“Inteligência artificial está se tornando o ar que respiramos”, diz professor de Stanford

Kartik Gada, professor de inteligência artificial em Stanford, discutiu sobre o tema no Silicon Valley Conference deste sábado (29)

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A inteligência artificial surgiu e é tema de discussões há muito tempo. Segundo Kartik Gada, professor de inteligência artificial de Stanford, já falávamos sobre a tecnologia em 1980 – na época, a teoria era que se a I.A pudesse vencer humanos no xadrez, eles se tornariam obsoletos.

Em 1997, a tecnologia disputou contra o maior jogador de xadrez do mundo e ganhou. Muitas pessoas ficaram muito preocupadas e foi sugerido um jogo “mais difícil”, o Jeopardy!. No caso, o jogo era considerado mais difícil para a inteligência artificial porque requer a interpretação – a sugestão foi no início dos anos 2000 e, em 2011, a inteligência artificial da IBM, o Watson, ganhou de lavada dos vencedores mundiais. Em 2016, o mesmo feito se repetiu, mas com a inteligência artificial ganhando em um jogo popular na Ásia ainda mais complexo, o Go.

Hoje, a inteligência artificial não tem o potencial apenas de vencer os melhores campões em seus jogos – seu alcance vai muito além disso. Para o professor Gada, a inteligência artificial existe desde as mais simples calculadoras aos sistemas de busca, assistentes virtuais e carros autônomos. “A inteligência artificial está se tornando o ar que respiramos – e nós só iremos perceber isso se ela acabar”, comentou.

O professor de Stanford explicou que existem, hoje, três categorias dessa tecnologia: a inteligência artificial por si só – e que abrange as outras categorias -, o machine learning e o deep learning – a mais avançada e rápida delas.

Por quê agora? A inteligência artificial vai roubar meu emprego?

Nós já discutíamos sobre inteligência artificial e seus efeitos há muitos anos, mas a tecnologia só se tornou uma tendência mais recentemente por dois motivos: o lançamento das GPUs da Nvidia e o big data. “A NVDIA se tornou a empresa mais sortuda do mundo porque eles inventaram a GPU, e agora conseguimos rodar a inteligência artificial de forma agressiva, acessando redes neurais”, comentou o professor.

Já o big data foi um caminho necessário para a popularização da inteligência artificial pela grande oferta de dados. “Agora, nós temos os dados modernos que mais importam e, em breve, teremos muito mais do que temos hoje”, disse Kartik Gada.

Novos dados estão surgindo com o uso da aplicação, ao mesmo tempo em que seu uso aumenta o potencial de análise e execução de atividades em diversas áreas, como a saúde, varejo e mobilidade. “Nos diagnósticos médicos, a medicina funciona de uma forma muito antiquada – hoje temos que sair de casa, ir até o médico, ele tem que decorar tudo e descobrir o diagnóstico. Em casos de doenças raras, é necessário visitar vários até algum descobrir – mas nenhum médico consegue saber mais do que a I.A, porque nenhum médico consegue ler mais do que 100 artigos por ano ou ter essa fração de conhecimento”, explicou Gada. Não que os médicos sejam incompetentes – é que é impossível competir com uma máquina na quantidade de informações assimiladas.

Já os e-commerces, segundo o professor, possuem um grande benefício frente ao varejo físico justamente pela quantidade de informações que é possível gerar. “Hoje, a mentalidade que existe é que a inteligência artificial irá roubar empregos. A que deveria existir é: qual a porcentagem de minhas tarefas que serão automatizadas? Se for, você pode fazer o dobro do que não é automatizado e pode ganhar o dobro, pense dessa forma...”, explica Gada. Para ele, a perda de emprego só atingirá a parte mais baixa da produtividade, e criará outros empregos para compensar.

A inteligência artificial transformando a política

Kartik Gada acredita que a inteligência artificial poderá mudar inclusive os governos. “A inteligência artificial força os governos a ficarem mais eficientes, mas nenhum deles vai querer fazê-lo voluntariamente”, comentou.

Para ele, a inteligência artificial tem o poder inclusive de analisar questões fiscais, aumentando a eficiência de custo da mesma forma como faz com as empresas. “Existem empresas com faturamento de US$ 10 milhões de faturamento em que a inteligência artificial está fazendo muito o trabalho dos colaboradores – em alguns casos, o trabalho de 47 funcionários é feito com uma empresa com 10 colaboradores e inteligência artificial”, finaliza.

Foto: Eduardo Viana

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