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Conselhos Consultivos, que bicho é esse?

Entenda o que é um Conselho Consultivo, como ele se diferencia do Conselho de Administração e por que pode melhorar as decisões da sua empresa. Autor: Richard Doern

Conselhos Consultivos, que bicho é esse?

Reunião de alinhamento estratégico

Redação StartSe

, Redator

7 min

•

23 out 2026

•

Atualizado: 23 out 2026

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À medida que uma empresa cresce, suas decisões tornam-se mais complexas. 

O fundador ou empresário, que durante muitos anos esteve à frente de praticamente todas as decisões, passa a lidar com questões que exigem conhecimentos cada vez mais especializados: estratégia, finanças, sucessão, governança, gestão de pessoas, tecnologia, riscos, expansão de mercados, relacionamento com investidores, inovação e transformação do modelo de negócios.

Nesse contexto, surge uma necessidade importante: ter acesso a experiência, conhecimento e diferentes pontos de vista antes de tomar decisões relevantes.

É justamente nesse espaço que nasce o Conselho Consultivo.

O que é um Conselho Consultivo?

O Conselho Consultivo é um órgão formado por pessoas escolhidas em razão de sua experiência, conhecimento, reputação ou capacidade de contribuição para os negócios, com a finalidade de aconselhar os sócios, acionistas, fundador ou equipe de gestão sobre temas relevantes para a empresa.

Diferentemente de um Conselho de Administração, o Conselho Consultivo, em sua concepção tradicional, não possui necessariamente poderes legais para deliberar ou representar a companhia. Sua principal função é oferecer aconselhamento independente, qualificado e estruturado.

Isso não significa, entretanto, que seja um órgão meramente simbólico. Um Conselho Consultivo bem estruturado pode transformar significativamente a qualidade das decisões de uma empresa.

Sua principal contribuição está em criar um ambiente no qual as principais decisões deixam de depender exclusivamente da visão de uma pessoa ou de um pequeno grupo de executivos e passam a ser discutidas sob diferentes perspectivas.

Podemos definir Conselho Consultivo como um grupo organizado de conselheiros independentes, externos à empresa e sociedade, reunidos periodicamente para analisar os principais desafios da empresa e apresentar recomendações aos seus sócios e gestores.

Em termos simples, é uma espécie de "mesa de aconselhamento estratégico", um "sounding board", também conhecido como "test drive de um futuro Conselho de Administração".

As perguntas que ele ajuda a responder

Se o empresário ou executivo principal de um negócio tem uma determinada decisão importante pela frente, o Conselho Consultivo deve ajudá-lo a responder perguntas como:

  • Estamos tomando a decisão correta?
  • Quais são os riscos que talvez não estejamos enxergando?
  • Existem alternativas melhores?
  • O que outras empresas fizeram em situações semelhantes?
  • Essa decisão está alinhada com a estratégia da companhia?
  • Como essa decisão poderá afetar a empresa daqui a cinco ou dez anos?
  • Temos as pessoas certas para executar esse plano?
  • Qual será o impacto financeiro?
  • O que pode dar errado?

A grande vantagem do Conselho Consultivo está justamente na possibilidade de questionar, provocar e ampliar a visão dos tomadores de decisão.

Um bom conselheiro não está ali apenas para concordar com o empresário ou executivos. Ao contrário, sua função mais valiosa muitas vezes é fazer perguntas difíceis.

As principais funções de um Conselho Consultivo

A finalidade central de um Conselho Consultivo é melhorar a qualidade das decisões da empresa. Ele pode atuar em diversas áreas, dependendo das necessidades específicas de cada organização. Entre suas principais funções estão:

Estratégia: O Conselho pode discutir o posicionamento competitivo da empresa, novos mercados, expansão geográfica, novos produtos, aquisições, parcerias e investimentos.

Finanças: Pode analisar indicadores financeiros, estrutura de capital, endividamento, geração de caixa, rentabilidade, investimentos e riscos financeiros.

Governança: Pode ajudar a empresa a criar processos mais claros de decisão, estabelecer responsabilidades e reduzir a concentração excessiva de decisões no fundador ou nos principais acionistas.

Sucessão: Em empresas familiares, essa pode ser uma das funções mais importantes. O Conselho pode ajudar a preparar a sucessão do fundador, avaliar potenciais sucessores, estabelecer critérios objetivos e separar questões familiares das questões empresariais.

Gestão: O Conselho pode avaliar a estrutura organizacional, a atuação dos principais executivos e a necessidade de desenvolver ou contratar determinadas competências.

Gestão de riscos: Pode identificar riscos estratégicos, financeiros, operacionais, jurídicos, reputacionais e tecnológicos.

Inovação: Pode estimular a empresa a acompanhar mudanças tecnológicas e comportamentais que possam afetar seu negócio.

 


Richard Doern é Conselheiro Consultivo, de Administração e Chairman em empresas de controle familiar e de capital aberto. Conta com mais de 35 anos de experiência em processos de transformação de negócios. É especialista em Governança Corporativa e Familiar, atuando também em Comitês de Estratégia, Inovação, Auditoria, Pessoas e ESG em organizações como Track & Field, Eternit, Calçados Piccadilly e Klin, Cinemas Kinoplex, Rede Ráscal de Restaurantes, Construtora Planova, dentre outras. É professor do Board Program da StartSe e integra o Board Council do Board Community.

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