Insights sobre RH, carreira e liderança com a colunista Daniele Avelino
Daniele Avelino (Foto: StartSe)
, Colunista
11 min
•
3 fev 2026
•
Atualizado: 3 fev 2026
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!
Relatórios globais indicam que menos de um terço das empresas consegue hoje integrar dados de pessoas, habilidades, performance e aprendizagem em uma única arquitetura decisória. Ao mesmo tempo, o LinkedIn Workplace Learning Report 2025 aponta que 84% dos profissionais consideram oportunidades internas de crescimento o principal fator de retenção, enquanto a Gartner mostra que mais de 80% das lideranças de RH priorizam a integração de Inteligência Artificial para ganho de eficiência operacional.
Para o C-level, o dado relevante não é tecnológico, é econômico. Habilidades evoluem mais rápido do que os cargos, enquanto estruturas rígidas consomem capital, tempo e energia organizacional. Empresas que não ajustam esse descompasso perdem velocidade estratégica, elevam custos ocultos de turnover e reduzem sua capacidade de execução em cenários voláteis.
Não por acaso, CEOs de organizações como Microsoft, Unilever e IBM migraram para modelos skills-first, reduzindo a dependência de recrutamento externo, acelerando a mobilidade interna e reposicionando o RH como infraestrutura crítica do negócio não como área de suporte.
Os anos pós-pandemia foram marcados por respostas emergenciais: adoção apressada do trabalho híbrido, digitalização fragmentada e iniciativas pontuais de bem-estar. Essas decisões resolveram o curto prazo, mas deixaram um passivo estrutural.
O ciclo que se consolida até 2026 é diferente. Empresas líderes estão abandonando a lógica da reação contínua para assumir uma lógica de desenho intencional do trabalho. Isso significa tomar decisões conscientes sobre:
Nesse contexto, o RH deixa de ser executor de políticas e passa a atuar como sistema operacional do trabalho, conectando estratégia, tecnologia, cultura e alocação de talentos. Para a alta liderança, isso não é pauta de pessoas, é pauta de competitividade.
A Inteligência Artificial deixa de ser ferramenta e passa a ser infraestrutura. A Gartner projeta que, até 2026, agentes de IA executarão fluxos completos de RH: do onboarding à personalização de trilhas de desenvolvimento com mínima intervenção humana.
Empresas como Google e Salesforce já utilizam automação avançada para reduzir atrito operacional em até 50%. No Brasil, segundo a Source LATAM, 90% das lideranças esperam expandir sua força de trabalho por meio de IA nos próximos 18 meses.
Para o board, a pergunta crítica não é se a IA será adotada, mas quem controla as decisões que ela influencia. O diferencial competitivo estará na governança: qualidade de dados, redução de vieses, clareza de critérios e capacidade analítica para transformar informação em decisão estratégica.
O RH que não dominar dados e IA perderá relevância política dentro da organização.
O modelo tradicional de cargos fixos tornou-se um gargalo para agilidade e inovação. Em 2026, consolida-se a transição para organizações baseadas em habilidades, nas quais o trabalho é definido pelos problemas estratégicos a resolver não por títulos hierárquicos.
Estudos da Deloitte indicam que esse modelo acelera a inovação em até 25% e reduz o turnover entre 20% e 30%. Empresas como IBM e Unilever adotam carreiras em T, combinando profundidade técnica com mobilidade horizontal.
Para a alta liderança, a escolha é objetiva: ou a empresa mapeia e desenvolve habilidades críticas agora, ou enfrentará escassez estrutural de talentos, inflação salarial e dependência excessiva do mercado externo.
A média liderança tornou-se o elo mais pressionado da organização. No Brasil, 72% da força de trabalho relata falta de tempo ou energia, enquanto líderes vivem o middle manager squeeze: pressão por resultado, gestão de pessoas e adaptação tecnológica simultâneas.
Eliminar esse nível é um erro estratégico. O que se impõe é sua transformação. Surge a gestão conectora: menos controle operacional absorvido por IA e mais foco em priorização, coaching, desbloqueio de obstáculos e tradução da estratégia em ação.
O Work Trend Index identifica o avanço das Frontier Firms, onde equipes operam com agentes de IA e lideranças recuperam tempo para decisões humanas. Nesses contextos, os níveis de engajamento chegam a ser 40% superiores.
Contratações externas custam até duas vezes mais do que movimentações internas e apresentam maior risco de desalinhamento cultural. Em 2026, olhar para dentro antes de olhar para fora deixa de ser opção e torna-se disciplina estratégica.
Empresas como Procter & Gamble reduziram significativamente vagas externas ao estruturar marketplaces internos de talentos. A mobilidade responde à principal pergunta do profissional qualificado: “existe futuro aqui?”
Quando essa resposta é clara, o contrato psicológico se renova e o turnover deixa de ser um custo inevitável.
Programas isolados de wellness já não resolvem a exaustão organizacional. O conceito de sustentabilidade humana propõe uma mudança mais profunda: redesenhar o trabalho para sustentar performance sem adoecer pessoas.
No Brasil, esse movimento deixa de ser apenas conceitual e passa a ter lastro normativo. A atualização da NR-1, ao incorporar a gestão de riscos psicossociais, reposiciona saúde mental, organização do trabalho e prevenção do adoecimento como responsabilidades formais das empresas.
Isso muda o patamar da discussão executiva. Exaustão, sobrecarga, pressão constante e ambientes tóxicos deixam de ser “problemas subjetivos” e passam a ser riscos organizacionais mapeáveis, preveníveis e auditáveis.
Para a alta liderança, a sustentabilidade humana deixa de ser iniciativa de engajamento e se torna decisão estratégica com impacto em compliance, reputação, produtividade e passivo trabalhista.
Esse redesenho exige escolhas claras sobre:
Empresas que tratam esses temas apenas como discurso assumem riscos invisíveis. Já aquelas que integram sustentabilidade humana à arquitetura do trabalho reduzem o burnout, fortalecem pertencimento e sustentam performance no longo prazo, além de se anteciparem a exigências regulatórias que tendem a se intensificar.
Em 2026, cuidar da saúde organizacional não será diferencial cultural; será requisito de governança.
Em 2026, o RH deixa definitivamente o papel administrativo para se consolidar como designer de ecossistemas humano-digitais. O diferencial competitivo estará no equilíbrio entre domínio tecnológico e centralidade no ser humano.
Organizações que implementarem IA sem repensar cultura, habilidades e arquitetura do trabalho enfrentarão resistência e estagnação. As que entenderem que tecnologia só gera valor quando amplifica pessoas estarão melhor posicionadas para competir.
O futuro do trabalho não será definido por quem reage mais rápido, mas por quem desenha melhor. A decisão não é se o RH vai mudar é se ele será protagonista ou espectador dessa transformação.
Quando o impacto das escolhas feitas hoje se tornar inevitável, sua organização terá sido protagonista do desenho do trabalho — ou apenas espectadora das consequências?
Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!
Assuntos relacionados
, Colunista
LinkedIn Top Voices. Conselheira na área de Pessoas e especialista em Recursos Humanos e Diversidade & Inclusão. Palestrante, Mentora e Consultora. Atua com propósito no desenvolvimento de líderes e na construção de culturas mais humanas, diversas e sustentáveis.
Leia o próximo artigo
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!