O Panorama Gestão de Pessoas da Sólides ouviu líderes e colaboradores separadamente — e a resposta de cada grupo sobre o que mais pesa na gestão de equipes não coincide.
A lista de desafios apontados por gestores brasileiros, segundo pesquisa que também ouviu a percepção dos times sobre a própria liderança.
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9 min
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16 jul 2026
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Atualizado: 16 jul 2026
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Pergunte a um gestor brasileiro qual é o problema que mais rouba seu sono na gestão da equipe, e a resposta provavelmente vai cair em uma de três categorias. Segundo o Panorama Gestão de Pessoas, pesquisa conduzida pela Sólides com a Offerwise, ouvindo 657 pessoas — 53% líderes, 47% colaboradores — em diversas áreas e empresas do país, três desafios concentram a maior parte das respostas espontâneas de quem lidera equipe hoje.
O que torna esse levantamento mais útil do que a média de pesquisas sobre liderança é o desenho: ao ouvir líderes e liderados ao mesmo tempo, sobre os mesmos temas, o estudo expõe não apenas o que preocupa o gestor, mas onde essa preocupação se desconecta do que o time realmente sente. Essa desconexão, segundo a própria pesquisa, é o desafio organizacional central para 2026 — mais do que qualquer um dos três problemas isolados.
Quando questionados sobre o principal desafio na gestão de equipes, 21% dos gestores apontam a dificuldade de manter a motivação contínua do time — à frente do segundo colocado por pelo menos nove pontos percentuais, uma margem que reforça o quanto esse problema domina a preocupação da liderança brasileira. O desafio aparece de forma ainda mais acentuada entre certos perfis: 27% das lideranças homens e 31% dos gestores entre 25 e 34 anos citam motivação como o problema principal.
Vale notar que motivação, aqui, não é uma queixa vaga — ela está ligada a um dado que aparece em outro trecho da mesma pesquisa: enquanto 68% dos líderes afirmam apoiar ativamente o crescimento de suas equipes, seja indicando curso ou oferecendo novos desafios, apenas 45% dos colaboradores sentem esse apoio de fato. Ou seja: a intenção de motivar existe, mas boa parte dela não chega ao colaborador de forma perceptível — o que ajuda a explicar por que a motivação continua sendo o desafio número um mesmo com esforço declarado por parte da liderança.
O segundo desafio mais citado pelos gestores é a gestão de conflitos internos e entre times, com 12% das respostas. A pesquisa aponta uma leitura interessante sobre esse número: parte dos líderes já se considera preparada para mediar conflito — mas esse preparo, segundo o próprio levantamento, nem sempre é percebido dessa forma pelos times.
Esse padrão se repete em outro dado da pesquisa: 34% dos gestores consideram que lideranças autoritárias e centralizadoras já não têm mais espaço nas organizações — uma visão que soa alinhada às boas práticas atuais de gestão, mas que só se confirma se o comportamento correspondente for percebido pela equipe no dia a dia, não apenas declarado em entrevista de pesquisa.
O terceiro desafio mais citado é desenvolver e reter talentos, com 11% das respostas — com maior incidência entre líderes de 35 a 44 anos, faixa em que 17% apontam esse como o principal problema. A pesquisa sugere uma explicação para essa concentração etária: em fases de maior consolidação profissional, a responsabilidade de transformar potencial em desempenho sustentável se torna mais visível e mais cobrada, o que empurra retenção de talento para o topo da lista de preocupação desse grupo específico.
Esse problema também aparece cruzado com outro dado revelador do levantamento: entre os colaboradores, 49% declaram aspirar a cargos de liderança, mas 53% deles já acumulam mais de cinco anos de experiência sem alcançar a posição desejada. Reter talento, nesse contexto, não é apenas questão de remuneração — é também questão de gerenciar a expectativa de progressão de quem está esperando uma promoção que demora mais do que o profissional havia planejado.
O dado mais estratégico da pesquisa, porém, não está em nenhum dos três problemas isolados — está na comparação entre a lista de desafios do líder e a lista de desafios do colaborador. Do lado dos colaboradores, saúde mental e bem-estar aparecem em primeiro lugar, citados por 18% dos respondentes, seguidos por desenvolvimento (13%) e comunicação interna (13%). Ou seja: enquanto o líder está mais preocupado em motivar a equipe, o colaborador está mais preocupado em ser cuidado, ouvido e desenvolvido — pautas relacionadas, mas não idênticas.
Segundo a pesquisa, essa desconexão entre prioridade do gestor e percepção cotidiana do time será um dos grandes desafios organizacionais de 2026 — mais amplo do que qualquer um dos três problemas específicos, porque afeta a eficácia de qualquer solução aplicada a eles. Um programa de motivação desenhado sem considerar que o colaborador está, antes de tudo, pedindo cuidado com saúde mental, corre o risco de tratar sintoma sem tocar causa.
Para quem gerencia pessoas hoje, o recado prático desses números é que resolver "motivação da equipe" não começa por campanha de engajamento — começa por auditar se o apoio ao desenvolvimento que o líder acredita estar oferecendo é, de fato, percebido pelo time da mesma forma. A lacuna entre 68% de líderes que dizem apoiar o crescimento da equipe e 45% de colaboradores que sentem esse apoio é, na prática, o primeiro lugar onde qualquer plano de ação deveria mirar — antes de qualquer investimento em programa de retenção ou treinamento de mediação de conflito.
Esse tipo de leitura — decidir sobre gestão de pessoas com base em dado comparado, não em intuição de liderança — é o tipo de exercício que o Executive Program da StartSe coloca diante de lideranças que precisam gerenciar time com mais precisão do que "sentir que está indo bem".
Os três problemas que mais tiram o sono do gestor brasileiro têm nome e percentual definidos pela pesquisa. O que a maioria das lideranças ainda não descobriu é que a solução para os três passa, antes de tudo, por perguntar ao próprio time se ele concorda com o diagnóstico.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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