Pesquisa mostra que 17% dos executivos brasileiros já apontam o esgotamento da equipe como fator que prejudicou diretamente o desempenho da empresa em 2025
Segundo levantamento com 629 executivos, esgotamento e saúde mental da equipe já superam "modelo de negócio desatualizado" na lista de barreiras que mais afetam resultado corporativo.
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8 min
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22 jul 2026
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Atualizado: 22 jul 2026
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Durante anos, saúde mental no ambiente de trabalho foi discutida majoritariamente como agenda de bem-estar, cultura organizacional ou responsabilidade social — um tema relevante, mas tratado à parte da conversa sobre resultado financeiro. O Panorama Liderança 2026, pesquisa da Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas, com 629 executivos de médias e grandes empresas brasileiras, revela um dado que muda essa régua: esgotamento da equipe e saúde mental já aparece entre os fatores que mais prejudicaram diretamente o desempenho das empresas em 2025, citado por 17% dos respondentes — mais do que modelo de negócio desatualizado (13%) e produtos ou serviços obsoletos (9%).
Isso significa que, para uma parcela relevante de lideranças brasileiras, o estado emocional e a capacidade de sustentação da própria equipe já pesa mais no resultado do negócio do que a obsolescência do produto que a empresa vende.
O ponto central aqui não é que esgotamento de equipe seja um problema novo — é que ele deixou de ser tratado como questão exclusivamente humana e passou a ser mensurado, pelos próprios executivos, como fator de resultado de negócio. Quando esgotamento supera obsolescência de produto como barreira de desempenho, isso reposiciona a saúde mental da equipe de "pauta de RH" para "variável de risco operacional direto" — no mesmo patamar de decisões sobre portfólio de produto ou modelo de negócio.
Esse achado se conecta a outro dado da mesma pesquisa: quando perguntados sobre as prioridades de iniciativas ligadas ao pilar "Saúde & Bem-Estar" para 2026, apenas 18,2% das empresas citam promoção de saúde e bem-estar como prioridade, e 16,2% citam equilíbrio entre vida pessoal e profissional — mesmo com 29,5% priorizando "alinhamento de propósito". A própria pesquisa nomeia esse descompasso como ponto cego: o discurso sobre pessoas e propósito não se traduz plenamente em prática concreta de bem-estar e qualidade de vida, o que pode comprometer retenção, engajamento e performance no médio prazo.
Esse ponto cego fica mais evidente quando se observa onde as empresas efetivamente concentram investimento. Desenvolvimento de lideranças aparece como a principal iniciativa do pilar "Social & Humano" para 2026, citada por 53,3% das empresas — reconhecimento de que liderança capacitada é alicerce para mudança cultural e inovação. Mas investir em capacitar quem lidera, sem investir na mesma proporção em sustentar a saúde emocional de quem é liderado, tende a criar um desequilíbrio previsível: líderes mais preparados tecnicamente, operando sobre equipes cada vez mais esgotadas.
Isso ajuda a explicar por que engajamento dos colaboradores aparece apenas em sexto lugar entre os fatores críticos de sucesso para 2026, citado por 44% dos executivos — atrás de alinhamento entre estratégia e operação (66%), capacidade de execução (60%) e adaptação a novas tendências (55%). A prioridade declarada de crescimento está concentrada em estratégia e operação, enquanto o fator humano que sustenta a capacidade de executar essa mesma estratégia recebe atenção proporcionalmente menor.
O erro mais comum nesse cenário é interpretar esgotamento de equipe como fragilidade pontual de determinado colaborador, quando o próprio padrão de resposta na pesquisa sugere causa estrutural: a mesma combinação de pressão por execução, cultura resistente à mudança e liderança ainda em desenvolvimento — as três principais barreiras de desempenho identificadas pelo levantamento — é exatamente o tipo de ambiente que produz esgotamento em escala, não em caso isolado.
Isso significa que qualquer plano de ação que trate saúde mental apenas como benefício adicional — um aplicativo de meditação, uma palestra de bem-estar — sem tocar na causa estrutural de sobrecarga, tende a produzir alívio superficial e temporário, sem alterar o indicador que a própria pesquisa já capturou: quase um em cada cinco executivos brasileiros já reconhece esgotamento da equipe como fator que prejudicou diretamente o resultado da empresa.
Para qualquer conselho ou comitê executivo, o recado prático desse levantamento é parar de tratar saúde mental da equipe como item de política de RH e passar a monitorá-lo com o mesmo rigor aplicado a qualquer outro indicador de risco operacional — porque é exatamente assim que 17% dos próprios executivos brasileiros já o classificam. Isso exige medir sinais de esgotamento antes que se tornem crise visível de turnover ou queda abrupta de produtividade, e revisar se a pressão por execução — a maior barreira de desempenho identificada pela mesma pesquisa — está sendo distribuída de forma sustentável dentro da equipe, ou está simplesmente sendo empurrada para baixo sem suporte correspondente.
Desenvolver essa capacidade de liderança é um dos exercícios centrais que o Executive Program da StartSe coloca diante de lideranças que precisam entregar resultado sem esgotar a própria estrutura humana que sustenta esse resultado.
Quando esgotamento de equipe já pesa mais no resultado do que produto obsoleto, a pergunta que qualquer liderança deveria levar à próxima reunião de planejamento não é apenas "qual é a nossa meta para 2026" — é "nossa equipe tem, de fato, capacidade sustentável de entregar essa meta, ou estamos simplesmente adiando o próximo esgotamento em massa".
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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