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A IA não vai acabar com os empregos de quem ganha menos. Vai começar pelos que ganham mais.

Andrej Karpathy analisou 342 profissões pelo risco de exposição à inteligência artificial. O resultado inverte a narrativa mais comum sobre o mercado de trabalho e coloca uma pergunta desconfortável na mesa de quem trabalha com conhecimento

A IA não vai acabar com os empregos de quem ganha menos. Vai começar pelos que ganham mais.

IA para a sua carreira: ameaça ou oportunidade?

Bruno Lois

, redator(a) da StartSe

7 min

20 mar 2026

Atualizado: 20 mar 2026

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Andrej Karpathy, um dos nomes mais respeitados da história recente da inteligência artificial — cofundador da OpenAI e ex-diretor de IA da Tesla —, não foi correr no parque no fim de semana. Em vez disso, pegou todas as 342 categorias de emprego catalogadas pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos e pediu a um modelo de linguagem que classificasse cada uma delas em uma escala de 0 a 10, com base no nível de exposição à IA.

O resultado é um mapa que vai incomodar muita gente com diploma na parede.

Quem está mais exposto

No topo da lista — com as maiores pontuações, portanto maior exposição — estão as profissões que sempre foram consideradas seguras justamente por exigirem formação técnica especializada. Transcrição médica lidera com nota 10. Assistentes jurídicos ficam entre 8 e 9. Analistas de dados chegam a 9. Editores, redatores, matemáticos, designers gráficos e pesquisadores de mercado ficam todos acima de 8.

São, em sua maioria, profissões de escritório, baseadas em processamento de linguagem, padrões e análise — exatamente o que os modelos de linguagem de grande escala fazem com crescente competência.

Quem está mais protegido

Na outra ponta, com pontuações entre 0 e 3, estão eletricistas, encanadores, bombeiros, operários da construção civil, pintores, serralheiros, jardineiros, zeladores e mergulhadores.

O denominador comum é o corpo físico no mundo real. São profissões que exigem presença, destreza manual, adaptação a ambientes imprevisíveis e tomada de decisão física em tempo real. Por enquanto, nenhum modelo de linguagem consegue apertar um parafuso, consertar um cano ou apagar um incêndio.

O dado que inverte tudo

A análise de Karpathy revelou um padrão que contradiz a narrativa que dominou o debate sobre automação nos últimos anos — a de que a IA ameaça principalmente trabalhadores de baixa renda e pouca qualificação.

Os números dizem o contrário. Profissionais com salário acima de 100 mil dólares por ano apresentam pontuação média de exposição de 6,7. Profissionais com salário abaixo de 35 mil dólares ficam em 3,4. No total, estima-se que US$ 3,7 trilhões em salários anuais estejam expostos à IA — concentrados majoritariamente em funções de conhecimento e análise.

O que a pontuação realmente mede

Karpathy foi cuidadoso com a interpretação, e esse cuidado importa. A pontuação não mede risco de desemprego direto. Mede exposição — o quanto a IA pode modificar, alterar ou ampliar aquela ocupação.

Alta exposição tem dois lados. O lado da ameaça: partes do trabalho podem ser automatizadas, reduzindo a demanda por horas humanas naquelas tarefas específicas. O lado da oportunidade: as mesmas ferramentas podem multiplicar a produtividade de quem souber usá-las, permitindo que um analista de dados faça em horas o que antes levaria semanas.

A diferença entre os dois cenários não está na tecnologia. Está em quem aprende a trabalhar com ela — e quem decide esperar para ver o que acontece.

A questão real

O que o exercício de Karpathy evidencia com clareza é que a IA não está chegando pelos trabalhadores mais vulneráveis do sistema. Está chegando pelo conhecimento especializado que estruturas inteiras de empresas foram construídas para proteger e monetizar.

Advogados, analistas, redatores, pesquisadores — durante décadas, essas carreiras foram sinônimo de segurança. A barreira de entrada era alta, a formação era longa, o mercado era fechado. A IA não respeita nenhuma dessas barreiras.

A pergunta que fica não é se a IA vai mudar o trabalho. Ela já está mudando. A pergunta é o que cada profissional vai fazer com o tempo que ainda existe para se adaptar.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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