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Revolut, que quer virar banco no Brasil, convida Paulo Guedes para o seu conselho

A fintech britânica com 75 milhões de clientes no mundo criou um conselho consultivo no Brasil e trouxe o ex-ministro da Economia para liderar a empreitada

Revolut, que quer virar banco no Brasil, convida Paulo Guedes para o seu conselho

Revolut monta o seu tabuleiro de poder com um ex-ministro da Economia no Conselho

Bruno Lois

, Editor

8 min

12 jun 2026

Atualizado: 12 jun 2026

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A Revolut anunciou nesta quinta-feira a criação de seu conselho consultivo independente no Brasil, composto por Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, Luiz Lobo e Ana Novaes. O movimento é estratégico e tem uma data-alvo implícita: o momento em que a empresa decidir pedir a licença bancária ao Banco Central.

O que a Revolut é no Brasil hoje — e o que quer ser

A Revolut chegou ao Brasil em 2023 e opera atualmente com licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD), o que limita sua atuação operacional. A fintech oferece conta corrente em reais, crédito, investimentos e conta global em diversas moedas.

A limitação da SCD é real e relevante: sem licença bancária plena, a Revolut não pode captar depósitos da forma que um banco tradicional faz, não tem cobertura do FGC e opera com restrições que seus concorrentes diretos — Nubank, Inter, Itaú — não enfrentam. Para uma empresa que globalmente já tem licença bancária na União Europeia e autorização regulatória no Reino Unido, ficar presa numa estrutura de SCD no maior mercado da América Latina é um gargalo que precisa ser resolvido.

O CEO Glauber Mota afirmou que o conselho pode ganhar caráter estatutário mais à frente, quando a companhia decidir buscar a licença bancária. No momento, a Revolut já conta com comitês de risco e de finanças, em linha com o que é exigido pelo Banco Central dos bancos.

A sequência é clara: primeiro constrói a estrutura de governança, depois pede a licença. O conselho consultivo é o passo um.

Por que Paulo Guedes e o que ele entrega

A escolha de Guedes não é ideológica. É funcional. E o CEO da Revolut Brasil foi direto ao explicar a lógica de composição do colegiado.

"Quando você junta os três, eu peguei business, infraestrutura e compliance e riscos. Tudo junto fez essa combinação poderosa para essa próxima fase de crescimento da Revolut", afirmou Glauber Mota. 

Paulo Guedes traz experiência em negócios, macroeconomia e construção de instituições financeiras; Luiz Lobo acrescenta décadas de atuação em gestão de riscos, compliance e governança no sistema financeiro brasileiro, com passagens pela Caixa Econômica Federal; e Ana Novaes soma experiência em infraestrutura de mercado, regulação e mercado de capitais, com passagens pela B3 e pela CVM.

Doutor em Economia pela Universidade de Chicago, Guedes ocupou o Ministério da Economia entre 2019 e 2022. Após deixar o governo, fundou em 2023, ao lado do ex-presidente do BNDES Gustavo Montezano, a YVY Capital, gestora com foco em infraestrutura no Brasil e na América do Sul — que recebeu investimento minoritário do UBS em fevereiro de 2025.

O que Guedes entrega não é só conhecimento técnico, é rede e credibilidade institucional. Navegar o processo de obtenção de licença bancária no Brasil exige interlocução com o Banco Central, com o mercado de capitais e com o ecossistema financeiro regulatório. Ter alguém que conhece essa arquitetura por dentro — e que é conhecido por ela — encurta caminhos que empresas estrangeiras normalmente percorrem da forma mais difícil.

O mercado que a Revolut está de olho

Globalmente, a Revolut afirma ter 75 milhões de clientes e se posiciona como um dos principais players da nova geração de serviços financeiros. No Brasil, o foco declarado é o cliente de alta renda — o mesmo território que o Nubank está tentando conquistar com o NuInvest e o NuUltra, e que os bancos tradicionais defendem com wealth management e private banking.

A conta global em múltiplas moedas é o produto que mais diferencia a Revolut no mercado brasileiro: com uma única conta, o cliente mantém saldo em mais de 25 moedas simultaneamente, com câmbio a taxas competitivas e sem as tarifas abusivas dos bancos tradicionais. Para executivos, empresários e profissionais com exposição internacional, isso resolve uma dor real que nenhum banco brasileiro resolve bem.

O problema é que, sem licença bancária, o teto da Revolut no Brasil tem uma altura definida. O FGC não cobre os saldos, o que afasta clientes que querem manter volumes maiores depositados. A licença bancária plena remove esse teto — e é por isso que o conselho consultivo foi criado agora, não daqui a dois anos.

O que esse movimento diz sobre o mercado financeiro brasileiro

A chegada de uma fintech global com 75 milhões de clientes buscando licença bancária no Brasil, com um ex-ministro da Economia e ex-executivos de B3 e Caixa no conselho, diz algo sobre como o mercado financeiro brasileiro é percebido lá fora.

É grande o suficiente para justificar esse nível de investimento em governança e credibilidade institucional. É regulado o suficiente para exigir esse perfil de conselheiro. E está competitivo o suficiente para que a Revolut precise de diferenciação real — não apenas tecnológica, mas política e relacional — para ganhar espaço contra incumbentes que têm décadas de relacionamento com clientes e reguladores.

O xadrez está montado. O próximo movimento é o pedido de licença. E quando ele vier, Paulo Guedes vai estar sentado à mesa, ditando, com seus pares de conselho, os próximos e estratégicos passos de um grande player do mercado financeiro.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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