profissionais americanos. Mas o achado conversa com outros estudos. A pesquisa da BetterUp Labs com o Stanford Social Media Lab, publicada na Harvard Business Review e resumida pelo TechSpot, mostrou que 40% dos profissionais receberam no último mês trabalhos gerados por IA com aparência de prontos, mas sem substância, o chamado "workslop". Quem recebe esse material passa a ver o colega como menos capaz e menos confiável.
Está, e o uso descuidado da IA pode acelerar o problema. O Global Workforce Survey 2026, da Korn Ferry, mostra que a confiança dos profissionais na alta liderança caiu de 68% em 2024 para 53% em 2026. No Brasil, a queda passou de 20 pontos em um ano.
Nesse cenário, cada interação conta. Um gestor que já enfrenta desconfiança e passa a se comunicar por mensagens genéricas reforça a sensação de distância. A ferramenta que deveria liberar tempo para a liderança acaba esvaziando a liderança.
A linha divisória é a natureza da interação. Uma regra prática separa três situações.
Use IA à vontade em tarefas operacionais: organizar a agenda, resumir documentos, preparar a pauta de uma reunião, estruturar um plano de projeto, revisar um texto. Ninguém espera que o gestor faça isso à mão.
Use IA como apoio, não como autora, em comunicações importantes: ela pode ajudar a organizar ideias para um feedback ou uma avaliação, mas o texto final precisa ter a voz, os exemplos e o julgamento do gestor.
Evite a IA em conversas delicadas: conflitos, desligamentos, problemas pessoais, orientação de carreira. Nesses casos, a presença do líder é o próprio conteúdo da conversa.
Um teste simples: se o funcionário descobrisse que essa mensagem foi escrita por IA, ele se sentiria desrespeitado? Se a resposta for sim, escreva você mesmo.
A IA pode tornar o gestor mais eficiente. Também pode deixá-lo mais ausente. A diferença está em usá-la para ganhar tempo para o que só ele pode fazer: ouvir, julgar, orientar e assumir a responsabilidade pelas decisões.
Se você não lembra a última vez que escreveu um feedback do zero, talvez seja hora de repensar onde a IA entra na sua liderança. Desenvolver líderes que usam a tecnologia para ampliar a presença, e não para substituí-la, é parte do que o Executive Program da StartSe trabalha com executivos que querem continuar sendo líderes, e não apenas operadores de ferramentas.
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