Por trás da frase que viralizou, há método, timing e uma leitura afiada de comportamento digital.
Karla Marques e Toguro: o que era febre nas redes virou mais um produto que nasce hypado
, redator(a) da StartSe
6 min
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28 jan 2026
•
Atualizado: 28 jan 2026
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Quando a Cimed apresentou o Carmed com “sabor energético”, o produto em si ainda era um mistério. Sem fórmula divulgada, sem data de lançamento, sem canais de venda. Ainda assim, ele viralizou.
O motivo não foi o hidratante labial. Foi a frase.
E, sobretudo, quem a colocou em circulação.
Toguro, o dono do bordão, não estava ali apenas como influenciador convidado. Ele operou como vetor estratégico de atenção. É como um sócio na empreitada do novo produto.
A simples combinação entre uma marca já querida e consolidada como a Cimed (e sua linha sucesso de vendas Carmed), um conceito inusitado e uma figura que domina a lógica do hype criou a combinação perfeita no algoritmo: pouco contexto, muita curiosidade, alto potencial de compartilhamento.
Marketing de antecipação em estado puro. Algo que tanto Cimed quanto Toguro dominam com maestria.
“Sabor energético” é propositalmente ambíguo. Não descreve, sugere. Não explica, provoca. Não entrega valor funcional imediato, mas ativa repertório cultural: energia como performance, rotina intensa, vida acelerada, estética fitness, foco, disposição.
É um conceito emprestado das bebidas "Mansão Maromba, marca do Toguro.
Há, ainda, um quê de carisma na figura do influenciador, algo que nenhum curso de marketing ensina.
Ele não fala simplesmente sabor energético, de forma corrida como qualquer um faria. Brinca com a pausa, com a entonação “sa-bôr” combinado a um gestual que fez explodir de memes e repercussão na internet.
Esse deslocamento é o gatilho.
Quando uma marca cruza categorias simbólicas, ela força o cérebro do consumidor a parar e tentar entender. E onde há tentativa de entendimento, há engajamento.
O Carmed já não é apenas um hidratante labial. Ele virou plataforma de experimentação cultural. A marca testa sabores, conceitos e colaborações como quem testa narrativas. Não lança tudo com pompa; lança com pista.
Observa reação, mede conversa, sente termômetro social. E aí escala.
Isso é marketing orientado a comunidade, não a campanha. É o oposto do lançamento tradicional, que tenta controlar mensagem. Aqui, a marca solta o mínimo e deixa o público completar o resto.
Toguro entende três coisas que muitas marcas ainda ignoram:
O algoritmo recompensa tensão narrativa, não explicação.
A autoridade hoje vem da recorrência, não do polimento.
O público gosta de participar da descoberta, não só do anúncio.
No ecossistema de negócios, Toguro é um case de creator-empresário que construiu audiência entendendo dinâmica de atenção, não apenas conteúdo.
Ele opera na lógica do entretenimento, mas com leitura estratégica de branding. Ao aparecer na fábrica, ele empresta autenticidade, bastidor e informalidade — três moedas fortes na economia da confiança atual.
Esse movimento reúne conceitos clássicos e modernos de marketing:
Curiosity gap: entregar menos informação do que o cérebro aceita.
Teste de conceito em público: validação antes do investimento pesado.
Estética como linguagem: o visual “clean” conversa com o desejo de performance sem excessos.
Hype sem promessa: expectativa sem compromisso imediato reduz risco.
Em vez de gastar energia tentando convencer, a marca cria um campo de conversa. E conversa, hoje, vale mais do que alcance bruto.
O caso Carmed mostra que:
No fundo, a Cimed está jogando um jogo mais sofisticado: transformar produtos em narrativas abertas e consumidores em coautores do hype. O “sabor energético” é quase irrelevante perto da energia social que ele gerou.
E isso diz muito sobre o gestão e visão de negócios: quem controla a curiosidade, controla a conversa. E quem controla a conversa, vende agora ou depois.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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