O melhor da maior conferência em inteligência artificial e machine learning

StartSe esteve no GTC 2019 e relata o que viu de melhor na maior conferência do mundo em inteligência artificial e machine learning, que tem o fundador da Nvidia, Jensen Huang, como anfitrião

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Terminou nesta quinta-feira (21) a 10edição da conferência anual de tecnologia da Nvidia, conhecida como GTC ou GPU Technology Conference. Este ano, o evento atraiu para a pacata cidade de San Jose, na Califórnia, 9.000 desenvolvedores, pesquisadores, profissionais das mais diversas áreas de tecnologia, empreendedores e investidores. A StartSe esteve no GTC 2019 e relata o que viu de melhor na conferência da Nvidia.

Durante os quatro dias do evento, que teve início na segunda-feira (18), houve mais de 600 exposições, entre palestras, painéis científicos e pitchs de startups. As apresentações cobriram o que há de estado da arte em se tratando de aplicações práticas de inteligência artificial e machine learning, ao mundo dos negócios e da pesquisa de ponta. Teve um pouco de tudo.

Por exemplo, a utilização de inteligência artificial para investigar violações de direitos humanos ao redor do mundo, caso apresentado por Fred Abrahams, do Human Rights Watch. Teve também o uso de algorítimos que utilizam inteligência artificial para melhorar a gestão do estoque do Walmart, cujo desafio é melhorar a previsão de vendas (forecasting) para o ano, dado o enorme volume do sortimento (são 500 milhões de combinações possíveis de itens). John Bowman, diretor de data science no Walmart Lab, mostrou que 20% dos diferentes itens do estoque já passam por algorítimos que preveem com melhor acuracidade as vendas, reduzindo custos e ineficiência na gestão do estoque.

E ainda o uso de tecnologias como realidade aumentada e virtual para construir o que a executiva Vicki Dobbs Beck, do ILMxLabs, chama de "storytelling imersivo". A experiência dá ao telespectador a possibilidade de praticamente "viver" a trajetória ao lado do seu personagem em um filme.  Criado em 2015 pela produtora de filmes Lucasfilm, de George Lucas, o ILMxLAB já virou um sucesso, tendo produzido Carne y Arena, de Alejandro G. Iñárritu, e Star Wars: Secrets of the Empire. No vídeo, um exemplo de como a tecnologia é usada na produção de Carne y Arena.

Jensen Huang, o anfititrião da GTC

Jensen Huang, o cofundador e CEO da Nvidia, participa ativamente da conferência GTC. Além de realizar a abertura do evento, na segunda-feira (18), o executivo esteve em vários painéis, incluindo as apresentações das startups, que mostraram usos diversos de inteligência artificial e machine learning. As aplicações vão desde criar barcos cargueiros autônomos, tornar mais eficientes softwares de tradução de línguas, até supervisionar obras de infraestrutura.

Todos os anos, a Nvidia vasculha centenas de startups que usam a sua unidade de processamento gráfico, a GPU (logo abaixo explico do que se trata), para acelerar aplicativos não gráficos, como inteligência artificial, ou de reconhecimento de padrões. Deste trabalho, surge um punhado delas que participam do programa de aceleração da Nvidia, chamado de Inception. Na conferência, os fundadores destas startups têm a chance de mostrar o seu trabalho, e fazem um pitch para os participantes.

Startups são um show a parte

Dentre as startups que estiveram no GTC 2019, uma das mais celebradas foi a Prenav, do empreendedor Nathan Schuett. A startup criou drones altamente automatizados, conduzidos por algoritmos, e que utilizam machine learning para fazer a inspeção de pontes, barragens, usinas elétricas e torres elétricas. A startup de Redwood City, na Califórnia, usa seu sistema de navegação aéreo para colocar os drones próximos aos pontos de inspeção nas instalações que está monitorando.

Segundo Schuett, há nos Estados Unidos mais de 900.000 pontes. Por lei, cada ponte deveria ser inspecionada a cada dois anos, para garantir que não haja rachaduras, ferrugem ou outros danos. Isso significa que, todos os dias, 1.232 pontes precisariam ser fiscalizadas. "A manutenção contínua é cada vez mais importante, e nós queremos ajudar a melhorar a inspeção para que não ocorram acidentes", disse o CEO da Prenav.

Os drones do Prenav voam próximos às estruturas, tirando centenas de fotos em alta resolução, que são posteriormente montadas em 3D. Aí entram em cena os algoritmos, treinados para aprender a partir de defeitos já reportados em inspeções anteriores, para avaliar as estruturas em busca de rachaduras em concreto, fraturas no aço, falta de rebites, chavetas enferrujadas, etc. A startup teve investimento de US$ 6,5 milhões em 2016 e se prepara para uma nova capitalização.

Em um determinado momento da apresentação de Schuett, CEO da Prenav, poderia ser apresentado como exemplo o viaduto que cedeu dois metros na Marginal Pinheiros, em São Paulo, no fim do ano passado. Isso por que ele mostrou fotos do desabamento da ponte em Gênova, na Itália, em agosto de 2018, que matou 31 pessoas. A ideia era ilustrar como a tecnologia da Prenav pode evitar acidentes como estes.

Santos Dumont com IA

Uma das atrações do GTC são os "Posters" que ocupam um dos corredores do pavilhão de exposições e conferências. Cada poster resume, em um grande quadro, o trabalho cientifico inédito de um time de pesquisadores que utiliza a tecnologia para resolver um problema crítico. Este ano, foram selecionados mais de 140 trabalhos de pesquisa em nove diferentes áreas (Inteligência artificial e deep learning, Internet das coisas, Veículos autônomos, Data center e infraestrutura na nuvem, Finanças, etc). Há ainda uma competição para escolher o melhor trabalho de pesquisa dentre os participantes da feira de posters. Visivelmente, muitos dos cientistas estão com os nervos a flor da pele nos dias que antecedem a premiação, que aconteceu nesta quinta-feira (21).

O prêmio para o vencedor é de US$ 5.000, mas não é só o dinheiro que está em jogo - e sim a exposição do vencedor. Participam do GTC investidores e diretores de pesquisa dos maiores centros de pesquisa e desenvolvimento do mundo. E todo pesquisador quer ter a oportunidade de aparecer para este público de cientistas e investidores. Dos mais de 140 expositores de posteres, cinco foram escolhidos, pelo público do evento, como finalistas.

Entre eles, o engenheiro brasileiro Nilton Guedes, fundador da Arteonic, que usa inteligência artificial para projetar formas geométricas. No trabalho que apresentou no GTC, Nilton desenvolveu um software que utiliza a tecnologia de IA para modelar asas de avião, com melhor aerodinâmica do que as atualmente fabricadas. "Nossos testes mostraram que as asas projetadas têm melhor desempenho e, com isso, poderiam levar a uma economia de até 4% de combustível de avião. Para uma empresa que opera comercialmente, isso tem enorme impacto", diz Nilton. O engenheiro brasileiro não levou o primeiro prêmio, mas saiu da conferência satisfeito por ter tido a chance de mostrar o seu projeto para centenas de pessoas.

Depois de quatro dias assistindo às exposições, pitchs de startups, e entender mais sobre os múltiplos usos das novas tecnologias de inteligência artificial e machine learning em áreas tão distintas como varejo, finanças, aviação, entretenimento, setor automotivo, é impossível sair da GTC sem a nítida sensação de que estamos à beira de uma revolução. Uma parcela menor das discussões debateu os limites (éticos e morais) destes avanços, principalmente quando eles estão relacionados às áreas de saúde e segurança. Mas o balanço geral é bem positivo, pois muitos dos problemas que até bem pouco eram insolúveis (seja por falta de conhecimento ou viabilidade econômica), começam a ser solucionados.

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