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Trump, Netflix e a política infiltrada na disputa bilionária que pode redesenhar a mídia global

Uma disputa de mais de US$ 80 bilhões entre Netflix e Paramount pelo controle dos ativos da Warner Bros.

Trump, Netflix e a política infiltrada na disputa bilionária que pode redesenhar a mídia global

Donald Trump usou suas redes sociais para exigir que a Netflix demita Susan Rice, ex-assessora de segurança nacional e membro do conselho da empresa caso isso não ocorra

Bruno Lois

, redator(a) da StartSe

7 min

24 fev 2026

Atualizado: 24 fev 2026

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Uma disputa de mais de US$ 80 bilhões entre Netflix e Paramount pelo controle dos ativos da Warner Bros. Discovery (WBD) — incluindo estúdios icônicos e serviços de streaming como HBO e HBO Max — ganhou um ingrediente inesperado: pressão política explícita do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, contra uma empresa privada, levantando questões sobre o papel da política em decisões de mercado e regulação antitruste.

O que está acontecendo na disputa pela Warner

Em dezembro de 2025, a Netflix anunciou um acordo para adquirir os ativos de estúdio e streaming da WBD por cerca de US$ 82,7 bilhões, combinando dinheiro e ações — uma das maiores transações de concentração de mídia da história.

Logo depois, a rival Paramount Skydance apresentou uma oferta hostil ainda maior (cerca de US$ 108,4 bilhões) para comprar toda a companhia — incluindo as redes de TV a cabo — desencadeando uma guerra de propostas que transformou a aquisição em um dos maiores embates corporativos recentes.

O conselho da WBD permanece favorável ao acordo com a Netflix, mas os termos ainda dependem de aprovação de acionistas e de aval dos órgãos reguladores, incluindo o Departamento de Justiça dos EUA e autoridades antitruste internacionais.

Trump entra no tabuleiro — e mira uma diretora da Netflix

O que tornou a disputa excepcional foi a intervenção de Donald Trump, que usou suas redes sociais para exigir que a Netflix demita Susan Rice, ex-assessora de segurança nacional e membro do conselho da empresa, sob a ameaça de “consequências” caso isso não ocorra.

Rice havia feito declarações recentes sugerindo que corporações que se ‘ajoelham’ à administração de Trump poderiam enfrentar repercussões sob uma futura administração democrata. Essa crítica gerou reação imediata do ex-presidente, que vinculou a permanência dela no conselho da Netflix à continuidade do megacontrato com a Warner.

O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, respondeu publicamente que o acordo é um assunto de negócios, sujeito à revisão do Departamento de Justiça e de reguladores globais, não a pressões políticas.

Por que isso importa para negócios e governança

A situação expõe três temáticas estratégicas profundas:

1) Políticas públicas e decisões de mercado estão se sobrepondo

Tradicionalmente, grandes fusões e aquisições são avaliadas por impactos de competição e consumidor — não por preferências presidenciais sobre membros de conselho ou alinhamento político. A tentativa de vincular a permanência de um membro do board a um contrato bilionário representa uma fronteira inusitada de interferência.

2) Reguladores antitruste ganham papel central

Mesmo sem interferência direta do presidente, a aquisição da WBD pela Netflix já está sob análise do Departamento de Justiça dos EUA, que avaliará se a transação reduz competição de forma prejudicial — um processo que pode levar meses e que, em casos semelhantes, pode bloquear contratos ou exigir concessões significativas.

3) A política de conteúdo digital e convergência de mídia virou campo de disputa geopolítica

A concentração proposta pela Netflix une o maior serviço global de streaming ao acervo e estúdios de uma das instituições mais tradicionais de Hollywood. Isso levanta questões sobre controle de narrativa cultural, competição global com plataformas tecnológicas e dependência de infraestrutura de conteúdo.

Tendências que conselheiros e CEOs devem monitorar

A batalha Netflix vs. Paramount não é apenas sobre quem compra o quê.

Ela sinaliza mudanças mais amplas na governança corporativa e no relacionamento entre Estado, regulação e estratégia empresarial:

Política pode impactar decisões de consolidação de mercado, mesmo sem mecanismos formais de veto — pela simples ameaça de custo regulatório ou reputacional.

Conselhos de administração precisam incorporar análise geopoliticamente orientada, não apenas financeira e antitruste.

Estratégia de governança empresarial deve incluir resiliência a pressões externas inesperadas, incluindo críticas presidenciais e mobilizações públicas.

O episódio é um alerta: mercado, política e governança estão se entrelaçando de maneiras que podem afetar aquisições, valor de mercado e decisões executivas em escala global.

Para conselhos e líderes, a pergunta não é mais apenas “como isso afeta nosso P&L?”
Mas também: como prepararmos nossas organizações para navegar num ambiente onde stakeholders políticos podem influenciar narrativa, regulação e até composição de boards em processos de consolidação?

A resposta a essa pergunta pode determinar vantagem competitiva — ou o custo de uma rejeição estratégica em um tabuleiro global que mudou para sempre.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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