Em todos os casos, as mudanças são respostas diretas a desafios operacionais, resultados abaixo das expectativas e novas diretrizes de crescimento
2026 começou com uma Dança das Cadeiras dos CEOs
, redator(a) da StartSe
5 min
•
20 jan 2026
•
Atualizado: 20 jan 2026
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!
Enquanto alguns olham para 2026 como um ano de estabilidade, o mercado corporativo brasileiro já está mostrando que estabilidade é mito. Segundo reportagem da Exame, pelo menos seis empresas listadas na B3 anunciaram troca de CEO no início do ano, sinalizando um movimento de urgência na alta liderança. São elas: Hapvida (HAPV3), IMC (MEAL3), Grupo Pão de Açúcar (PCAR), CVC (CVCB3), Stone (STOC34) e Brava Energia (BRAV3).
Em todos os casos, as mudanças não são meros ajustes de cadeira. São respostas diretas a desafios operacionais, resultados abaixo das expectativas e novas diretrizes de crescimento impostas pelos próprios conselhos de administração e pelo mercado.
O ambiente de negócios mudou — e os líderes são os primeiros a sentir a pressão. Empresas brasileiras estão enfrentando um ciclo em que resultados tardam em aparecer, custos operacionais pesam mais e expectativas de investidores se tornam mais exigentes. Nesse cenário, velhas fórmulas de liderança deixam de funcionar. Consequentemente, conselhos e acionistas estão mais propensos a substituir CEOs que não entregam performance rápida ou nunca alinharam a operação ao ritmo das transformações digitais e de mercado.
Além disso, há outra camada de pressão: executivos de alto nível enfrentam um mercado de talentos escasso em competências estratégicas e rápidas para inovar — um tema que aparece com destaque nas tendências globais de liderança. Por exemplo, uma pesquisa da PwC indica que cerca de 30% dos CEOs brasileiros veem a falta de talentos qualificados como uma das maiores ameaças aos negócios.
Hoje, ser CEO vai muito além de gerir operações correntes. Eles estão no centro de tempestades estratégicas que combinam:
Nesse contexto, a reposição de CEOs não é apenas uma resposta a falhas, mas é frequentemente uma tentativa de reposicionar a empresa — cultural, operacional e tecnologicamente — para sobreviver e crescer. Em algumas situações, novos líderes são trazidos com um mandato claro: virar o jogo em curto prazo.
Um problema adicional é que muitas empresas ainda lidam com sucessões mal planejadas. Trocas abruptas geram incerteza para o mercado e volatilidade nas ações — especialmente quando não há um plano de transição claro ou quando expressões de confiança precisam ser transmitidas rapidamente a investidores.
O movimento de trocas de CEOs indica duas realidades simultâneas:
Os conselhos e acionistas estão menos tolerantes com desempenho mediano.
A exigência por líderes capazes de navegar complexidade, tecnologia e crescimento sustentável é maior do que nunca.
Quem assume hoje precisa dominar não apenas execução, mas visão estratégica, ambidestria organizacional e capacidade de reverter ciclos desfavoráveis — rápido.
No final das contas, o que está em jogo não é apenas trocar nomes no C-Level.
É resgatar confiança, competitividade e relevância em mercados que estão mudando mais rápido do que a maioria dos líderes brasileiros foi treinada para acompanhar.
Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!
Assuntos relacionados
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
Leia o próximo artigo
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!