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A forma como uma empresa demite diz mais sobre sua cultura do que qualquer slide bonito

Em tempos de reestruturações frequentes, é preciso dignidade e cuidado para encerrar uma relação de trabalho.

A forma como uma empresa demite diz mais sobre sua cultura do que qualquer slide bonito

Na hora de contratar, bons papos e cultura forte, mas e na hora de demitir?

, redator(a) da StartSe

6 min

28 jan 2026

Atualizado: 28 jan 2026

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O episódio recente envolvendo a Amazon, com um e-mail que alinhava desligamentos disparado antes da hora, não é apenas uma falha operacional. Ele funciona como um alerta poderoso sobre responsabilidade humana em processos de demissão.

Não são públicos os detalhes deste episódio da Amazon, mas faz sentido abordar um assunto tão incômodo quanto necessário: é preciso dignidade na hora de demitir. Porque a cultura de uma empresa se mostra em todos os seus atos, não só no onboarding onde tudo parece tentador e bonito.

O pano de fundo já é conhecido: organizações estão redesenhando estruturas, automatizando funções e pressionando custos. 

Mas o ponto central não é se demissões vão acontecer. É como elas acontecem.

E aqui está a virada de chave: demitir não é um ato administrativo. É um ato de liderança.

O risco de tratar pessoas como “processo”

Quando uma demissão vira um e-mail genérico, uma reunião surpresa, um comunicado confuso ou um vazamento interno, o impacto vai muito além de quem sai.

Ele atinge quem fica. Abala a confiança na liderança.

Mancha a reputação da empresa, faz pouco caso com a saúde emocional das equipes.

O erro da Amazon mostra um ponto sensível do nosso tempo: empresas estão mais rápidas do que suas estruturas humanas conseguem acompanhar

A tecnologia acelerou decisões, mas não eliminou a necessidade de cuidado.

Humanismo não é fraqueza. É estratégia.

Existe um mito persistente no mundo corporativo: o de que decisões difíceis exigem frieza.
Na prática, exigem clareza, respeito e responsabilidade.

Empresas que demitem bem:

  • preservam confiança,
  • reduzem riscos jurídicos,
  • mantêm engajamento dos times remanescentes,
  • e protegem sua reputação no mercado.

Não por acaso, bons exemplos vêm de organizações que tratam desligamentos como parte do contrato psicológico, não apenas legal.

Exemplos frequentemente citados como boas práticas:

Patagonia: comunicação transparente, alinhamento prévio e suporte pós-desligamento.

Nubank: processos claros, mensagens diretas, explicação do contexto e apoio concreto a quem sai.

Airbnb (2020): referência global pela forma humana, empática e estruturada como conduziu cortes em massa — mesmo em crise.

Essas empresas entenderam algo fundamental: o jeito de sair define o jeito de lembrar da empresa.

Manual prático: 7 práticas para demitir com responsabilidade (para líderes e RH)

Se cortes forem inevitáveis, aqui estão princípios que não podem ser ignorados:

1. Nunca comunique antes de estar pronto

Se a decisão não está fechada, não comunique. Ruído gera pânico.

2. Pessoa fala com pessoa

Nada de e-mails frios ou comunicados coletivos.
Demissão exige conversa direta, humana e respeitosa.

3. Explique o contexto

Não justificar tudo, mas explicar o porquê. Silêncio gera narrativas piores.

4. Cuide de quem sai — e de quem fica

O impacto emocional é coletivo. Prepare lideranças para lidar com ambos.

5. Ofereça suporte real

Outplacement, indicação, tempo de transição, apoio psicológico quando possível.

6. Comunique com consistência

O que é dito internamente precisa bater com o que aparece externamente.

7. Lembre-se: cultura é testada na crise

Valores só existem quando custam algo.

O paradoxo da era da IA

Nunca falamos tanto de eficiência, produtividade e automação. Mas nunca foi tão necessário liderar com humanidade.

A tecnologia pode até substituir tarefas, mas não substitui dignidade, escuta e responsabilidade.

No fim, empresas não são lembradas apenas pelos produtos que criam. São lembradas por como tratam quem construiu esses produtos.

E isso, nenhum algoritmo resolve sozinho.

Participe desta e de outras discussões sobre o futuro das relações de trabalho, a atuação de lideranças de RH, a tecnologia como parte do processo natural de readequação de vagas e projetos: esteja no RH Leadership Festival, dias 26 e 27 de março de 2026, em São Paulo. (ingressos limitados)

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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