Gestão estratégica de pessoas por propósito: como criar times campeões

João Gobira

Por João Gobira

16 de março de 2020 às 18:10 - Atualizado há 8 meses

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Definir propósitos pode fazer com que a gestão de pessoas seja ainda mais bem-sucedida.

O que você imagina quando se fala sobre gestão estratégica de pessoas? Provavelmente pensa em algo repleto de teoria, o que não está errado, mas pode deixar uma parte importante de lado: a inspiração, que se torna muito mais viva quando existe um propósito.

A ideia pode parecer um pouco distante para você, mas não estranhe se isso acontecer. Desde quando iniciamos nossa jornada profissional, costumamos olhar para o trabalho como uma forma de ganhar dinheiro e prover nosso sustento, mesmo em uma área que gostamos.

Tal sentimento, inclusive, está arraigado em nossa sociedade desde o início. Pense em nossos antepassados: havia ferreiros, alfaiates, mercadores, fazendeiros, barbeiros, horticultores e afins, os quais exerciam a profissão, quase que sempre passadas de pai para filho, para que tivessem um meio de se sustentar.

futuro do trabalho

Para o dicionário Michaelis, uma das definições de trabalho é “atividade profissional, regular, remunerada ou assalariada, objeto de um contrato trabalhista”, enquanto outra diz que é o “conjunto de atividades produtivas ou intelectuais exercidas pelo homem para gerar uma utilidade e alcançar determinado fim”.

É fato que temos que trabalhar também pelo dinheiro, já que precisamos dele para pagar as contas e cumprir com nossas obrigações, mas não precisa ser apenas por ele. É possível atingir o mesmo objetivo de uma maneira mais satisfatória e interessante, e é aí que entra a definição de um propósito.

Ao assimilar esta linha de raciocínio, é possível ter um desempenho profissional consideravelmente melhor do que já se tem hoje, além das satisfatórias sensações de importância, pertencimento e dever cumprido, as quais são capazes de contribuir até mesmo para aumentar o bem-estar.

Vamos entender como fazer uma gestão por propósito é capaz de fazer muita diferença para a empresa em que trabalha, bem como para a vida dos colaboradores da equipe, tudo isso sem ter que passar por nenhum processo demasiadamente complicado.

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Em que consiste a gestão estratégica de pessoas por propósito?

O que é o engajamento de equipes?

No fato de conduzir a gestão de pessoas de uma empresa de uma forma que faça os colaboradores perceberem um propósito naquilo que fazem, o que vai além de trabalhar apenas para ser remunerado.

Para entender como isso funciona, é importante sair momentaneamente do padrão de pensamento que por vezes é praticado no mercado corporativo e voltar para questões voltadas à satisfação pessoal. Para isso, te convidamos para alguns momentos de devaneio matemático, mas que valerão a pena.

De acordo com a “Tábua completa de mortalidade para o Brasil – 2018”, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a média da expectativa de vida para o brasileiro estava em 76,3 anos em 2018, número que é bem maior do que se via há alguns anos.

Vamos adotar que a vida profissional se inicie aos 18 anos. A aposentadoria por idade, de acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), é de 35 anos de contribuição para os homens e de 30 anos para as mulheres. Para fins de cálculo, vamos adotar o período de 35 anos.

Em relação à jornada de trabalho, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) exige que a carga horária máxima seja de 44 horas semanais e de 220 horas por mês. Porém, vamos contabilizar a média diária de 8 horas e 48 minutos por dia, com a respectiva compensação para não precisar trabalhar aos finais de semana.

Tirando os dias do final de semana, temos, no máximo, 261 dias úteis por ano, sem contar os feriados e pontos facultativos, que variam de acordo com cada município e unidade federativa. Tirando um mês de férias por ano, que é um direito do trabalhador, sobram 238 dias por ano.

238 dias úteis, com 8 horas e 48 minutos trabalhados por dia, resultam em 125.664 minutos, ou 2.094,4 horas. Arredondando, são quase 2.100 horas trabalhadas por ano, que multiplicadas por 35 anos de contribuição, resultam em 73.500 horas até que seja possível se aposentar pela Previdência Social pelas regras atuais.

Você pode estar se perguntando o que esses cálculos têm a ver com a gestão estratégica de pessoas por propósito, mas já estamos chegando lá e, inclusive, fica aqui a gratidão por ter participado dessa linha de raciocínio.

Pela expectativa de vida do brasileiro, de 76,3 anos, cada pessoa vive, em média, 668.338 horas em sua vida. Portanto, de 668.338 horas na vida, aproximadamente 73.500 precisam ser gastas trabalhando até que seja possível se aposentar pela Previdência Social, o que corresponde a 11% de sua vida.

A explicação para essas contas que podem parecer não fazer sentido é que de todo o tempo da sua vida, apenas 11% é gasto trabalhando. É claro que isso pode variar para mais ou para menos, mas mesmo que alguém trabalhe o dobro do que calculamos, 22% do tempo de toda a sua vida será dedicado às atribuições profissionais.

O ponto que queremos ressaltar aqui é que o trabalho é uma parte importante da vida, sem dúvida alguma, mas ainda há muito além disso. Fazê-lo apenas por fazer, sem um significado mais profundo por trás disso, pode se tornar enfadonho em algum momento.

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É aí que entra a gestão de pessoas por propósito, cujo conceito pode até ter passado por sua mente em algum momento, mas se for devidamente assimilado, te fará lidar de uma maneira totalmente diferente e ainda mais positiva sobre o assunto.

Veja também: 15,7 milhões de brasileiros não terão mais empregos – e estão felizes com isso…

Como funciona a gestão por propósito?

Como a cultura e a sociedade interferem no engajamento?

Através da compreensão de que existe um verdadeiro propósito por trás das atribuições profissionais, o que indubitavelmente atua como uma motivação para prosseguir e sentir uma satisfação especial.

De acordo com o portal Statista, de 2005 a 2016, a média percentual de trabalhadores que estão, no geral, satisfeitos com seus empregos nos Estados Unidos é de 83%. O menor indicador foi em 2005, com 77%, enquanto o maior apareceu em 2016, com 89%.

Já a pesquisa “Job Satisfaction 2019”, feita pela The Conference Board, mostrou que aproximadamente 54% dos trabalhadores dos Estados Unidos estão satisfeitos com o seu trabalho, número 3% maior que o verificado em 2018, o que, inclusive, representou o maior aumento em um único ano na história da pesquisa.

A nível nacional, um levantamento do Instituto Locomotiva e do Grupo LTM indicou que apenas ⅓ dos trabalhadores no Brasil estão satisfeitos com seu trabalho de maneira geral, enquanto 56% querem mudar de emprego.

Nós não temos como precisar quais são os motivos que levam à insatisfação que aparece nos números, pois cada pessoa tem um diferente ponto de vista e, portanto, apresenta exigências também divergentes, mas é bem provável que a gestão por propósito pode beneficiar a todas elas.

Um exemplo claro de gestão de pessoas por propósito é o valor que é dado aos professores. Geralmente, diz-se que eles preparam cidadãos, não que dão aulas. De maneira similar, os médicos são reconhecidos por salvar vidas, não por atenderem em consultas e exames.

Não é errado dizer que um professor dá aulas ou que um médico está à disposição para atender aos chamados de emegência, por exemplo, mas o sentimento é totalmente diferente quando se fala sobre formar cidadãos e salvar vidas.

Pois bem, é nisso que consiste a gestão por propósito. Ao invés de se ater à atribuição profissional, pensar na questão de uma maneira lúdica, mas igualmente real, é muito mais recompensador e prazeroso.

A definição do propósito pode ser feita para praticamente todas as profissões. Técnicos de redes ajudam a deixar o mundo conectado, redatores abastecem a internet com conteúdos para ajudar aos outros e cozinheiros saciam a fome enquanto satisfazem os clientes e os deixam mais felizes, por exemplo.

Não é uma questão das profissões em si, mas sim de como se lida com elas, o que depende ativamente dos responsáveis pela gestão estratégica de pessoas e da forma com a qual eles realizam seu trabalho.

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Como a gestão de pessoas por propósito pode ajudar a construir equipes campeãs?

Liderança e gestão (1954)

Pela adoção de um novo ponto de vista por parte dos colaboradores. Afinal de contas, já que todos precisam trabalhar, é melhor que isso seja feito tendo em vista um propósito digno e recompensador, sem deixar de lado a merecida remuneração pelas atividades, o que tende a trazer resultados muito mais eficientes.

Essa pode ser uma mudança importante na forma de lidar com as relações profissionais, mas é normal que isso aconteça. Afinal de contas, as pessoas estão mudando, o emprego das 9h às 18h vai acabar e o futuro do trabalho será bem diferente do que estávamos acostumados há alguns anos.

futuro do trabalho

Quem já é um médico hoje deve continuar a ser médico daqui a alguns meses ou anos (a menos que não queira, é claro), mas a satisfação que ele obtém ao saber que salva vidas e mantém famílias unidas é muito maior do que apenas pensar que ele está com a agenda cheia para novos atendimentos.

Nós já comentamos por aqui sobre algumas dicas de gestão de pessoas para tirar o melhor do seu time, e duas delas eram conhecer os colaboradores da empresa e falar em uma linguagem que as pessoas possam entender, o que também passa pela forma de comunicar as mensagens.

O engajamento é uma das características mais procuradas pelos gestores de RH, mas isso deve ser uma via de duas mãos: eles oferecem um ambiente de trabalho adequado e saudável aos colaboradores e, então, recebem em troca um envolvimento ímpar com a empresa, além de um desempenho desejável.

A questão da gestão estratégica de pessoas por propósito vai além das relações profissionais e passa por objetivos de vida, o que faz com que seu peso seja muito maior e mais significativo para os trabalhadores, os quais, por sua vez, recebem um incentivo adicional para o desempenho de suas atividades.

Para concluir, uma pesquisa sobre o que realmente nos faz felizes, chamada de “Study of Adult Development”, começou em nada menos que 1938 e existe até os dias de hoje e, sem sombra de dúvidas, é uma fonte altamente relevante sobre o assunto.

Tal pesquisa começou com 700 rapazes, sendo que hoje tem aproximadamente mil homens e mulheres sendo estudados, inclusive filhos dos participantes originais, o que mostra uma continuidade impressionante.

Entre tantas conclusões, de acordo com Robert Waldinger, o quarto diretor desde o início do projeto, a qualidade dos relacionamentos é fundamental para que as pessoas se mantenham felizes e saudáveis ao longo da vida, o que não se aplica apenas à parte pessoal, mas também à profissional.

Se manter um relacionamento saudável é o segredo para estar feliz, a gestão estratégica de pessoas por propósito tem um papel determinante nisso e na construção de equipes campeãs. Afinal, seja sobre 11%, 22% ou qualquer outro percentual, o setor de RH tem influência direta na satisfação e no desempenho individual e coletivo de cada colaborador.