O levantamento é do IDC a pedido da ABES e desmonta a premissa que sustenta boa parte do debate brasileiro sobre inteligência artificial: a de que a tecnologia entrou nas empresas como instrumento de corte.
A redução de custos ficou em décimo, com 13%
, Redator
8 min
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16 set 2026
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Atualizado: 16 set 2026
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Quando 107 tomadores de decisão de tecnologia listaram o que mais vai influenciar os investimentos de suas empresas em 2026, o aumento de produtividade apareceu em primeiro lugar, com 43%. A redução de custos ficou em décimo, com 13%. O levantamento é do IDC a pedido da ABES e desmonta a premissa que sustenta boa parte do debate brasileiro sobre inteligência artificial: a de que a tecnologia entrou nas empresas como instrumento de corte.
Por que isso importa: empresa que compra IA para reduzir folha e empresa que compra IA para aumentar capacidade fazem escolhas diferentes de processo, de indicador e de fornecedor. O ranking indica qual das duas descreve o mercado brasileiro, e não é a que circula.
A narrativa de que inteligência artificial chegou às empresas brasileiras como ferramenta de enxugamento é forte, circula em manchete e organiza o medo de boa parte do mercado de trabalho. Ela não é confirmada por quem assina o cheque.
Três dos quatro principais motivos declarados são de expansão: produtividade, cliente e novos produtos. O quarto, enfrentar a concorrência, é defensivo, mas defensivo em receita, não em despesa. Corte de custo aparece atrás de nove outros fatores.
Isso é coerente com o que os analistas do estudo descrevem. A leitura do IDC é que a IA saiu da condição de projeto experimental e passou a ocupar posição central na estratégia, com as organizações buscando converter investimento em ganho concreto de produtividade, inovação e competitividade.
Vale um cuidado de interpretação. O dado mede a intenção declarada por tomadores de decisão de TI em empresas com mais de cem funcionários, não o efeito da tecnologia sobre o emprego. As duas coisas podem divergir. Uma empresa que compra IA para crescer pode acabar contratando menos do que contrataria, e isso não aparece em nenhuma das duas colunas.
Em 12 de setembro, a StartSe abordou mais deste assunto no artigo "IA no Brasil: adoção de 100% e arquitetura de 45%".
A segunda metade da pesquisa cria uma tensão com a primeira.
IA generativa e agentes de IA lideram a agenda de investimento para o ano, citados por mais da metade dos executivos. É a aposta declarada do mercado brasileiro. E agente depende de dado organizado de um jeito que ferramenta de conversa não depende: para executar uma tarefa de ponta a ponta, o sistema precisa consultar informação confiável, atualizada e estruturada em cada etapa.
Aí está o descompasso. Menos da metade das empresas classifica os próprios dados como ativo bem estruturado e governado. Quase a mesma proporção admite trabalhar com informação parcialmente estruturada e com lacunas.
O detalhe mais revelador não é esse. É que, entre todas as empresas ouvidas, apenas 3% consideram a gestão de dados um gargalo significativo para a inteligência artificial.
Metade do mercado sabe que tem lacuna e quase ninguém trata a lacuna como impedimento. Essa combinação explica muita coisa sobre projetos que funcionam na demonstração e travam na operação. A falha aparece na hora em que o sistema precisa do dado que ninguém organizou, e nesse momento ela é atribuída à tecnologia.
A síntese dos analistas vai na mesma direção: a maturidade em IA depende cada vez menos da disponibilidade de tecnologia e cada vez mais da qualidade da infraestrutura digital, da governança e do preparo organizacional.
Para CEOs e conselhos. Se a intenção declarada é crescimento, o indicador acompanhado precisa ser de crescimento. Projeto de IA cobrado por economia de custo vai ser avaliado pela régua errada e encerrado por um motivo que não era o dele.
Para C-levels e diretores. Antes de aprovar iniciativa de agente, cabe verificar qual dado ela vai consultar, quem é responsável por mantê-lo e com que frequência ele é atualizado. As três respostas separam piloto que escala de piloto que demonstra.
Para donos de pequenas e médias. Volume menor de dado significa menos coisa para organizar. Estruturar o que já existe agora é mais barato do que será depois, e é o pré-requisito da onda que o mercado já declarou como prioridade.
A empresa brasileira decidiu comprar inteligência artificial para crescer. Declarou isso em pesquisa, colocou agentes no topo da agenda de investimento e continua com metade da base de dados por organizar, sem tratar isso como problema. A distância entre a ambição e o pré-requisito não é de tecnologia nem de orçamento. É de arrumação.
A ambição declarada pelas empresas brasileiras é crescimento, e o pré-requisito dela é dado organizado, processo mapeado e indicador definido. A Masterclass de IA da StartSe mostra em que ordem resolver isso antes de escalar a primeira solução.
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