Para uma parcela relevante dos CEOs, a sensação é frustrante: o impacto real simplesmente não apareceu.
Onde está o erro nos projetos de IA?
, redator(a) da StartSe
5 min
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22 jan 2026
•
Atualizado: 22 jan 2026
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A inteligência artificial entrou no topo da agenda corporativa com força total. Orçamentos cresceram, discursos se sofisticaram e projetos pipocaram por toda parte. Ainda assim, para uma parcela relevante dos CEOs, a sensação é frustrante: o impacto real simplesmente não apareceu.
Uma pesquisa recente da PwC com milhares de executivos globais mostra esse desalinhamento de expectativas. A maioria afirma não ter percebido ganhos claros nem em receita nem em eficiência operacional, mesmo após investir tempo, dinheiro e atenção em iniciativas de IA. Casos em que a tecnologia conseguiu, ao mesmo tempo, reduzir custos e aumentar faturamento seguem sendo exceção — não regra.
O contraste é forte: de um lado, o hype. Do outro, resultados ainda tímidos.
Grande parte das iniciativas de IA nas empresas ainda opera em modo experimental. São pilotos pequenos, desconectados do core do negócio, pensados mais para “testar a tecnologia” do que para resolver problemas estratégicos de verdade.
Os números confirmam isso: apenas uma minoria dos CEOs afirma ter projetos robustos em áreas críticas como geração de demanda, atendimento ao cliente ou desenvolvimento de produto. E, na ponta, o uso diário da IA pelos funcionários ainda é baixo, o que limita drasticamente qualquer ganho sistêmico.
Ou seja: não falta IA — falta escala, integração e clareza de propósito.
Existe uma contradição central nesse movimento. Projetos-piloto são, por definição, isolados e controlados. Eles servem para validar conceitos, não para transformar organizações. Esperar que pilotos entreguem impacto financeiro relevante é confundir experimento com estratégia.
O resultado é previsível: iniciativas fragmentadas, sem continuidade, sem conexão entre áreas e sem métricas claras de sucesso. Quando o valor não aparece rapidamente, a percepção de fracasso se instala — mesmo que a tecnologia, em si, funcione.
Quando se olha para os poucos casos de sucesso, o padrão é outro. Empresas que extraem valor da IA não tratam o tema como projeto de inovação, mas como capacidade organizacional.
Isso exige:
Sem isso, a IA vira uma camada sofisticada sobre processos antigos e ineficientes. E tecnologia aplicada sobre problema mal definido só acelera o problema.
O erro central dos CEOs não está em investir em IA, mas em tratar IA como fim, e não como meio. Muitos projetos nascem para “usar IA”, não para resolver um gargalo estratégico específico. Sem dono claro, sem KPI de negócio e sem integração ao modelo operacional, o impacto evapora.
Além disso, falta ambidestria. A IA é empurrada para áreas periféricas, enquanto o core continua operando da mesma forma. O resultado é previsível: pilotos brilhantes, empresas iguais.
A solução passa por três movimentos claros:
Reposicionar a IA como decisão estratégica, conectada diretamente a crescimento, margem ou experiência do cliente.
Escalar com governança, levando a tecnologia para o centro da operação, com liderança envolvida e responsabilidade clara.
Trabalhar cultura e pessoas, garantindo que a IA seja usada diariamente por quem toma decisões — não apenas por times técnicos.
A IA não está falhando. O que está falhando é liderança preparada para transformar tecnologia em vantagem competitiva real.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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