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Quem deveria engajar está desgastado: líderes em modo sobrevivência

Pesquisa global da Gallup mostra engajamento de gestores caindo mais rápido que o do restante da equipe

Quem deveria engajar está desgastado: líderes em modo sobrevivência

O desgaste da liderança intermediária dá sinais cada vez mais claros.

Redação StartSe

, Redator

7 min

6 ago 2026

Atualizado: 6 ago 2026

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Durante anos, o discurso corporativo tratou desengajamento como problema do time. Só que tem um sintoma que quase ninguém detectou a tempo: levantamento da Gallup com 141 mil trabalhadores em mais de 140 países identificou queda expressiva no engajamento dos gestores desde 2022, o que reposiciona completamente o diagnóstico. 

Empresas passaram anos tentando descobrir por que funcionários perdiam engajamento, produtividade e conexão com o trabalho, e a resposta pode estar em outro lugar: no próprio gestor, que deveria transmitir engajamento e está, ele mesmo, esgotado.

O tamanho do problema é estrutural, não pontual. Segundo o relatório State of the Global Workplace da Gallup, o engajamento global caiu de 23% para 21%, mas entre gestores a queda foi de 30% para 27%, uma deterioração mais acentuada justamente no grupo que deveria puxar o engajamento dos outros. Como 70% do engajamento de uma equipe é diretamente influenciado pelo gestor, essa queda se propaga direto para o time, antes mesmo de qualquer decisão estratégica ser tomada.

Por que a pressão sobre a liderança intermediária aumentou tanto

O desgaste não vem de excesso de ambição, vem de um desenho de função que ficou desequilibrado. Uma pesquisa da Deloitte aponta que quase 40% do tempo dos gestores é consumido por atividades administrativas e resolução de problemas imediatos, em vez de desenvolvimento de pessoas e execução estratégica, exatamente o que se espera que um líder entregue.

Esse descompasso já foi reconhecido pelas próprias empresas, mas sem ação proporcional. O estudo Global Human Capital Trends da Deloitte mostra que 73% das organizações reconhecem que o papel do gestor precisa ser reinventado, mas apenas 7% afirmam estar fazendo progresso significativo nessa transformação. Entre o diagnóstico e a mudança real, existe uma lacuna de execução que deixa o gestor sustentando, sozinho, um modelo que a própria empresa já sabe que não funciona mais.

Números que mostram a escala da crise

Os dados de saúde mental entre líderes confirmam que o desgaste passou de exceção para padrão. Uma pesquisa da Conquer In Company, com 750 profissionais, revela que 70% dos líderes já consideraram abandonar suas funções devido aos impactos negativos na saúde mental, com cansaço crônico afetando 57% dos participantes e incapacidade de se desconectar do trabalho mesmo fora do expediente atingindo 53%.

Na alta liderança, o quadro se repete em outra escala. Um levantamento da Deloitte em parceria com a Workplace Intelligence mostrou que quase 70% dos executivos do C-level apresentam risco de burnout e consideram deixar seus cargos, enquanto pesquisa da Sentry com mil executivos americanos revelou que 67% dos líderes estavam mais estressados em 2025 do que no ano anterior, um percentual que sobe para 82% entre executivos de grandes empresas.

Reconhecer o problema é o primeiro passo, mas sozinho não muda nada. É esse o motivo pelo qual desenvolvimento estruturado de liderança, com repertório prático de priorização e gestão da própria energia, se tornou item central de programas como o Executive Program, voltado para quem já sente esse desgaste na própria cadeira e precisa de método, não só de reconhecimento do problema.

Sinais de que um líder está em modo sobrevivência

Alguns sinais aparecem de forma consistente antes de o esgotamento se tornar crise declarada:

  • Fadiga decisória constante, quando o volume diário de decisões estratégicas, operacionais e humanas reduz a qualidade das escolhas ao longo do dia.
     
  • Cultura da disponibilidade permanente, quando o líder não consegue se desconectar mesmo fora do expediente, tratando isso como parte inevitável do cargo.
     
  • Desalinhamento de urgência, quando o próprio líder sente uma pressão que os demais membros da liderança não parecem reconhecer com a mesma intensidade.
     
  • Tempo consumido por administração, não por pessoas, quando a maior parte do dia vai para resolver problema imediato, e não para desenvolver quem está no time.
     
  • Intenção recorrente de sair do cargo, mesmo sem plano concreto, um sinal que a maioria dos líderes carrega em silêncio antes de qualquer conversa aberta sobre o tema.

O que muda quando a empresa trata isso como prioridade estratégica

Nem tudo é sentença. Nas organizações consideradas referência em boas práticas, segundo a Gallup, 79% dos gestores estão engajados, quase quatro vezes acima da média global. A diferença não está em características individuais dos líderes, está na forma como a empresa trata desenvolvimento de liderança: escolhendo melhor quem promove, investindo antes da promoção, e tratando engajamento como estratégia de negócio, não como programa isolado de RH.

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