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Por que a Geração Z não fica no emprego?

Dados do governo mostram que mais da metade dos jovens brasileiros troca de emprego antes de completar um ano de casa.

Por que a Geração Z não fica no emprego?

Geração Z

Bruno Lois

, Editor

7 min

24 jul 2026

Atualizado: 24 jul 2026

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O número que resume o problema é direto: 52% dos jovens brasileiros ocupados permanecem menos de um ano no mesmo emprego, segundo o Diagnóstico da Juventude Brasileira, estudo divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em junho de 2026, com dados cruzados do IBGE/Pnad Contínua, da Rais e do eSocial, conforme reportagem da Agência Brasil. A rotatividade varia por faixa etária: entre adolescentes de 14 a 17 anos, mais da metade sai antes de um ano; entre jovens de 18 a 24 anos, o índice é de 38,2%; já entre os de 25 a 29 anos — o início da geração Z no mercado de trabalho —, um em cada quatro troca de emprego no mesmo período.

O dado interessa diretamente a quem lidera equipes porque desmonta uma explicação preguiçosa e recorrente em reuniões de RH: a de que jovens simplesmente não têm compromisso. O levantamento do governo aponta outra direção.

Por que a saída não é birra, é falta de perspectiva

Segundo Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, os motivos da alta rotatividade variam conforme a idade. Entre os adolescentes, predominam os pedidos de desligamento feitos pelos próprios jovens. Já entre os de 18 a 24 anos, a maioria das saídas ocorre por demissão sem justa causa — ou seja, a decisão de encerrar o vínculo parte com mais frequência da empresa do que do jovem. Mesmo assim, quando o jovem é quem decide sair, o motivo mais citado não é salário: é a ausência de perspectiva de crescimento profissional. A leitura de Montagner é direta: quando o jovem percebe que a empresa não vai apostar nele, que ninguém o apoia ou reconhece seu trabalho, ele busca outra oportunidade.

Isso reposiciona o problema de retenção como um problema de trajetória visível, não de engajamento imediato. Um jovem que entende que existe um caminho de crescimento dentro da própria empresa tem um motivo concreto para ficar. Um jovem que não enxerga esse caminho não tem motivo para ficar, mesmo satisfeito com o dia a dia da função.

O peso das funções de entrada na equação

Outro dado do diagnóstico ajuda a entender por que a rotatividade se concentra onde se concentra: dos 13,9 milhões de jovens ocupados no primeiro trimestre de 2026, cerca de 84% trabalham em ocupações classificadas como generalistas — vendedor, balconista, caixa, recepcionista, auxiliar administrativo. Apenas uma fração residual está em funções que exigem formação técnica ou superior. São, por natureza, posições de entrada, com estrutura de carreira mais rasa e menos visibilidade de progressão dentro da própria empresa.

Isso não significa que a solução seja eliminar posições de entrada — elas são a porta de acesso da maioria dos jovens ao mercado formal. Significa que empresas que concentram contratação jovem nesse tipo de função e não constroem trilhas de progressão claras dentro delas estão, na prática, competindo pela permanência desses profissionais com uma mão amarrada nas costas.

O que muda na prática para quem lidera

Para lideranças e times de RH, o dado do MTE sugere três movimentos concretos. Primeiro, tratar a trilha de carreira como parte do pacote de contratação, não como algo a ser descoberto depois — jovens que enxergam um caminho de progressão desde o início têm um motivo tangível para ficar além do primeiro ano. Segundo, revisar o motivo real de saída antes de rotular a geração inteira como "sem compromisso": a maioria das saídas entre jovens de 18 a 24 anos parte da própria empresa, não do profissional. Terceiro, olhar com atenção redobrada para funções generalistas, que concentram a maior parte da força de trabalho jovem e, por isso mesmo, concentram a maior parte do risco de rotatividade se não tiverem estrutura de crescimento visível.

O comportamento da Geração Z no mercado de trabalho brasileiro não é um mistério cultural. É uma resposta racional a uma estrutura de carreira que, em boa parte das empresas, ainda não foi desenhada para reter quem está entrando agora. O Tomorrow Learning conecta jovens de 15 a 20 anos com a nova realidade de mercado, com uma imersão em empresas que vivem esta transformação. Uma oportunidade de abrir os horizontes aos seus filhos, que já tem nova data disponível. Confira aqui.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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