Jeff Bezos investe na NotCo, que cria maionese sem ovo e queijo sem leite

Jeff Bezos, dono da Amazon, liderou investimentos de US$ 30 milhões em startup chilena que cria alimentos veganos utilizando um software de inteligência artificial

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Jeff Bezos, dono da Amazon e homem mais rico do mundo, fez seu primeiro investimento no mercado latinoamericano. A startup chilena NotCo chamou a atenção do empreendedor por conseguir produzir maionese vegana utilizando um software de inteligência artificial. Por meio do fundo familiar Expeditions, Bezos liderou uma rodada de investimentos que totalizou US$ 30 milhões.

Apesar de ter em seu portfólio a NotMayo (não maionese), NotCheese (não queijo) e NotYogurt (não iogurte), a NotCo não se considera uma empresa de alimentos, e sim de tecnologia. Seu grande produto é Giuseppe, nome dado ao software que utiliza inteligência artificial para encontrar, em uma base de dados moleculares de mais de 7 mil plantas, a fórmula ideal para se produzir comida a partir delas. A NotMayo, por exemplo, é feita com base na molécula do grão-de-bico.

Além dos dados moleculares, o software também analisa uma base de sabores e texturas. A união de todas essas informações cria, segundo descreve a empresa, um “um produto exatamente igual à maionese, mas não é”. O Giuseppe deve possibilitar à NotCo ampliar seu portfólio com a análise de mais plantas e alimentos tradicionalmente não veganos. 

Hoje, a maionese sem ovo conquistou 10% do mercado do molho no Chile. O produto chegou ao mercado em 2017 e está disponível em mais de mil lojas no país. O plano de expansão da NotCo passa primeiramente pelo Brasil, e, segundo a Fast Company, os produtos devem ser vendidos na rede Pão de Açúcar ainda em março.

Nos EUA, é esperado que os produtos da NotCo cheguem ao mercado a partir do ano que vem. A rede de supermercados Whole Foods, cujo dono é Jeff Bezos, deve facilitar este processo.

Tecnologia vegana

Segundo a consultoria CB Insights, o mercado de proteínas sem carne não só está em franco crescimento como é mais eficiente do que o tradicional. Produzir carnes e laticínios em laboratório reduz gasto de água, emissão de gases e o tempo de “criação animal”. Isso, claro, sem quantificar crueldade com os animais e possíveis ganhos para a saúde humana.

Empresas do Vale do Silício como a Impossible Foods e a Beyond Meat (veja o vídeo abaixo) são alguns dos principais nomes quando se fala em carne feita em laboratório. A Finless Foods também é um exemplo - a startup sintetiza frutos do mar. A NotCo prova como o mercado de laticínios também está ameaçado por esta tendência e mostra o potencial da América Latina no setor.

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