Movimento audacioso da gigante americana expõe a nova ordem das entregas rápidas e o fim dos unicórnios que só crescem por capital de risco
Getir: uma empresa do ecossistema Uber.
, redator(a) da StartSe
5 min
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9 fev 2026
•
Atualizado: 9 fev 2026
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No limiar entre expansão agressiva e guerra por relevância nas ruas das metrópoles, a Uber está prestes a protagonizar um dos capítulos mais estratégicos de sua transformação em superplataforma de logística global. A empresa anunciou um acordo para adquirir o braço de entregas da turca Getir, tradicional startup que virou caso de estudo sobre o auge — e os limites — do modelo de entregas ultra-rápidas.
A Getir não é qualquer nome. Cresceu vertiginosamente durante a pandemia, prometendo entregas de mantimentos e refeições em questão de minutos — um modelo que virou referência em logística urbana. Em 2022, chegou a ser avaliada em quase US$12 bilhões, fazendo inveja a startups de tecnologia em todo o mundo.
Mas quando as ruas voltaram a pulsar vida normal, o crescimento evaporou. Demanda por entregas relâmpago caiu, operações fora da Turquia foram fechadas e a empresa passou por profunda reestruturação. Hoje, o que restou é uma divisão de entrega focada no mercado doméstico — e essa é a parte que a Uber quer comprar.
O acordo prevê que a Uber pague US$335 milhões inicialmente para adquirir o negócio turco de entregas, além de US$100 milhões por participação em outras divisões da Getir, totalizando um movimento significativo — ainda que muito abaixo do pico de valuation da própria Getir.
Esse valor reflete mais que números: representa um ajuste de expectativas pós-pandemia e como gigantes consolidadas estão comprando ativos estratégicos de startups que não conseguiram converter tração em lucro sustentável.
Para a Uber, essa aquisição não é apenas mais um ponto no mapa — é consolidação local + reforço de capacidade logística. Nos últimos meses, a empresa já havia comprado uma grande participação na Trendyol Go, plataforma líder de entregas na Turquia, por cerca de US$700 milhões — um movimento claro para dominar a logística on-demand no país.
Com a Getir, a Uber consegue:
Fortalecer o Uber Eats e o portfólio de entregas rápidas, ampliando oferta e alcance.
Incorporar tecnologia, rotas e know-how operacional local.
Reduzir a competição em um mercado onde players globais e locais brigam por espaço.
Esse tipo de aquisição também sublinha como empresas “tradicionais” de tecnologia estão pivotando para operações físicas intensivas em dados e logística, deixando para trás o mantra de “plataformas puras” do início da década.
O que parecia um sonho tecnológico — crescer rápido infinito — deu lugar a uma realidade mais pragmática: escala precisa ser rentável, ou vira ativo à venda.
A entrada da Uber no setor turco representa duas tendências claras no ecossistema global de startups:
Ciclo de consolidação: Grandes players compram empresas promissoras que enfrentam dificuldades.
Fim do financiamento sem limites: Valuations enormes sem modelo claro de lucro estão sendo revistos.
Para empreendedores, investidores e executivos, o recado é direto: crescimento sustentado e vantagem competitiva real continuam sendo a moeda mais valiosa no mundo da inovação.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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