Creditas deve chegar a 1.000 funcionários e quer triplicar receita até o final do ano

Em entrevista a StartSe, Sergio Furio, fundador e CEO da fintech Creditas, fala sobre o crescimento da empresa, sua cultura e como enxerga a evolução do mercado financeiro, com fintechs e bancos brigando para oferecer o melhor serviço aos clientes

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Ao fim deste ano, a Creditas deve alcançar a marca de mil funcionários trabalhando em seu escritório. E, se o negócio continuar girando na velocidade em que está, a maior fintech brasileira de empréstimo com garantia vai triplicar a sua receita em 2019. São estes os números que estão no radar de Sérgio Furio, fundador e CEO da Creditas. A fintech foi criada em 2012 para oferecer crédito com taxas mais acessíveis ao utilizar um veículo ou imóvel como garantia.

De acordo com Furio, a Creditas começou o ano com 500 funcionários. Hoje são 700, com a perspectiva de chegar a 1.000 profissionais, em dezembro. Somete neste mês, foram abertas 20 novas vagas, com destaque para a área de tecnologia, cuja missão é reduzir a burocracia e gerar maior agilidade na oferta do crédito. O maior número de contratações só é possível pois o negócio cresce. A receita da fintech cresceu sete vezes em 2017; no ano seguinte, o faturamento foi multiplicado por cinco e a expectativa é de ao menos triplicar esse quesito nos próximos três anos.

Em sete anos, a Creditas já recebeu mais de um milhão de solicitações de empréstimos, que giram na casa dos 17 bilhões de reais, gerando economia de 420 milhões de reais em comparação à taxa média do empréstimo pessoal no país. A ideia basilar é que os brasileiros usem o recurso do crédito de forma mais produtiva para realizar seus projetos de vida sem ficar “mal endividado”. E isso passa por investir no próprio negócio, reformar a moradia, estudar ou qualquer outro sonho particular.

“O crédito com garantia permite que o brasileiro use seus bens a seu favor. Colocando um bem como garantia, o risco de crédito para a instituição financeira fica menor. Então é possível oferecer uma combinação de valores maiores, taxas mais baixas e prazos mais longos, o que leva a parcelas menores e menos impacto na renda familiar”, sintetiza.

Cultura, valores, produto e processos

O crescimento acelerado da fintech é consequência da operação minuciosa de seus “tripulantes” – como eles se autodenominam – da nau verde. “Desenvolvemos um programa especial de onboarding, que dura uma semana. São seis dias intensos em que os novos tripulantes aprendem tudo sobre nós, mergulhando de cabeça na nossa cultura, valores, produto e processos. E temos feedback positivo tanto dos que estão na empresa, quanto dos que acabaram de ingressar”, diz Furio.

Ao final do ano passado, Creditas ficou em segundo lugar como uma das startups mais desejadas para se trabalhar, segundo ranking do LinkedIn – atrás apenas do Nubank. “Tudo o que fazemos leva em consideração o desenvolvimento e bem-estar de todas as pessoas que trabalham na Creditas, e acho que isso tem gerado bons resultados. Tenho certeza de que a cultura é um dos pontos mais importantes para garantir o engajamento”, afirma.

Estruturas sólidas

A Creditas tem valores inegociáveis, que se apresentam no dia a dia de trabalho ou no relacionamento interpessoal entre seus funcionários. A ideia de times engajados, seja na vitória ou na derrota, é a marca do conceito True Team Players (verdadeiros jogadores de equipe), que vem acompanhado do Brutally Honest (brutalmente honesto), ou seja, a ideia de que todos sejam francos nas atividades laborais com os colegas.

“Todo mundo é transparente ao falar o que pensa, desencorajamos ativamente a politicagem, todos podem dar feedback com respeito. Outro valor importante é o Warriors (somos guerreiros), porque aqui as coisas acontecem muito rapidamente, mudam. Então é importante ter esse sentimento de dar o melhor e buscar o melhor tanto em resultados como dentro da empresa”, explica Furio.

Não menos importante é a mentalidade Think Like Owners, a qual os colaboradores pensam como donos do negócio, que “tem trazido resultados incríveis em toda a esteira da Creditas”, segundo o CEO.

Espaço para as fintechs

Para Furio, o sistema financeiro brasileiro é paradoxal: avançado e ineficiente. Os atores tradicionais, que contam com capilaridade e base de clientes, investem em tecnologia para manter arquétipos antigos. A análise do CEO da Creditas expõe que a vantagem competitiva da última década no quesito rede de agências se tornou uma pressão de custos em um mundo com alta penetração de smartphones.

“Neste ambiente, há inúmeras oportunidades para empreender e espaço para as fintechs explorarem diversos produtos e modelos de negócio. As fintechs nascem mais ágeis e com uma mentalidade mais centrada no consumidor. Em 10 anos, provavelmente não haverá mais distinção entre bancos e fintechs. Os bancos necessitam incorporar características de fintech, e as fintechs de sucesso devem se aproximar dos bancos em algumas dimensões. E neste contexto ocorrerão todos os tipos de competição e colaboração”, diz.

O desafio é superar a si mesmo

Sergio Furio trabalhou por 12 anos no mercado financeiro, cinco dos quais como vice-presidente de investimentos no Deutsche Bank e outros sete como consultor no Boston Colsulting Group (BCG). Empreender, até então, não era uma possibilidade, até ele perceber que as empresas para as quais prestava serviços não estavam acompanhando as mudanças de hábito e a velocidade da transformação digital.

“Liderei um projeto de um banco espanhol que adquiriu um banco nos Estados Unidos. E vi muitos amigos em Nova York largando seus empregos de altos salários para empreender, o que me brilhou os olhos. [Empreender] tem sido uma experiência incrível. Demorou oito meses até entrar o primeiro real, mas eu sempre acreditei nessa ideia. Uma das coisas mais difíceis da vida não é superar os outros, mas sim a si mesmo. Empreender é isso, superar a si mesmo todos os dias”, define.

Crédito foto: Túlio Vidal | Divulgação Creditas

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