Por que 2020 será o ano das fintechs — e o impacto disso no mercado

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

5 de fevereiro de 2020 às 12:12 - Atualizado há 6 meses

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Em 2019, o Brasil ganhou novos unicórnios — startups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais. O país foi o terceiro a formar mais empresas como essas. Gympass, Loggi, Quinto Andar, Ebanx e Wildlife alcançaram o título e se juntaram a outros nomes como Nubank, Ebanx e QuintoAndar. O que podemos esperar para 2020? 

Acompanhando os últimos acontecimentos no ecossistema de inovação e analisando fundos de capital de risco, de private equity e bancos de investimentos, a consultoria norte-americana Tracxn publicou uma lista dos soonicorns e minicorns que merecem nossa atenção. Os termos se referem, respectivamente, a startups que têm grandes chances de ultrapassar a tão sonhada marca em breve ou a médio prazo. 

O estudo leva em consideração empresas altamente valorizadas e com sucesso desde a fundação. Com base nestes parâmetros, um setor se destacou. Para 2020, a Tracxn publicou um documento especialmente dedicado ao mercado de fintechs. E não foi por acaso: de acordo com um levantamento realizado pela empresa, existem cerca de 5 mil startups no Brasil, das quais mais de 600 oferecem serviços financeiros — número que cresce a cada ano.

Os próximos unicórnios

Criada em 2012, a Creditas é a primeira startup citada pela Tracxn como uma soonicorn. A fintech de empréstimos ganhou ainda mais visibilidade depois de receber um aporte de US$ 231 milhões liderado pelo Softbank — grupo japonês responsável por alguns dos maiores investimentos do ecossistema de inovação. Pouco antes, a startup ainda anunciou a compra de uma startup de crédito e revelou planos de triplicar sua receita até o final de 2019

O estudo também destacou o Guiabolso como uma das fintechs mais promissoras. A startup foi fundada em 2012 para transformar, com ajuda da tecnologia, a forma como os usuários lidam com as finanças. Com mais de 6 milhões de clientes cadastrados, a empresa busca se tornar um hub com diversos serviços

Além da Creditas e Guiabolso, outras três startups poderão se tornar unicórnios em breve: a Neon, que no final de 2019 levantou R$ 400 milhões em uma rodada de investimentos; a Weel, plataforma online de antecipação de recebíveis que também recebeu um aporte no mesmo ano; e ContaAzul, startup catarinense de gestão de empresas.

Outros destaques

Fintechs em estágio inicial, mas com grande potencial de se tornar unicórnios a longo prazo, também foram destacadas pela Tracxn. A Contabilizei é uma delas. A startup foi criada em 2013 por Vitor Torres (foto em destaque), que abandonou a vida militar para empreender. Em 2019, a empresa recebeu R$ 75 milhões em uma rodada liderada pelo fundo americano Point72 Ventures.

A corretora digital Warren também foi citada pela Tracxn por conta de seu crescimento acelerado. Compondo a lista das minicorns, a fintech usa inteligência artificial para ajudar clientes a investirem. No ano passado, a startup recebeu R$ 25 milhões em uma rodada liderada pelos fundos Ribbit Capital e Kaszek Ventures, que também investiram no Nubank e GuiaBolso.

Outras 14 startups apareceram na lista pelo alto potencial de crescimento e pela escala de suas soluções, entre elas Pitzi, RecargaPay, idwall, Cora, Pier e Vindi.

O ano das fintechs

De acordo com um estudo realizado pelo boostLAB, programa de startups do BTG Pactual, o valor investido nas startups do setor financeiro aumentou mais de sete vezes entre 2016 e 2018 no Brasil — saltando de R$ 203 milhões para US$ 1,5 bilhão.

O cenário otimista pode ser atribuído a alguns fatores. Com a chegada das fintechs, o mercado passou por uma verdadeira revolução. Por meio da tecnologia, as startups trouxeram serviços mais acessíveis, inclusão aos desbancarizados e soluções de educação financeira para mais de 63 milhões de inadimplentes no Brasil número atualizado pela Serasa Experian no início deste ano. Com esse movimento, as fintechs podem expandir seus negócios. 

Além disso, a regulamentação do open banking também tem impulsionado o crescimento dessas startups. O modelo brasileiro tem sido discutido há vários meses pelo Banco Central e trará grandes mudanças. De acordo com o órgão federal, as normas sairão em breve e devem trazer flexibilidade para que pequenas instituições financeiras possam testar novos produtos, serviços e modelos de negócio inovadores.

Não se pode negar que 2020 será um ano promissor para as fintechs. Para entender melhor o mercado, o modelo de gestão e as ferramentas que estão desbancando os grandes bancos tradicionais, participe da Fintech Conference, que acontecerá em São Paulo neste ano.