Sou Aluno
Formações
Imersões Internacionais
Global MBAs
Eventos
AI Tools
Artigos
Sobre Nós
Para Empresas
Consultoria
Liderança

Por que a Geração Z recusa a liderança que você oferece

O dado é 6%. A culpa não é deles, e o problema vai chegar à sua organização mais cedo do que parece

Por que a Geração Z recusa a liderança que você oferece

Uma geração que escancara um novo jeito de liderar, ou não quer liderar.

Bruno Lois

, Editor

9 min

24 jun 2026

Atualizado: 24 jun 2026

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!

Apenas 6% dos jovens da Geração Z têm como objetivo ocupar posições de liderança nas empresas. A reação mais comum de quem lidera organizações ao ouvir esse dado é tratá-lo como problema de atitude, diagnóstico de uma geração desmotivada ou avessa ao esforço.

Essa reação está errada. E é cara.

O fenômeno ganhou nome: quiet ambition, em tradução livre "ambição silenciosa", e representa jovens da Geração Z deliberadamente desinteressados em assumir cargos de liderança nas organizações. O que as pesquisas mostram, quando investigam além do número, é que a recusa não é à liderança em si. É a um pacote específico de liderança que essa geração observou de perto e concluiu que o custo-benefício não fecha. 

O que a Geração Z viu e decidiu não repetir

A Geração Z cresceu observando gerações anteriores no trabalho. O que viram não foi apresentado como modelo aspiracional. A nova geração observa os líderes atuais como profissionais sobrecarregados, pressionados e sem equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

Pesquisas confirmaram que a Geração Z está deliberadamente evitando os estressantes cargos de gestão intermediária, com 16% afirmando que evitariam a todo custo esse tipo de ocupação. Além disso, 36% dos entrevistados esperam assumir uma posição de liderança em algum momento de suas carreiras, mas na prática não querem fazer isso. 

Segundo um estudo da consultoria de recrutamento Robert Walters, 72% dos jovens da Geração Z preferem progredir em um cargo como colaborador individual a assumir uma posição que exija liderança sobre outras pessoas. Os motivos são racionais: mais carga de trabalho, expectativa permanente de disponibilidade e, na avaliação de quem observa de fora, recompensa desproporcional ao custo pessoal.

Estudos acadêmicos confirmam que o recuo não representa falta de ambição, mas uma busca por coerência ética, equilíbrio entre vida e trabalho e autonomia. A Geração Z não abandonou a ambição. Redefiniu o que ambição significa.

O problema que vai chegar ao board

O dado de 6% não é apenas uma questão de recrutamento de médio prazo. É um problema de sucessão que vai chegar à mesa da alta liderança antes do planejado.

Pesquisa do LinkedIn indica que até 2025 a Geração Z representa mais de 25% da força de trabalho global. Já ocupa a maior fatia dos cargos de entrada em boa parte das organizações. Em menos de cinco anos, alguém vai precisar preencher as posições de gestão que ficarem vazias, e esse alguém vai vir de uma geração que hoje recusa o convite com dados na mão.

Especialistas alertam que a baixa procura por cargos de liderança pode gerar uma lacuna de sucessão nas empresas, e que as organizações precisarão redefinir o modelo de liderança, tornando essas posições mais atrativas, humanas e alinhadas às expectativas das novas gerações.

A saída não é convencer a Geração Z a aceitar o pacote atual. É reformular o pacote.

O que a Geração Z quer de liderança, de fato

Pesquisa realizada com quase mil jovens brasileiros mostrou que 64% deles planejam chegar a cargos de liderança, e 71% pretendem conduzir equipes inspirados na figura de um líder mais próximo, que conversa sobre temas que vão além do trabalho.

O dado brasileiro corrige a leitura equivocada do fenômeno. A Geração Z quer liderar. Quer liderar de forma diferente, com menos hierarquia performática, com autoridade construída por consistência e não por título, com autonomia real para tomar decisões e com clareza de propósito que vá além de bater meta de trimestre.

Muitos jovens afirmam não receber mentoria adequada, clareza sobre o propósito das empresas ou preparo para desenvolver habilidades interpessoais. O problema, portanto, não é apenas o modelo de liderança existente. É também a ausência de um caminho de desenvolvimento que faça sentido para quem está chegando.

O que as organizações precisam redesenhar

O cargo de gestor foi desenhado para um contexto que deixou de existir: estruturas rígidas, informação centralizada, autoridade derivada de posição hierárquica. Esse modelo não encontra eco em profissionais que cresceram com acesso irrestrito à informação, capacidade de construir audiência própria e referencial claro sobre o que é um ambiente de trabalho saudável.

Empresas que conseguirem redesenhar o que significa ser gestor vão atrair exatamente quem hoje recusa o formato antigo. Isso exige três movimentos concretos: reduzir a carga administrativa que hoje consome o tempo dos gestores intermediários em detrimento do trabalho de desenvolvimento de pessoas; criar trajetórias de liderança com autonomia real desde os primeiros níveis, não apenas como promessa futura; e desenvolver líderes seniores capazes de modelar o comportamento que a Geração Z quer ver antes de aceitar o convite para liderar.

Esse último ponto é o mais crítico e o mais negligenciado. A Geração Z observa os líderes que estão acima antes de decidir se quer chegar lá. Se o que vê são profissionais sobrecarregados, sem vida pessoal e com pouca margem de decisão real, a resposta racional é declinar. Se o que vê são líderes com repertório atualizado, presença consistente e capacidade de desenvolver times com inteligência, a resposta muda.

O Executive Program da StartSe foi desenhado para líderes que precisam atualizar o próprio repertório e construir a autoridade que atrai, retém e desenvolve as gerações que chegam com expectativas diferentes e capacidade de entrega igualmente diferente.

A pergunta que as organizações precisam responder agora

O problema do quiet ambition não se resolve com comunicação interna mais empática ou com benefícios adicionais de bem-estar. Se resolve quando a liderança sênior decide que o modelo de gestão precisa mudar e age em consequência.

A Geração Z não é o problema. É o sintoma de um modelo que já não funciona para quem tem escolha. E à medida que o mercado de trabalho evolui, a proporção de profissionais com escolha só aumenta.

Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!

Imagem de fundo do produto: AI Journey | StartSe

Assuntos relacionados

Imagem de perfil do redator

Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

Leia o próximo artigo

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!