A nova onda chinesa de investimentos no Brasil

A China já investiu quase US$ 60 bilhões no Brasil nos últimos dez anos, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China; agora o foco dos asiáticos no país são as fintechs, o varejo online e as indústrias de mobilidade e celulares

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No final do ano passado a Aihuishou, líder de mercado chines na revenda do iPhone, investiu US$ 3 milhões na Trocafone, empresa brasileira com operações em São Paulo e Buenos Aires. Fundada em 2014, a Trocafone comercializa mais de 35 mil celulares e tablets por mês e opera, por meio de parceiros, em mais de 2 mil lojas, além de seu site.

O investimento, como outros de empresas chinesas em empresas nacionais, sinaliza uma nova etapa do interesse dos asiáticos por startups de tecnologia, um ciclo que teve início em 2018, quando a Didi Chuxing, plataforma de transporte e mobilidade urbana, adquiriu, por US$ 600 milhões, o controle da 99, dona do segundo aplicativo de transporte mais usado do país, depois do Uber.

No total, nos últimos dez anos, o chineses investiram quase US$ 60 bilhões no Brasil, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China; agora o foco dos asiáticos são as fintechs, o varejo online e o mercado de smartphones e celulares usados.

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Segundo Enrique Dussel Peters, coordenador-geral da Rede Acadêmica da América Latina e Caribe sobre a China, o comércio entre China e Brasil e a transferência financeira decorrente dele sustentam 1,6 milhão de empregos no país, afirmou o pesquisador em entrevista ao jornal O Globo.

A China vem construindo a imagem de nova economia digital. Parte desta estratégia é baseada no fortalecimento de sua presença global por meio de empresas de tecnologia. E o Brasil se beneficia muito deste projeto. Um exemplo disso foi a inauguração da primeira loja da fabricante de celulares Xiaomi, em junho. Com 200 produtos com preços que vão de R$ 25 a R$ 9 mil.

A Xiaomi prevê uma segunda loja no país até o final do ano e uma agressiva expansão em 2020.

Outra empresa chinesa que intensificou os seus investimentos no Brasil é a BYD,  gigante chinesa que produz painéis solares, carros, caminhões e ônibus elétricos. A empresa venceu recentemente uma licitação para a implantação do monotrilho de Salvador, cujas obras começam em outubro, segundo o governador da Bahia, Rui Costa.

Segundo Adalberto Maluf, diretor da BYD Brasil, a empresa está fazendo parcerias com outras empresas nacionais como a catarinense WEG, de motores, para o desenvolvimento de materiais e novas tecnologias.

Novo ciclo de expansão da 99

A 99, que representou a nova fase dos investimentos chineses no Brasil, por meio de startups de tecnologia, está trazendo um novo executivo da Didi para o Brasil nas próximas semanas. Mi Yang, líder de expansão da Didi para a América Latina, está baseado há 10 meses em Bogotá, na Colômbia.

Yang deve aterrissar em breve no Brasil para expandir a operação, com foco em segurança do passageiro e no desenvolvimento de um novo centro de atendimento, que funcionará 24 horas por dia. Está última informação é de O Globo.

Em seu perfil no LinkedIn, Mi Yang informa que está recrutando profissionais.

As novas oportunidades de investimento dos chineses no Brasil, no entanto, poderão vir da velha economia, nas concessões de estradas federais e estaduais, e no setor de energia renovável.

O maior volume de recursos chineses direcionados ao Brasil vem fazendo com que mais estudantes tenham interesse em aprender o mandarim. Os universitários, em particular, veem a China como uma opção de trabalho.

E isso se reflete na maior procura pelo idioma em escolas e centros de estudos e cultura chinesa como o Instituto Confucio, parceria iniciada há quatro anos entre o Ministério da Educação da China, a Unesp e a Universidade de Hubei.

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