Há um franco desalinhamento entre o que a liderança executiva espera da IA e o que a gestão de pessoas está priorizando.
uas agendas corretas, andando em direções diferentes, ainda produzem o mesmo resultado: nenhuma das duas avança direito.
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6 min
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31 jul 2026
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Atualizado: 31 jul 2026
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Existe um desalinhamento silencioso dentro de boa parte das empresas brasileiras, e ele não aparece em nenhum relatório financeiro trimestral. Segundo o Global Talent Trends 2026, da Mercer, 63% dos executivos apontam redesenhar o trabalho com IA e automação como a principal prioridade relacionada ao retorno dos investimentos em pessoas.
O RH, por sua vez, coloca experiência do empregado e retenção de talentos no topo da própria agenda. Nenhuma das duas prioridades está errada. O problema é que raramente estão conectadas.
Automatizar tarefas sem explicar como as funções serão modificadas pode aumentar a insegurança e a resistência dos profissionais, exatamente o oposto do que qualquer estratégia de retenção de talento busca alcançar. Quando a liderança executiva avança com redesenho de processos via IA sem que o RH esteja na mesa desde o início, a empresa corre o risco de resolver um problema de eficiência operacional criando, simultaneamente, um problema de engajamento e retenção que anula parte do ganho obtido.
Esse risco já aparece em números concretos. A Mercer identificou que apenas 44% dos trabalhadores dizem estar prosperando profissionalmente, uma queda expressiva frente aos 66% registrados em 2024, e a preocupação com a possibilidade de perder o emprego por causa da IA chegou a 40% em 2026. Redesenhar o trabalho sem comunicação clara sobre o que muda para cada pessoa alimenta diretamente essa insegurança, e insegurança crônica é incompatível com qualquer estratégia real de retenção.
Para 54% dos executivos ouvidos pela Mercer, a escassez de talentos é a principal força que influencia hoje o planejamento de pessoas. Entre os próprios líderes de RH, 59% afirmam ter dificuldade para atrair profissionais com competências digitais consideradas essenciais. Isso cria um paradoxo relevante para qualquer CEO que aposta em IA para reduzir dependência de mão de obra: a organização espera automatizar tarefas, mas não encontra profissionais preparados para operar, supervisionar e evoluir os próprios sistemas de IA que substituiriam essas tarefas.
O dado que deveria orientar a decisão de qualquer comitê executivo é este: 63% dos profissionais aceitariam trocar hipoteticamente um aumento salarial de dez por cento por oportunidades de qualificação em IA e habilidades digitais, segundo a mesma pesquisa da Mercer. Isso significa que desenvolvimento em IA já funciona como instrumento de atração e retenção mais poderoso que reajuste salarial isolado, uma alavanca que a maioria das empresas brasileiras ainda não está usando com essa intenção.
Redesenhar o trabalho com IA e cuidar da experiência do empregado não são objetivos concorrentes, são etapas sequenciais da mesma transformação. Uma empresa que redesenha processos com IA e, no mesmo movimento, comunica com transparência o que muda para cada função, investe em requalificação e cria trajetória clara de carreira para quem antes fazia aquele trabalho manualmente, resolve as duas prioridades ao mesmo tempo, em vez de sacrificar uma pela outra.
Esse tipo de integração exige que a decisão sobre redesenho de processos com IA nasça em conjunto entre CEO e CHRO, não como uma decisão técnica repassada ao RH depois de já definida pela diretoria de tecnologia ou operações.
O primeiro passo é mapear, para cada processo que a empresa planeja redesenhar com IA, qual será o impacto real sobre as pessoas que hoje ocupam aquelas funções, antes de anunciar qualquer mudança. O segundo é comunicar esse impacto com transparência e antecedência, oferecendo trajetória de requalificação concreta, não apenas discurso genérico sobre adaptação. O terceiro é conectar métricas de adoção de IA a métricas de engajamento e retenção, tratando as duas como uma só estratégia, não como agendas paralelas de áreas diferentes.
Alinhar essas duas prioridades no nível certo de decisão é o que separa empresas que transformam trabalho com IA de empresas que só automatizam tarefas e perdem talento no processo. O AI Journey da StartSe ajuda a alta liderança a construir essa integração desde o início, e não como correção depois que o desalinhamento já custou talento e engajamento.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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