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CEO corta 30% do time para apostar em IA: tendência, exagero ou ponto de virada?

O CEO Zubin Appoo, da australiana WiseTech, vai eliminar 2.000 cargos de ~7.000 em dois anos e afirma que a IA já reduz projetos de “meses para dias”.

CEO corta 30% do time para apostar em IA: tendência, exagero ou ponto de virada?

Imagem: Reprodução

Bruno Lois

, redator(a) da StartSe

6 min

25 fev 2026

Atualizado: 25 fev 2026

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A Bloomberg Línea reporta que a WiseTech anunciou um plano de corte de 30% da força de trabalho (2.000 posições) como parte de uma reestruturação orientada por IA. 

Appoo (CEO) foi direto: alguns projetos que levavam 6–7 meses podem ser feitos em um dia, e entregas que levavam até 2 anos podem ficar 6–7x mais rápidas.

Ele também cravou uma tese que muita empresa pensa e pouca diz em voz alta: “a era do código escrito manualmente como principal atividade da engenharia acabou.”

30% é alto, baixo ou média?

É alto. E não por opinião — por comparação.

A “faixa típica” das grandes reestruturações

Em big tech e empresas maduras, os cortes mais comuns quando ligados a eficiência/automação ficam na casa de ~4% a ~10%:

Microsoft: corte de ~4% (cerca de 9.000 pessoas) em nova rodada de eficiência, em meio a forte aposta em IA.

Meta: redução de ~5% (~3.600 funcionários), com foco em performance e realocação de recursos.

Klarna: demitiu 700 pessoas em 2022 (cerca de 10% do quadro, segundo reportagens públicas).

HP: plano de eliminar 4.000 a 6.000 empregos até 2028 (aprox. até ~10%, dependendo da base), ligado a transformação com IA.

Tradução: se você está cortando 4%–10%, você está “enxugando e reconfigurando”. Se você está cortando 30%, você está reescrevendo o modelo operacional.

Quem mais já fez algo parecido (30%)?

Aqui entra o ponto: 30% existe — mas é raro e concentrado em “pivôs AI-first”.

Fiverr: anunciou corte de ~30% para virar “AI-first company”, com reposicionamento explícito do negócio e do tipo de talento que ficaria.

WiseTech: agora segue a mesma lógica, mas em um contexto B2B de software crítico para logística global — e com promessa de produtividade radical.

Ou seja: 30% não é “média de mercado”. É “média de quem está fazendo ruptura de desenho organizacional”.

O que essa decisão realmente sinaliza (para CEOs e conselhos)

O que muda aqui não é a tecnologia. É a ambição.

A WiseTech está dizendo ao mercado:

IA não é ferramenta. É linha de produção.
Se a empresa acredita que engenharia vira supervisão de “enxames” de agentes, o organograma vira outra coisa.

O corte é parte do produto, não só do custo.
Appoo afirma que IA permitirá integrar os produtos mais profundamente nas operações dos clientes — ou seja, o ganho pretendido é valor + velocidade, não apenas margem.

A aposta é assimétrica: ou vira benchmark, ou vira alerta.
Klarna é um lembrete de que “substituir humano por IA” pode ter efeitos colaterais e exigir correções — inclusive reforço de atendimento humano depois.

O checklist que decisores deveriam usar para julgar se 30% é “coragem” ou “temeridade”

Se você é conselheiro ou C-level e vê um plano nessa magnitude, as perguntas não são “quantas pessoas?”. São estas:

1) Qual é o ganho mensurável?
Ciclo (lead time) cai quanto? Qualidade sobe quanto? Custo unitário cai quanto? (Sem métrica, é narrativa.)

2) O que fica humano por design?
A própria WiseTech reconhece que funções com alto contato com cliente e vendas continuam exigindo componente humano relevante.

3) O risco de execução está precificado?
Cortar 30% mexe com cultura, conhecimento tácito e continuidade operacional. O plano de transição é tão importante quanto a economia.

4) O produto fica melhor — ou só mais barato?
Se IA acelera entrega, mas piora experiência, você compra um problema de churn travestido de eficiência (lição recorrente em automações mal governadas).

O que dá pra tirar disso tudo:

30% é outlier. Quando acontece, normalmente não é “otimização”. É mudança de era interna.

A WiseTech está apostando que a produtividade entregue pela IA vai justificar uma reconfiguração profunda do trabalho e quer ser case global disso.

A pergunta que fica para qualquer empresa olhando esse movimento: você quer usar IA para “fazer igual com menos” — ou para “fazer diferente e melhor”?

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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