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Por que os unicórnios estão voltando a ser raros?

Uma vez raros, os unicórnios se tornaram frequentes em 2020 e 2021. Agora, voltam a ser raros. Entenda por que.

Por que os unicórnios estão voltando a ser raros?

Unicórnios estão voltando a ser raros, seguindo a tendência do volume de investimentos em startups. (Foto: GettyImages).

, conteúdo exclusivo

8 min

25 out 2022

Atualizado: 13 dez 2022

Há 1192 startups unicórnios no mundo. Quase a metade delas, nasceu em 2021 – 541 unicórnios foram criados naquele ano. A imensa liquidez de investimentos fez crescer astronomicamente o número de empresas com esse status.

Mas, na origem do nome, os unicórnios eram pensados como criaturas raras, mágicas (e mitológicas). Porque de fato eram: não era qualquer startup que atingia o valor. À época, em 2013, apenas 39 unicórnios existiam no mundo.

Com o crescente interesse e as valorizações exponenciais para aqueles investidores que investiam em startups, cada vez mais players ficaram interessados na classe de ativos, o que inundou o mercado de capital e graduou várias startups como unicórnios.

Unicórnios: de volta às origens

Depois de 2020 e 2021, anos em que se criou uma verdadeira fábrica de unicórnios, uma pesquisa da CB Insights mostra que apenas 25 startups unicórnio nasceram no terceiro trimestre de 2022. Esse é o menor número desde o primeiro trimestre de 2020. Além disso, mostra uma queda de 71% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.

Dos 25, 14 unicórnios são dos Estados Unidos – o líder –, logo após a Ásia aparece com 7 startups avaliadas em mais de um bilhão. Em seguida, Europa, com 3, e América Latina, com uma, completam a lista. A representante da América Latina é a Stori, fintech mexicana que atua com cartão de crédito e recebeu uma extensão de rodada de US$ 150 milhões em julho.

Curiosamente, o Brasil, líder em número de unicórnios na América Latina, não teve nenhuma startup atingindo o status de unicórnio em 2022. Só no ano passado, foram 9 startups nacionais que alcançaram o status.

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A razão da queda dos unicórnios

A ascensão e queda do número de unicórnios acompanha o volume de investimento no setor. Diante de investidores mais reticentes e valuations encurtados, o número de startups com avaliações tão grandes,  reduziu. Vale lembrar que o contraste fica ainda maior por conta da supervalorização do segmento nos últimos dois anos.

Outros dados da CB Insights também demonstram a desaceleração dos investimentos em venture capital no mundo todo. Por exemplo, no terceiro trimestre, os aportes somaram US$ 74,5 bilhões, o pior trimestre desde o segundo de 2020, marcando uma queda de 34% em comparação ao mesmo período de 2021.

O cenário brasileiro é parecido: os investimentos somados alcançaram US$ 600 milhões no terceiro trimestre – a menor soma desde o primeiro trimestre de 2020. O número era de US$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre do ano e de US$ 900 milhões no segundo.

Por que importa?

A desaceleração dos investimentos e criação de menos unicórnios significa, principalmente, que essa é a hora de olhar para a base da pirâmide: o early stage. É preciso investir naquelas empresas que ainda estão começando e que ainda podem fazer muito, com pouco capital. Por isso, os fundos mais ativos do Brasil foram, de acordo com a CB Insights, aqueles focados em early-stage, como Bossanova, monashees, Canary, Domo Invest e Urca Angels.

Tudo isso porque os players de venture capital que aportam em growth estão mais criteriosas na hora de assinar um cheque – e são justamente esses que são responsáveis por dar a luz aos novos unicórnios. Portanto, será bastante difícil que novas startups atinjam o status ainda nesse ano.

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