Yunus Negócios Sociais: conheça a aceleradora e investidora de negócios sociais

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Por Isabela Borrelli

20 de julho de 2018 às 19:30 - Atualizado há 2 anos

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Na década de 1970, Muhammad Yunus, professor de uma universidade em Bangladesh, resolveu entender a pobreza que testemunhava todos os dias em busca de uma forma de combatê-la. Na época, ele testemunhou que as pessoas que estavam em uma situação de pobreza trabalhavam e ao mesmo tempo o país tinha matéria prima. O problema era mais embaixo.

Grande parte dessas pessoas que trabalhavam e não conseguiam sair da situação precária estavam presas por empréstimos com juros altíssimos, cobrados por agiotas. A maioria do ganho ia para os agiotas e o pouco que sobrava era usado para necessidades básicas, como alimentação. Quase um regime análogo à escravidão.

Frente a essa realidade, Yunus fez um experimento: pagou dívida de um grupo de mulheres e propôs que elas pagassem a dívida em um ano com um juros bem abaixo da média do mercado, de 8% a 20% ao ano. Era o começo do Grameen Bank, que, em 2006, renderia ao professor o Prêmio Nobel da Paz e também o título de “pai do microcrédito”. Hoje, o Grameen Bank conta com 12 milhões de clientes, mais de 12 bilhões de dólares emprestados, sendo que 98% deles são mulheres, e menos de 3% de taxa de inadimplência.

Mas Muhammad Yunus não parou por aí. Depois do sucesso obtido com a solução de um banco para resolver o problema de acesso a crédito, ele protótipo e empreendeu diversas outras empresas nas áreas de educação, energia, telefonia, nutrição sempre com foco na solução do problema. As iniciativas deram certo e anos depois ele fundou a Yunus Social Business, uma aceleradora e investidora de negócios sociais, ou seja, que tragam a solução para algum problema social e que gerem receitas suficientes para cobrir seus custos. A iniciativa nasceu na Alemanha com um fundo e fazendo aceleração em países em desenvolvimento.

Segundo Francisco Vicente, Gestor de Aceleração e Investimento da Yunus Negócios Sociais Brasil, os países principais hoje são: Brasil, Uganda, Quênia, Colômbia e Índia. Aqui no Brasil, a empresa atua em duas vertentes principais: uma focada em corporações e outras em empreendedores sociais.

Empreendedores sociais

“Existem muitos agentes de mudanças que estão por aí, que saem de faculdades e não querem entrar em uma empresa, ou que trabalharam em empresas tradicionais por muito tempo e querem empreender, ou empreendedores por necessidade, etc., que podem fazer a diferença. Por isso o foco em empreendedores”, explicou Vicente.

O programa de aceleração oferecido pela empresa cobre capacitação, mentoria, pontes com parceiros comerciais e investe via dívida, ou seja, gera crédito para os empreendedores com taxas bem abaixo do mercado e eles têm prazo de cinco a sete anos para pagá-las. Segundo o gestor de aceleração: “O ticket médio gira em torno de R$ 500 mil, mas pode chegar até R$ 3 milhões e com prazo de 5 a 7 anos para devolver”.

Já os critérios para participar do programa são específicos. O negócio pode ser como outro qualquer, com receita e lucro, mas esse lucro é reinvestido 100% no próprio negócio. Apesar de lucrativo, não há distribuição de dividendo para o investidor, ele recebe de volta o principal e o sócio empreendedor deve receber um salário condizente com o mercado. Além disso, o negócio deve ser focado em resolver algum problema social, educação, moradia, saúde, etc.

Até agora, a empresa conta com quatro iniciativas no portfólio:

Moradigna: iniciativa que promove a reforma habitacional em comunidades de baixa renda.

Assobio: empresa que viabiliza soluções socioambientais para facilitar o desenvolvimento sustentável do planeta.

Instituto Muda: coleta seletiva de resíduos sólidos em condomínios residenciais, no qual 100% desse resíduo vai para cooperativas, que geram renda por meio disso.

4YOU2: escola de inglês que conta com professores estrangeiros que passam um período no Brasil, de 6 meses a um ano, como um intercambio. O impacto social da iniciativa vem, principalmente, com o preço, muito mais acessível que o normal.

Corporações

Já para corporações a empresa oferece atualmente 3 tipos de serviços. O primeiro deles é um programa de inovação de impacto social, o Corporate Action Tank, para a criação de negócios sociais e soluções criadas pelas próprias empresas a partir de suas expertises e de seu core business. O exemplo mais famoso é o da Danone, que em Bangladesh criou uma empresa para produzir um iogurte especialmente fortificado para combater a desnutrição naquele país.

Aqui no Brasil, o caso mais conhecido é o criado com a Ambev, a Água AMA. Criada e lançada no mercado exclusivamente para que seu lucro seja 100% reinvestido em soluções e tecnologias para gerar acesso a água em regiões do semi-árido do Brasil. Segundo Evelin Giometti, gestora dos programas com corporações: “Já passaram pelo programa empresas como Ambev, Johnson, Natura, Nestlé, entre outras”.

Além deste programa, a Yunus Negócios Sociais Brasil oferece ainda para corporações o serviço de criação de aceleradoras setoriais customizadas. “Realizamos uma busca não só no Brasil mas também em outros países, de empreendedores sociais com soluções específicas para setores como mobilidade, saúde, energia, nutrição, etc, dependendo do setor em que a corporação atua e tenha interesse”, afirma. Depois de encontrar as soluções mais inovadoras e de maior potencial, a empresa cria um processo de apoio e aceleração customizada para estes empreendedores, com todo suporte e participação da corporação, inclusive com o trabalho de mentores.

O 3º serviço oferecido para Corporações complementa este último. “Criamos mecanismos de investimentos, fundos corporativos, para que a empresa possa investir e se tornar sócia ou apoiadora financeira destas start-ups aceleradas dentro do seu setor de atuação.”