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Vem aí o primeiro iPhone dobrável?

John Ternus assumirá o comando da maior empresa do mundo em setembro. O iPhone Ultra, o primeiro dobrável da história da marca, pode ser o primeiro grande teste do executivo

Vem aí o primeiro iPhone dobrável?

John Ternus chega à cadeira de CEO com um gigantesco desafio que só a empresa mais valiosa do mundo poderia proporcionar

Bruno Lois

, Editor

8 min

11 mai 2026

Atualizado: 11 mai 2026

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Circulam rumores consistentes sobre um dispositivo chamado iPhone Ultra — um smartphone dobrável em formato livro, com preço acima de US$ 2 mil, tecnologia de dobradiças em titânio e vidro ultrafino, posicionado acima do Pro Max como o novo topo absoluto da linha Apple. Nada confirmado oficialmente. Mas o movimento que ele representa já está em curso, independente de quando o produto chega às prateleiras.

A Apple está redesenhando seu portfólio de cima para baixo. E o timing não é coincidência.

A lógica por trás do "Ultra"

A Apple não inventou o smartwatch, o fone sem fio, nem a categoria de tablets. Ela chegou depois — e redefiniu cada uma delas. A mesma lógica pode estar sendo aplicada aos dobráveis. Samsung, Huawei e Motorola ocupam esse espaço há anos. Mas ocupar não é o mesmo que liderar. E a Apple historicamente não entra em categorias para disputar fatia de mercado — entra para criar o padrão.

Adotar a nomenclatura "Ultra" em vez de "Fold" não é detalhe de marketing. É uma declaração de posicionamento. A Apple sinaliza que esse dispositivo não compete com os dobráveis que existem — ele propõe uma categoria diferente, mais próxima de um objeto de desejo do que de uma ferramenta tecnológica. É a mesma jogada do Apple Watch Edition em ouro, do Mac Pro em torre de alumínio fresada, da Apple Vision Pro como "computador espacial". O produto de ponta não precisa vender muito para justificar sua existência — ele ancora a percepção de toda a linha.

A lógica é clara: quando você sabe quanto custa o topo, o modelo de baixo parece razoável.

O momento em que tudo isso ganha outro significado

A Apple anunciou que Tim Cook se tornará presidente executivo do conselho de diretores e que John Ternus, vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, assumirá como CEO a partir de 1º de setembro de 2026.

É a maior transição de liderança da Apple desde a morte de Steve Jobs, em 2011. E ela chega num momento em que a empresa enfrenta pressões simultâneas: a Apple tem ficado para trás em IA, levantando questionamentos sobre se Cook deveria liderar essa nova fase.

Ternus não é um executivo de operações nem um estrategista de negócios formado em finanças. Ele é engenheiro mecânico, está na Apple desde 2001 e suas impressões digitais estão em cada geração de iPad, na transição dos Macs para o chip Apple Silicon e nas últimas gerações de iPhone. Sua nomeação sinaliza algo importante: depois de 15 anos de um CEO que transformou a Apple numa máquina de distribuição e serviços globais, a empresa está apostando num líder cuja linguagem nativa é o produto.

Cook saiu com números extraordinários: receita crescendo 17% no segundo trimestre, vendas de iPhone 22% acima do ano anterior. Ele constrói o andaime perfeito para que seu sucessor entre com vento a favor — e com a liberdade de arriscar.

O que Ternus herda — e o que precisa provar

Herdar a Apple de Tim Cook é um presente e um peso ao mesmo tempo. Cook multiplicou o valor de mercado da empresa de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões. Mas a Apple perdeu terreno relevante em inteligência artificial, e o Apple Intelligence ainda não convenceu nem o mercado nem os usuários de que a empresa está na vanguarda dessa corrida.

É aí que o iPhone Ultra — e o que ele representa — se torna estratégico demais para ser só um produto. Um CEO de origem em hardware, lançando o dispositivo mais ambicioso da história da empresa, reposicionando o conceito de luxo no ecossistema Apple e entrando em IA pela porta da experiência de produto: esse é o roteiro que Ternus tem diante de si.

A escolha de Ternus representa a preferência da Apple por promover internamente — e sinaliza uma mudança em direção a priorizar a inovação técnica sobre a excelência puramente operacional. Depois de Cook, que foi o mestre da cadeia de suprimentos e da expansão global, a Apple está dizendo ao mercado que o próximo capítulo será escrito por quem entende de chips, materiais e experiência de uso.

A questão real não é se o iPhone Ultra vai dobrar bem. É se John Ternus consegue dobrar a Apple na direção certa — antes que a janela se feche.

Todo grande produto começa numa decisão de liderança.

O iPhone Ultra não é um projeto de engenharia. É uma aposta estratégica sobre o futuro da Apple — feita por um CEO de 51 anos que passou a vida inteira construindo os produtos mais desejados do mundo, e agora precisa construir também a empresa.

Decisões assim — sobre quando entrar, como posicionar, o que sinalizar para o mercado — não aparecem em manuais técnicos. Elas são o resultado de uma liderança que sabe distinguir o que é urgente do que é importante.

No Executive Program da StartSe, você desenvolve exatamente essa visão: como tomar as decisões que definem ciclos, não apenas trimestres.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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