Relatório da Workday com dados de milhares de empresas mostra que a IA está reescrevendo funções mais do que cortando vagas. E as empresas estão ensinando a coisa errada.
Trabalho (Foto: Pexels)
, Redator
9 min
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26 out 2026
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Atualizado: 27 out 2026
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O crachá diz “analista financeiro”, como dizia em 2024. O contrato é o mesmo, a mesa também. Mas metade do que essa pessoa faz em um dia comum mudou nos últimos 18 meses, e ninguém atualizou a descrição do cargo.
É essa a cena que o Relatório Global da Força de Trabalho da Workday, divulgado em 5 de outubro, descreve com números. O estudo combina dados anonimizados de empresas que usam o software de RH da Workday com uma pesquisa global com 6.001 profissionais e líderes. A conclusão está no título: a IA está reescrevendo empregos mais do que eliminando.
“Os funcionários podem não estar mudando de emprego, mas o emprego está mudando em volta deles”, disse Phil Willburn, vice-presidente da Workday.
Mais mudando do que cortando, pelo menos por enquanto. Segundo a pesquisa da Workday, 40% dos líderes esperam que a IA ajude a extrair mais dos funcionários atuais, enquanto 28% esperam reduzir o quadro.
A rotatividade voluntária segue em torno de 16% ao ano, e cerca de 70% dos funcionários continuam na mesma empresa dois anos depois. As pessoas estão ficando, mas o trabalho que fazem está se transformando.
Porque o mercado já precificou o básico. Esse talvez seja o dado mais surpreendente do relatório. A demanda por habilidades básicas de IA nas vagas, como escrever prompts simples, atingiu o pico em janeiro de 2026 e depois caiu 25%.
No mesmo período, a demanda por habilidades práticas de IA, como construir ferramentas, automatizar fluxos de trabalho e engenharia de IA, cresceu 51% entre setembro de 2025 e julho de 2026, segundo dados de cerca de 550 grandes empregadores.
Em menos de dois anos, “saber usar IA” deixou de ser diferencial e virou requisito mínimo, como saber usar e-mail. O diferencial agora é saber construir com ela.
Muitos programas corporativos de capacitação, porém, ainda estão no curso introdutório de prompts. Estão ensinando o que o mercado deixou de valorizar.
Não, e os próprios funcionários percebem. Segundo a Workday, 79% dos profissionais dizem saber quais habilidades precisam para ter sucesso, mas só 66% afirmam que o empregador os ajuda a desenvolvê-las. São 13 pontos de distância entre o que as pessoas sabem que precisam e o que recebem.
Um estudo da Jabra feito pela Toluna com mais de 6 mil profissionais do conhecimento em seis países, reportado pela Digital Reviews Network, mostra o tamanho do problema na base da pirâmide. Entre os colaboradores individuais, 64% não receberam nenhum treinamento em IA ou só uma breve introdução. Na alta gestão, esse número é de 26%.
O conhecimento está concentrado no topo, enquanto a transformação do trabalho acontece embaixo.
Ela trava. Segundo a Workday, as movimentações internas para novas funções caíram em 57% dos empregadores em relação ao ano anterior, e as taxas de promoção ficaram praticamente estáveis. Cerca de metade dos funcionários não tentou se mover internamente no último ano, e 27% desses disseram não ver nenhuma oportunidade interna atraente.
O paradoxo é evidente. O trabalho muda, as competências exigidas mudam, mas as estruturas de carreira continuam paradas. O profissional aprende coisas novas sem ter para onde levá-las.
Há ainda um sinal de alerta mais sutil. As menções a habilidades de gestão e liderança nas vagas caíram 7%, e as de habilidades de treinamento caíram 13%. As empresas estão pedindo menos justamente as competências necessárias para conduzir pessoas por uma transição.
As duas coisas ao mesmo tempo. Entre os profissionais que usam IA em quase todo o trabalho, 62% acham que ela vai tornar suas habilidades atuais menos valiosas. E 76% do mesmo grupo esperam que a IA abra novas oportunidades de carreira.
Willburn chamou esse estado de “inquietação silenciosa”. “Ficar não é o mesmo que estar engajado, e empresas que tratam as duas coisas como iguais vão pagar por isso em produtividade”, disse.
O estudo da Jabra aponta onde está a alavanca. Quando os funcionários consideram seus gestores competentes em IA, 65% usam a tecnologia diariamente, contra 27% quando não consideram. O otimismo com a carreira também sobe, de 5,5 para 8,3 numa escala de 10. O gestor que sabe usar IA multiplica o aprendizado do time.
Muda o critério. “A pergunta não é só se alguém já fez exatamente aquele trabalho antes”, disse Willburn. “É se a pessoa consegue aprender rápido o suficiente para resolver o próximo problema.”
Essa mudança tem consequências práticas. Programas de desenvolvimento precisam sair do básico e ensinar a construir: automatizar um processo real, montar um fluxo com agentes, redesenhar uma tarefa. Trilhas de carreira precisam reconhecer as novas competências antes que o profissional vá buscar reconhecimento em outra empresa. E os gestores precisam aprender primeiro, porque são eles que puxam o time.
Se o seu programa de capacitação em IA ainda começa e termina em “como escrever um bom prompt”, ele está preparando as pessoas para uma exigência que o mercado já deixou para trás. Os dados mostram por onde começar a mudança: pelo líder. Quando o gestor domina a IA, o uso diário pelo time mais que dobra e o otimismo com a carreira dispara. Formar executivos capazes de conduzir equipes por essa transformação, redesenhando funções, abrindo caminhos de carreira e aprendendo antes de cobrar, é o foco do Executive Program da StartSe. O programa é feito para líderes que querem que seus times evoluam junto com o trabalho, e não atrás dele.
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